30 de maio de 2015

E QUANDO AS VÍTIMAS SÃO OS HOMENS?

As estatísticas mostram que a maioria das vítimas de violência doméstica são mulheres, mas o facto é também explicado pela vergonha de os homens apresentarem queixa ou pela dificuldade em se reconhecerem como vítimas, como aconteceu com João Paiva.




Segundo os dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), mais de 80% das vítimas de violência doméstica são mulheres, mas, segundo a investigadora Andreia Machado, da Escola de Psicologia da Universidade do Minho, tem havido uma feminização do fenómeno, o que levou à invisibilidade da violência contra os homens.

João Paiva sentiu isso na pele e, perante uma plateia de algumas dezenas de pessoas, no âmbito do seminário da APAV sobre “As outras faces da violência doméstica”, contou aquilo por que passou durante uma relação de 20 anos.

João recorda que, numa situação, foi agredido pela ainda mulher – já que esta recorreu da decisão relativa ao processo de divórcio – ao soco e ao pontapé, ficou com um traumatismo crânio-encefálico e teve de ser hospitalizado.

Lembra que quando quis apresentar queixa numa esquadra da polícia, não só foi aconselhado a desistir como o agente que o recebeu “desatou a rir” perante a possibilidade de João querer apresentar queixa por violência doméstica.

Conta também que a mulher apresentou várias queixas contra ele por violência doméstica e que, em tribunal, ficou provado que ela tinha inventado as agressões. Foi condenada, mas no fim, o juiz “quase pediu desculpas por a estar a condenar”.

João tem dois filhos, mas não vê a filha mais velha, nem ela priva com a família paterna, há mais de um ano e meio. Tem a guarda partilhada do filho mais novo, mas o seu maior receio é que o Ministério Público reverta a decisão e entregue a guarda total da criança à mãe.

O que João conta encaixa nas conclusões do estudo antes apresentado pela investigadora Andreia Machado, com o título: “E quando as vítimas são os homens?”.

“Quando falamos de violência contra os homens, podemos dizer que, socialmente, se encontra no mesmo patamar que se encontrava a violência contra as mulheres na década de 70, ou seja, temos um insuficiente reconhecimento pela sociedade, ainda muito reflexo de medo e de vergonha”, explicou a investigadora.

De acordo com Andreia Machado, as estimativas internacionais apontam para que entre 25% a 50% das vítimas de violência na intimidade sejam homens e sublinhou que, relativamente a Portugal, os dados oficiais de 2012 revelam que 15,5% das 26.084 queixas por violência doméstica foram apresentadas por homens.

Apontou que, durante 2012, a APAV foi procurada por 646 homens, ao mesmo tempo que revelou que têm também aumentado os homicídios conjugais femininos, que passaram de 4,5% em 2007 para 13,2% em 2011.

“O único estudo que conhecemos específico em Portugal foi realizado em 2009 pelo Instituto Nacional de Medicina Legal do Porto, que revela que, das 535 vítimas atendidas, 11,5% eram homens”, disse a investigadora.

Relativamente ao estudo que levou a cabo, em que inquiriu 1.557 homens, a investigadora revelou que os resultados mostraram que 69,7% admitiu ter sido vítima de, pelo menos, um comportamento abusivo nos últimos doze meses, número que aumenta para 76,4% quando analisada toda a vida.

Dos homens inquiridos, apenas 8,9% se viam como vítimas e, destes, 76,4% não procurou ajuda. Dentro dos que procuraram ajuda, 71,4% fê-lo junto de amigos e familiares.

Relativamente aos 76,4% que não procuraram ajuda, a primeira explicação apontada, em 64,7% dos casos, é que não identificaram os actos de que eram alvo como violência.

João também só se apercebeu de que era vítima, nos últimos quatro ou cinco anos, mas admite agora que, fazendo uma análise aos 20 anos de relação, a violência esteve sempre lá.


Fonte:Lusa


Revista CINTURÃO NEGRO (Abril 2015)


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6 de maio de 2015

"HOME" nova campanha da APAV




A APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) lançou uma campanha de sensibilização contra a violência doméstica. A campanha de alerta, desenvolvida pela agência FCB Lisboa, vai chegar por correio a alguns lares portugueses em forma de catálogo.

O catálogo chama-se “Home” e parece, à primeira vista, um álbum de móveis para venda. Mas na verdade este é um catálogo para folhear de olhos bem abertos, para acordar consciências.

O catálogo inclui histórias verdadeiras, traduzidas em estatísticas da violência praticada em ambiente doméstico no nosso país em 2014. A violência doméstica é um problema transversal: afecta sobretudo mulheres, mas também homens, crianças, pessoas idosas.

O foco da campanha nos espaços comuns do interior de uma casa de família e em objectos do quotidiano chama a atenção para a proximidade do problema.

“Os números neste catálogo precisam de diminuir até 2016”. Eis uma meta clara, em tom de imperativo, como resposta aos dados alarmantes de 2014. No ano passado 48 pessoas morreram no âmbito da violência doméstica no nosso país, entre as quais 43 mulheres.

O catálogo está disponível online - em www.apav.pt/catalogohome2015 - e pode e deve ser partilhado, para lembrar que a violência doméstica pode estar muito próxima.

A APAV, através da sua rede nacional de Gabinetes de Apoio à Vítima e da Linha de Apoio à Vítima (116 006), apoia todas as pessoas que sejam vítimas de crime, prestando apoio jurídico, psicológico, emocional e social.




26 de abril de 2015

CARJACKING - MEDIDAS DE PREVENÇÃO




O carjacking é um fenómeno criminal que consiste, essencialmente, no roubo de veículos na presença ou proximidade do seu proprietário, que vê a sua integridade física ameaçada, geralmente com recurso a arma branca ou de fogo.
Este fenómeno teve origem nos Estados unidos na década de 80. Em Portugal, surgiu como fenómeno criminal em 2003.

Onde é mais frequente?

O carjacking pode acontecer em qualquer lugar, mas há locais considerados mais vulneráveis:

 - Parques de Estacionamento

 - Bombas de Gasolina

 - Acessos à Residência / Saídas de Garagens

 - Caixas de Multibanco (ATM)

 - Locais despovoados ou com pouca iluminação

 - Cruzamentos ou entroncamentos com semáforos


CONSELHOS ÚTEIS

Ao entrar no veículo
- Tenha a chave pronta para entrar no seu automóvel, sem a exibir, e olhe em volta e para dentro do veículo antes de entrar;
- Não use o comando automático para abrir as portas a uma longa distância;

Enquanto conduz
- Conduza com as portas trancadas e as janelas fechadas;
- Quando parar num semáforo atrás de outro veículo deixe espaço suficiente para se afastar rapidamente, em caso de necessidade;
- Não se apresse para chegar a um semáforo e parar. Aproveite a possibilidade de manter o veículo em movimento;
- Evite conduzir em locais desconhecidos;
- Evite conduzir de noite a horas tardias e de manhã muito cedo, quando não há trânsito;
- Se tiver de viajar durante a noite, não vá sozinho;
- Não viaje com objetos de valor à vista;
- Se tiver de parar para deixar sair ocupantes do seu veículo, não se afaste sem verificar que entraram em segurança nas suas viaturas.

Ao sair do veículo
- Verifique se não está a ser seguido;
- Não deixe as chaves na ignição, mesmo que por breves instantes;
- Escolha locais bem iluminados para estacionar;
- Evite estacionar próximo de veículos de grandes dimensões que dificultem a sua visibilidade;
- Quando parar numa garagem ou estacionamento públicos tente parquear no piso térreo, evitando, se possível o uso de elevador ou escadas;
- Se entrar numa garagem com portão automático, certifique-se que este se fecha e que não foi seguido;
- Ao regressar a casa de noite, solicite que alguém dentro de casa ilumine a entrada e o receba à porta, se possível;
- Não fique dentro do automóvel a descansar, comer, dormir, ler ou maquilhar-se;

O que fazer perante pessoas ou comportamentos estranhos
- Se um estranho se aproximar do seu carro, continue a sua marcha ou buzine para atrair a atenção;
- Não abra a porta ou a janela do automóvel a estranhos;
- Não pare para auxiliar um estranho cuja viatura se avariou. Se considerar que a situação é uma emergência, ligue 112;
- Se sentir que embateram propositadamente no seu carro não pare e dirija-se à polícia ou aos bombeiros para pedir ajuda;
- No caso de ter um furo num local inseguro, mal iluminado ou despovoado, tente dirigir-se para o local público mais próximo;
- Em situação de perigo abandone o seu carro e não ofereça qualquer resistência, principalmente se for ameaçado por uma arma. Afaste-se o mais rapidamente possível.

Para reduzir o risco de ser vítima de carjacking, as autoridades recomendam que estude a possibilidade de adquirir equipamentos e/ou serviços complementares de protecção para o seu veículo. Há actualmente no mercado várias soluções com tecnologias interoperáveis, que apresentam serviços de geolocalização e imobilização dos automóveis, sistemas de alerta e alarme quando a ignição do carro é accionada, quando a viatura é elevada (para ser rebocada, por exemplo) quando a bateria é desligada ou fica sem carga. Há ainda a opção de ligar estes sistemas a centrais ou a centros de contacto, com diversas funcionalidades.


3 de abril de 2015

Revista CINTURÃO NEGRO (Fevereiro - Março 2015)


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 CINTURÃO NEGRO Fevereiro 2015
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CINTURÃO NEGRO Março 2015
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(IN)SEGURANÇA NA REDE

As crianças começam a aceder a sites e conteúdos digitais cada vez mais cedo, muitas das vezes sem acompanhamento familiar. Saiba como proteger os seus filhos das ameaças da internet. 




A internet é uma ferramenta indispensável mas não isenta de perigos. Muitas são as histórias relatadas sobre a ameaça que o acesso à internet constitui para as crianças e jovens. Desfechos pouco felizes aumentam a precupação de todos, sobretudo dos pais, em relação à segurança dos mais novos neste mundo virtual de comunicação. A ingenuidade infantil e a curiosidade, característica nestas idades, tornam as crianças um alvo fácil para pessoas mal intencionadas que possam estar online. Dar a conhecer os riscos, dominar as técnicas e acompanhar a utilização são algumas das estratégias que contribuem para a convivência divertida e segura com a internet.

Perigos reais


De acordo com o relatório final de um programa piloto financiado pela Comissão Europeia, no âmbito do Plano de Ação Para a Utilização Segura da Internet, os perigos associados ao uso da internet por crianças e jovens são bem reais e podem ser agrupados em três categorias. A primeira engloba conteúdos impróprios, legais ou ilegais (pornografia, violência, ódio, racismo e outros ideais extremistas) que, para além de serem prejudiciais a um desenvolvimento harmonioso, podem ofender os padrões e valores segundo os quais pretende educar os seus filhos.


A segunda refere-se a contactos potenciais por parte de pessoas mal intencionadas, que usam o e-mail, salas de chat, instant messaging, fóruns, grupos de discussão, jogos online e telemóveis para terem acesso fácil a crianças e jovens. Por último, surgem as práticas comerciais e publicitárias não-éticas que, não distinguindo a informação da publicidade, podem enganar os mais novos, promover a recolha de informações que violam a sua privacidade e atraí-los a fazerem compras não autorizadas.

Os favoritos


Hi5, Blogger, YouTube e MSN eram os sites que, em 2011, figuravam no top dos mais visitados em Portugal. Hoje, Twitter, ASK FM e Facebook dominam. No Facebook e no Twitter, muito na linha do velhinho hi5, comunidade social fundada em 2004 por Ramu Yalamanchi, os utilizadores registados podem criar um perfil e colocar fotografias, músicas e vídeos. O site MSN, por exemplo, disponibilizava até há pouco o Messenger, um programa de mensagens instantâneas que permite que um usuário da internet se relacione com outro em tempo real, tenha uma lista de amigos e veja quando estes entram e saem da rede.

O YouTube permite a divulgação de vídeos e o Blogger, a criação de páginas pessoais na internet. Embora a maioria dos sites tenha política de privacidade (recusando informações pessoais, impedindo o acesso direto ao e-mail ou a divulgação de imagens com teor violento ou sexual), a verdade é que é algo muito difícil de controlar e fácil de manipular.

Proibir ou partilhar?


A educação requer regras e o uso da Internet não deve ser excepção. Colocar o computador numa zona comum da casa e definir os momentos em que cada um pode estar online e quais as actividades apropriadas são algumas estratégias a adoptar. Prefira uma abordagem positiva, evitando a proibição extrema, que junto dos mais jovens tende a surtir o efeito inverso. Na opinião de Tito de Morais, fundador do projecto MiudosSegurosNa.Net, a solução pode passar «por transformar a utilização da internet numa experiência partilhada a nível familiar e desenvolver, em grupo, um conjunto de regras que só devem ser quebradas por mútuo acordo. Pode até transformá-las num contrato familiar a assinar por cada membro».

Pais online


Se não está familiarizada com a internet aprenda com a ajuda aos seus filhos. Criar um endereço e-mail, procurar vídeos, músicas ou outros temas online são tarefas simples que permitem dominar as principais ferramentas e, simultaneamente, partilhar a experiência com os seus filhos, que assumem assim o papel de pequenos professores.

Peça-lhes para ver os sites que mais gostam de visitar e «procure algumas páginas que lhes podem interessar e estimule-os a fazerem o mesmo consigo», sugere Tito de Morais, enumerando ainda outras hipóteses que podem aproximá-la do seu filho neste âmbito. «Aderir aos mesmos sites, ver vídeos ou até jogar online em conjunto».

Novas tecnologias


Em resposta às preocupações com a segurança dos mais novos, surgiram softwares específicos para monitorização do computador que impedem o acesso a determinados sites, regulam a duração de uso da internet e permitem que os pais tenham acesso aos sites visitados pelo filho. Apesar de ser útil este tipo de ferramenta não deve substituir o acompanhamento parental. Isto porque não é apenas em casa que o seu filho irá usar a internet. Computadores portáteis ou até telemóveis tornam o acesso cada vez mais fácil.

«Essa é uma das realidades com a qual temos de aprender a conviver. A nível tecnológico ainda não há muitas ferramentas disponíveis, pelo que as abordagens parentais e educacionais assumem maior importância», comenta Tito de Morais. Seja qual for a sua estratégia, recorde-se que as regras devem acompanhar o crescimento dos seus filhos, para que se tornem autónomos e façam uma utilização segura e responsável da internet. Só assim estarão protegidos.



Texto: Ana Lia Pereira e Manuela Vasconcelos com Tito de Morais (fundador do projecto MiudosSegurosNa.Net)


30 de janeiro de 2015

Revista CINTURÃO NEGRO (Janeiro 2015)


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