28 de novembro de 2015

TRÁFICO DE SERES HUMANOS. ÀS VEZES O PERIGO ESTÁ NA FAMÍLIA E NOS AMIGOS.

Muitas das histórias que ouvimos falar sobre o tráfico de seres humanos estão relacionadas com os familiares e amigos. A Associação Portuguesa de Apoio às Vítimas gere um acolhimento para a proteção das vítimas destas histórias.



M. foi explorada e agredida por uma tia, F. chegou a Portugal para viver com o marido e acabou escravizada, duas mulheres que mostram que no tráfico de seres humanos o perigo pode estar próximo, através de familiares ou cônjuges.

Tanto M. como F. partilham uma história, mas também uma casa, já que as duas fazem parte do grupo de quatro mulheres que atualmente reside num centro de acolhimento para proteção de vítimas de tráfico de seres humanos, gerido pela Associação Portuguesa de Apoio às Vítimas (APAV).

A moradia tem o mesmo aspeto de qualquer outra e poderia estar numa qualquer rua de uma qualquer cidade do país. Poderia ser a habitação de uma típica família portuguesa, mas serve de abrigo a quatro mulheres e três crianças que procuram uma oportunidade para começar uma nova vida.

M. é originária de um país africano de língua oficial portuguesa e veio para Portugal, nos anos 1990, com familiares. Ainda adolescente é retirada à tia por causa de maus tratos e abusos físicos e é institucionalizada.

Anos mais tarde, a tia, que entretanto tinha ido viver para outro país, convence-a a ir ter com ela, com a promessa de um trabalho e de uma vida melhor. "Arranjou-me um trabalho onde ela trabalhava. Eu ganhava 312 libras e ela dava-me 20 libras para eu gastar", contou à Lusa.

Contou que era constantemente maltratada: a tia batia-lhe, chamava-lhe nomes, escondia-lhe a comida e dizia-lhe que ela não servia para nada. Também lhe ficou com o cartão multibanco e todo o dinheiro que tinha poupado.

Depois de cerca de meio ano nestas condições, M. ganhou coragem e pediu ajuda à polícia, tendo estado a viver quase um ano num hospital antes de regressar a Portugal e ser acolhida neste centro da APAV.

A diretora técnica explicou que M. foi vítima de exploração laboral e também de servidão doméstica às mãos de uma tia. Em Portugal não tem qualquer tipo de suporte familiar porque a família que lhe resta não pode ou não quer ajudar.

Cada caso é um caso, sublinhou Rita Bessa e o caso de M. é o de uma pessoa com mais dificuldades de autonomização, poucas competências sociais, baixa escolaridade e problemas do foro psicológico, o que justifica que esteja no centro há cerca de seis meses. "Não existe um prazo limite de tempo [de permanência]. Depende da situação, da problemática, das necessidades de cada uma porque objetivo é o recomeço de um novo projeto de vida", explicou.

As situações podem ser de acolhimento prolongado ou de emergência, podem vir através de um órgão de polícia criminal, pela Linha de Emergência Social (144), pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) ou por organizações não-governamentais (ONG).

F., por exemplo, veio de outro centro de acolhimento, onde esteve dois anos. É estrangeira e a sua história começa quando vem ter com o marido a Portugal: "Um mês depois tirou-me os documentos, o telemóvel, não me deixava sair à rua nem falar com ninguém". "Ele ficava muito mau para mim, batia, chamava nomes, fazia coisas que eu não consigo perceber", relatou, lembrando que o marido não a deixava sair de casa e que só a deixava estar no quarto.

Começou a trabalhar contra a sua vontade, a fazer limpezas em casa de uns amigos do marido. Saía de casa às 7h, sem comer, e tinha que fazer o caminho todo a pé, com o filho de sete meses ao colo, para chegar às 8h. Nunca recebeu qualquer pagamento.

Segundo a diretora técnica, a história de F., além da servidão doméstica e da exploração laboral, também tem abusos sexuais, mas disso a vítima não falou. Contou, no entanto, que foi só após quatro anos a viver com o marido que conseguiu pedir ajuda a um casal que conheceu na rua e só um ano depois é que ganhou coragem para pedir ajuda à polícia.

O medo prendia-se com o facto de não ter documentos, ter dois filhos, não falar português e não conhecer ninguém. Mas não só. "Tinha medo que pudesse ser pior. Que depois de apresentar queixa, ele me matasse. Ameaçava que se eu apresentasse queixa, tirava-me as crianças", contou.

Um trabalho de investigação do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais (IEEI), sobre o tráfico de seres humanos, revelou que em 60% dos casos as vítimas conheciam o traficante. Em declarações à agência Lusa, o coordenador científico do estudo explicou que o perfil do traficante é heterogéneo, não se insere apenas dentro do crime organizado e que há um tipo no qual se inserem pessoas que mobilizam e recrutam membros da família ou amigos.

De acordo com o investigador Miguel Santos Neves, são ações muito mais imprevisíveis, em que é explorada a relação de confiança que mantêm com as vítimas. "As relações de confiança são a base de recrutamento e as pessoas não têm noção de que o perigo está ali ao lado, estão muito menos atentas e muito mais vulneráveis", apontou, acrescentando que as pessoas estão menos preparadas ou alertas para desconfiar de uma proposta de um familiar ou amigo.

M. garante que não sente ódio da tia e revela que aquilo de que mais sente falta é de ter uma família. Em tempos quis ser estilista, hoje gostava de ir viver com uma outra tia e trabalhar com ela, que é cozinheira, mas "só deus sabe" o que o futuro lhe reserva.

F. está quase a sair do centro e a concretizar o seu maior sonho: ter uma casa. Trabalha e os dois filhos estão na escola e sente-se mais segura, mas não esqueceu nem sarou a ferida: "É muito difícil".

No passado 25 de novembro assinalou-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres.




Fonte: Expresso / APAV

25 de novembro de 2015

Revista CINTURÃO NEGRO (Outubro, 2015)


Revista internacional de Artes Marciais, Desportos de Combate e Defesa Pessoal


CINTURÃO NEGRO / Outubro 2015

 Clique na imagem para  ler online ou fazer download 





Revista Gratuita Online CINTURÃO NEGRO (Quinzenal)


20 de novembro de 2015

CONTRA O ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS

Cerca de uma em cada cinco crianças é vítima de violência ou abuso sexual. 

Ajude a impedir que a sua criança seja uma vítima. 

Ensine-lhe a regra "Aqui ninguém toca".

Para melhor esclarecimento assista ao vídeo do Conselho da Europa sobre exploração e abuso sexual de crianças.








APAV para Jovens






15 de novembro de 2015

CIRCLE WITH DISNEY: A App Que o Ajuda a Controlar a Tecnologia dos Seus Filhos


Este é um dispositivo que permite monitorizar as atividades dos filhos nos smartphones ou tablets quando conectados à rede Wi-Fi doméstica. Com o nome de Circle with Disney, o aparelho foi desenvolvido para ajudar os pais a terem mais controlo sobre o que os filhos vêem na internet. Trata-se de um pequeno cubo que, quando conectado à rede, permite aos pais escolherem quais os conteúdos que cada membro da família pode aceder, a partir de que horas e por quanto tempo.



A internet é uma ferramenta cada vez mais comum, mas muitos acreditam que ainda tem vários riscos. A pensar nos pais, Jelani Memory em colaboração com a Disney lançou o Circle With Disney, um equipamento que se liga a todos os equipamentos em casa e permite-lhe controlar a utilização de cada um.

O Circle pretende ser uma forma de equilibrar o tempo passado em família, e aquele em que estamos ligados. Para isso, conecta-se via ligação Wi-Fi a smartphones, tablets, computadores ou televisores para que, sobretudo os pais, possam balancear quanto tempo os seus filhos usam a internet.

Através de perfis criados (um para cada filho, pois cada um pode ter regras diferentes no que toca ao uso da internet), os pais podem definir o número de horas em que podem aceder à internet ou a uma app, uma hora para desligar (por exemplo, antes de ir para a cama) e até verificar qual a aplicação em que passam mais tempo.



Um controlo talvez necessário: um estudo revelado recentemente pela Kaspersky Lab e B2B Internacional demonstrou que, apesar de grande maioria dos pais se preocupar com a segurança dos filhos online, 76% não usa nenhum software de controlo parental.



Os adultos também podem definir tempos limites de ligação para os seus próprios equipamentos, ou desligar a ligação à internet com o toque de um botão em qualquer terminal. E os mais pequenos? Aprendem a regular o uso de internet consoante os limites impostos pelos pais.

Todos os controlos são feitos através de uma aplicação disponível, por agora, apenas para iOS. Em 2016, os criadores do Circle e a Disney pretendem lançar um novo serviço, que funciona também com ligações por dados móveis.


É importante realçar que o aparelho só monitoriza as atividades das pessoas que conectarem smartphones, tablets e outros dispositivos à rede Wi-Fi doméstica. Caso a criança tenha um telefone móvel, ela poderá navegar na internet por meio da rede de banda larga móvel 3G/4G (dados móveis), precisando apenas de um plano de dados ativo. Assim, os sites que visitar não passarão pelo controlo dos pais. Há no entanto outros aplicativos complementares que podem ser utilizados para um controlo parental mais eficiente.






8 de novembro de 2015

Campanha de Prevenção dos Atropelamentos

O número de atropelamento de crianças junto de escolas é assustador. Depende de todos nós alterar tal realidade!


Todas as semanas mais de 20 crianças e jovens morrem ou ficam feridos na sequência de um atropelamento, o que representa 32% da totalidade dos acidentes em ambiente rodoviário, nestas faixas etárias. A maioria destes atropelamentos acontece com crianças entre os 10 e os 14 anos (Dados ANSR, Análise APSI, 2015), em zonas residenciais e durante os percursos casa-escola. 

A campanha pretende sensibilizar todas as pessoas que conduzem para a especial vulnerabilidade das crianças enquanto peões e para a necessidade de alterarem os comportamentos que aumentam o risco de atropelamento nestas idades – como a velocidade excessiva, o estacionamento em cima de passadeiras ou passeios e a paragem em 2ª fila. 


Fonte:ANSR

25 de setembro de 2015

E QUANDO OS FILHOS SÃO OS AGRESSORES?

A violência nas famílias é maioritariamente focada nos agressores adultos e nas crianças como vítimas. E quando são os filhos os agressores? E quando são as crianças que ultrapassam todos os limites? 






Infelizmente tem-se observado um crescente aumento da violência por parte dos filhos aos seus pais, familiares, amigos, professores... As estruturas das relações nas famílias tem sofrido uma inversão de poderes e papeis, acompanhadas de várias mudanças do mundo atual relativamente às pautas e valores pelos quais os seres humanos se regem, e que transforma a forma como cada um de nós se vê a si próprio e aos outros.

A maior parte dos protagonistas deste tipo de agressões são crianças ou adolescentes do género masculino, entre os 7 e 18 anos, mas especialmente entre os 15 e os 17. Segundo os estudos, no geral, este tipo de comportamento verifica-se com mais frequência em famílias de classe media e alta, do que nas de classe mais baixa. (Cottrel, 2001)

Trata-se de uma violência que se evidencia tanto de forma física como psicológica, desde ameaças e insultos a agressões físicas de intensidade distinta. Falamos de uma violência ascendente, que tenta desafiar regras através de uma forte oposição e rejeição dos limites estabelecidos pelos pais, muitas vezes com fugas de casa, abandono dos estudos, com o intuito de magoá-los, controla-los e sobrepô-los.


Para os pais, que vão vendo este comportamento a desenvolver-se e a crescer, inicialmente vão aguentando e suportando esta situação, tentando desculpar os filhos devido à sua idade, à sua personalidade, ou até mesmo por sentirem vergonha, autopercepcionando-se fracassados como pais. Com o tempo e manutenção desta interação familiar, as agressões vão-se intensificando, chegando a um ponto insuportável, e os pais “não aguentam mais”. A sensação de impotência e vergonha torna-se crescente e também eles chegam ao ponto de passar à agressão ao filho, por não conseguirem verem outras saídas possíveis. Neste sentido, o conflito familiar torna-se caótico, e as relações giram em torno da violência, num ciclo que se retro-alimenta sucessivamente.

Por um lado encontramos crianças ou adolescentes que não aprenderam a expressar ou a regular as suas emoções e necessidades e que as “explodem” através de comportamentos agressivos, tentanto afirmar as suas vontades, presença e poder. Por outro lado, podemos ter pais que têm grande dificuldade e até medo de impor desde cedo regras, limites e disciplina e que podem ter educado os filhos no sentido do preenchimento imediato de todos os seus desejos, sem exigências e responsabilidades e com pouca disponibilidade emocional e afetiva.

Muitas vezes os filhos acabam por crescer com a ideia de que são únicos e especiais, não tendo assim consciência de regras que regulam a convivência. Os outros passam a ser meros instrumentos para a satisfação dos seus desejos e quando estes são recusados, partem para a agressão. Negam a existência de pautas de comportamento externas à deles, não aceitam outros pontos de vista e não sentem o dever de cumprir.

Por outro lado, um estilo parental oposto também poderá também influenciar pautas de comportamento agressivas, ou seja, quando os pais são extrema e excessivamente rigorosos e penalizadores, com imposição de limites e regras indiscriminados, (acompanhado de ausência de afeto e carinho) podem surgir também comportamentos de revolta e violência contra aos pais.

Nalguns casos, pode observar-se também a influência da violência aprendida, segundo o princípio que “violência gera violência”. Quando desde pequenino se aprende que os conflitos se resolvem com violência, e que esta permite prevalecer, caso se vá observando que o pai bate na mãe, ou que os pais batem em colegas ou vizinhos, então esta mesma estratégia é adotada inclusivamente contra os próprios pais, de forma a serem os filhos a controlar e a mandar em tudo. As crianças desde cedo interiorizam que a violência contra os pais é um instrumento eficaz de comunicação das suas emoções e pensamentos, bem como de controlo e superioridade. Este fenómeno de violência torna-se extremamente preocupante e requer intervenção especializada ao nível da terapia individual para filhos e pais e primordialmente ao nível da Terapia Familiar com todos.

Para prevenir este tipo de comportamentos, a coerência e o afeto serão os elementos fundamentais:

- É importante que os pais possam manter sempre os mesmos critérios desde tenra idade dos seus filhos (em que um “sim “ é um “sim” e um “não” é um “não”) havendo ainda continuidade e permanência desses critérios ao longo do tempo;

- É também importante a imaginação e a criatividade, estando com os filhos nos seus jogos e brincadeiras, partilhando desejos, que assim se convertem em desejos de “todos” e podem ser modificados (Rodríguez, 2004);

- Os pais têm ainda um papel fulcral no ensino da expressão e regulação emocional dos filhos. É com eles que as crianças aprendem a gerir e a comunicar as suas emoções e necessidades de forma sustentada;

- Também a escola tem uma posição fundamental, devendo utilizar procedimentos inclusivos desde cedo, que fomentam a resolução de conflitos entre as crianças de forma pacífica e comunicativa;
- É ainda importantíssimo que os pais possam transmitir um genuíno afeto aos filhos, de forma a que eles o sintam, de forma vital e quotidiana, quer através de um abraço, um beijo, ou um elogio pelas suas qualidades;

- Os pais poderão ser como um chapéu-de-chuva protetor da criança diante dos demais. Mas tal deve ser acompanhado com “educação para a responsabilidade”e autonomia (em que a criança se torna responsável pelos seus atos e decisões) e com “educação para a empatia”(Naouri, 2003), ensinando-os a comunicar e a colocar-se no lugar dos outros, permitindo-lhes ser indivíduos solidários e felizes com eles próprios, com as suas famílias e com a sociedade.


Vanessa Damásio


Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Familiar e Conjugal


Psinove - Inovamos a Psicologia www.psinove.com