3 de julho de 2016

Como Lidar com a Agressividade dos Outros


Quase de certeza que todos nós precisamos, ao longo da vida, interagir com pessoas complicadas e muito agressivas. As agressões surgem quando há um conflito no qual alguém sente a necessidade de proteger os seus próprios interesses ou de lutar para conquistar algo. E muitas vezes isso acontece à custa dos outros. Ou seja, é algo muito mais comum do que se pode imaginar.



Sugerimos alguns princípios  que podem ajuda-lo a fazer da sua convivência com gente agressiva algo menos traumático.

Para começar, sabe que está perante uma  pessoa agressiva quando:

● Ela o interrompe ou fala alto demais, não permitindo que você fale. Não aceita o seu ponto de vista, querendo impor-se dessa forma.

● Você sente que o outro está invadindo o seu espaço pessoal.

● A interacção com aquela pessoa, de forma geral, deixa-o tenso.

● Sente-se emocionalmente esgotado e sem energia depois de interagir com ela.

Procure aplicar os cinco princípios a seguir descritos para melhor lidar com a agressividade dos outros.


 1.Mantenha a Calma

● Combater fogo com o fogo só irá piorar as coisas, estimulando assim a agressividade do outro. Tenha em conta alguns procedimentos para manter a calma caso sinta que está a ficar mais tenso e com raiva:

● Respire fundo.

● Beba um pouco de água, mexa no telemóvel ou faça qualquer coisa que reduza a pressão que está sendo criada naquele momento.

● Pense que se irá  arrepender de todas as coisas ditas num estado de descontrolo emocional.


2.Destaque a Irritação do seu interlocutor

Não continue a conversa como se ela não o estivesse a incomodar. Procure fazer com que seu interlocutor veja que está sendo agressivo, mas usando uma afirmação de empatia, em vez de o irritar ainda mais. Evite palavras acusatórias que se refiram directamente ao outro, “você”, “o seu”, “tu” e use frases como estas:

● “Não fique stressado, nós encontraremos uma forma de resolver o assunto”.

● “Você pode falar mais baixo, por favor?”

● “Desculpe, mas posso dizer algo que acho que é importante/que pode ajudar?”

● “Compreendo que isto pode ser stressante/frustrante”.

Se  fizer isso a tempo, ajudará o seu interlocutor agressivo a tomar consciência do que está fazendo. Como resultado, pode fazer com que a pessoa escute com mais atenção aquilo que você diz.


3.Crie Empatia

Coloque-se no lugar do outro e tente entender os motivos que o levam a ter um comportamento tão agressivo. A agressão é uma reacção natural para proteger ou acalmar algo. Tente considerar os seguintes factores:

● O que tem o seu interlocutor a perder? (tempo, dinheiro, amigos e família, status social, reputação, etc.)

● Como se sentiria se estivesse naquela situação?

● Será que existo algo mais na vida dessa pessoa que a deixa tão susceptível e explosiva?


4.Seja Assertivo

Pode parecer contraditório que você deva ser tanto empático quanto assertivo, mas uma coisa não exclui a outra. Entender a postura de outra pessoa não quer dizer que deva permitir que ela seja agressiva.

 ● Controle a sua voz e mantenha-se calmo. Isso irá mostrar a sua confiança e não instigará o seu interlocutor a falar num tom ainda mais forte.

● Defenda a sua posição e não permita que a outra pessoa monopolize a discussão. Expresse a sua opinião.

● Seja respeitoso e peça respeito em troca.

● No caso de o nível de agressão começar a aumentar, responda com mais força e assertividade, para mostrar que sua tolerância está a diminuir.


5.Mantenha o Foco

Se se deixar levar pelas emoções, o assunto em questão acabará por se perder e você pode até acabar por se esquecer de como a discussão começou. Mantenha o foco da conversa em coisas e dados importantes. Assim, irá ajudar o outro a ser razoável. Por exemplo:

● “A única coisa que importa é que...”

● “Daqui a algum tempo, você irá lembrar-se desta situação e rir-se dela”.

● Se conseguir fazer rir o seu interlocutor, isso irá com certeza acalma-lo e ajudará a alterar a sua postura.





2 de julho de 2016

DICA A ADOTAR QUANDO LEVAR OS FILHOS PARA O MEIO DE MULTIDÕES

Seja em parques temáticos, festivais, jardins zoológicos ou na praia, siga esta dica que lhe pode poupar a aflição de estar horas sem saber do seu filho.


O conselho é do Departamento da Polícia de Clovis, na Califórnia, Estados Unidos, mas pode ser-lhe bastante útil.

"Escreva o seu número de telefone no pulso [da sua criança] e passe umas pinceladas de penso rápido líquido" por cima da inscrição para a fixar, recomendam as autoridades locais de Clovis.




O alerta foi feito originalmente através do Facebook - em Setembro do ano passado - e está a ser difundido por milhares de pais e organizações depois da polícia local ter voltado a partilhar o conselho nesta rede social.

O aviso adverte ainda os pais para tirarem uma fotografia aos filhos no dia do evento para que registem visualmente as roupas, corte de cabelo e outros pormenores da criança naquele dia.


10 CONSELHOS PARA IR DE FÉRIAS COM CRIANÇAS (EM SEGURANÇA)


É nos momentos mais inesperados que os acidentes acontecem. Repare sempre nos pormenores, porque fazem a diferença. Certifique-se de que as suas férias são em segurança, seguindo estes conselhos.



1. Não use roupas nem objectos com os nomes das crianças - Isso pode facilitar a vida às pessoas mal-intencionadas. Abordagens como "O teu pai disse para vires comigo, Joana" podem causar confusão na criança e levá-la a cair nas mãos de um predador.

2. Ensine-os a reagir em situações de perigo - Aproveite, por exemplo, a viagem de carro para o seu local de férias para treinar o seu filho para situações de perigo. Ensine a sua criança a não dar informações pessoais a estranhos.

3. Coloque gradeamentos ou vedações à volta da piscina ou lagos - A criança não esbraceja nem grita quando cai à água: afoga-se em silêncio. Não facilite e coloque protecções em portas ou crie barreiras para impossibilitar o acesso a locais onde as crianças se podem afogar. As tragédias acontecem em pouco tempo.

4. Esteja atento a quem está à volta da criança - Os predadores sexuais não são fáceis de identificar. Esteja atento a todos os sinais. Ensine a sua criança a não aceitar qualquer tipo de oferendas, sejam bolos, rebuçados ou brinquedos. Mantenha o contacto visual com os seus filhos/crianças e não os deixe ao cuidado de outras crianças ou de adultos que desconhece.

5. Não facilite nos pequenos trajectos - É nestas ocasiões, que supostamente envolveriam menos preocupação, que uma porta de um carro mal fechada pode provocar um acidente grave. Leve as férias com calma e garanta que está tudo preparado, mesmo para deslocações curtas.

6. Mantenha-se sempre atento na piscina, praia ou rio - Dois segundos é o tempo suficiente para perder de vista uma criança dentro de água. Estipule períodos para ir ao banho com os mais novos, sem descurar das crianças que não querem ir ao mar. Faça uma boa gestão desses períodos, para que todos se divirtam em tranquilidade.

7. Vigie e certifique-se dos aparelhos nos quais o seu filho brinca - Saiba se se destinam à sua idade, se estão licenciados e certificados e se o local apresenta todas as regras de segurança. Não facilite. Não deixe a criança usar fios, colares ou outros acessórios que possam ficar presos nos equipamentos e provocar asfixia.

8. Use cinto de segurança e cadeiras apropriadas - Faça as viagens em segurança máxima com material certificado. Se não tiver sistemas de retenção apropriados para transportar crianças, não o faça (mesmo em distâncias curtas). Utilize os sistemas de retenção obrigatórios e homologados, de acordo com o peso, idade e tamanho da criança. Só assim serão eficazes e confortáveis. Leve água e spray facial para refrescar as crianças e o resto da família durante a viagem.

9. Leve uma caixa de primeiros socorros consigo - Medicamentos para a febre e dores devem acompanhá-lo sempre. Não deixe que o seu filho passe várias horas com febre e dores. Não se esqueça de incluir desinfectante, pensos e gaze no seu kit de emergência.

10. Coloque alarmes em casa e avise as autoridades da sua ausência - São actos menos simples mas que poderão fazer a diferença. As autoridades locais possuem sistemas próprios para registar o seu período de ausência e reforçar a vigilância da sua área de residência.




Fonte:  SapoLifeStyle  


Ver também:




Como proceder se lhe roubarem a carteira, em Portugal ou no estrangeiro

A perda dos seus documentos ou, até mesmo, um assalto podem deixa-lo nervoso e sem saber o que fazer, no seu país ou no estrangeiro, enquanto se encontra de férias. Saiba como deve agir nestes casos, mantendo sempre a calma.



13 de maio de 2016

BULLYING NO EMPREGO, UMA HORRÍVEL TENDÊNCIA EM CRESCIMENTO

Se sempre manteve boas relações com os seus colegas, mas agora apercebe-se de comentários ou críticas que procuram denegrir e ridicularizar a sua competência, ou toma consciência de mexericos e insinuações que se propagam nas suas costas, então poderá estar a ser vítima de bullying no emprego.



O bullying no emprego, também conhecido por mobbing ou assédio moral, é um fenómeno social em que colegas de trabalho desencadeiam uma campanha de terror psicológico tendo geralmente como alvo alguém que é "diferente" das normas da organização.

Mas, será que hoje este problema ainda afecta uma franja significativa da população? De fato, fui alertada para este fenómeno porque constatei que chegavam ao meu consultório, cada vez com maior frequência, pacientes com problemas psicológicos motivados por bullying no trabalho. Evidenciavam dificuldades psicológicas e transtornos psicossociais muito sérios, tais como depressão, ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo e stress ocupacional.

Este aumento crescente de pacientes com este tipo de problemas levou-me a pesquisar por informação recente sobre este fenómeno. Os últimos dados estatísticos disponíveis vieram confirmar aquilo que já tinha observado na minha prática diária de psicologia clínica: existir uma tendência horrível de crescimento de Bullying no trabalho.


Testemunho de uma paciente

Quando falamos de uma situação de bullying no emprego, referimo-nos a um processo que começa por pequenos gestos que, quando repetidos e acumulados, acabam por funcionar como uma espécie de terrorismo psicológico. Colocar alguém à parte a desempenhar tarefas mínimas ou numa sala sem nada para fazer é geralmente a gota de água desse processo. Estas atitudes tornam-se mais evidentes quando passam a ser directas, tais como insultos verbais, gestos inapropriados ou agressões físicas.

Apresento-lhe a seguir o relato de uma paciente que foi vítima de bullying no emprego. Muito provavelmente, poderá identificar aqui alguns traços comuns com alguma história que já conhece de um colega ou amigo que também já foi vítima do mesmo problema.

"Tudo começou quando decidi fazer uma pós-graduação. Era o passo certo para adquirir uma especialização e progredir na carreira. Sempre mantive relações cordiais com os colegas. Só que comecei a aperceber-me da cumplicidade existente entre um pequeno grupo dentro da equipa que começou a criar um clima de desconfiança e insegurança. Era como se o meu intuito de progredir na carreira os atacasse, o que gerou nesse grupo um sentimento de insegurança. O meu próprio chefe começou a atribuir-me piores condições de trabalho e reduziu o meu horário de trabalho. Inclusive tentou despedir-me."


Os transtornos psicossociais e dificuldades psicológicas motivadas pelo Bullying no emprego

A vítima de bullying no emprego sente-se insegura e esta situação retira-lhe a dignidade e identidade, bem como provoca danos na sua saúde física e mental. A diminuição da realização pessoal e profissional culmina com a disposição do trabalhador em exercer uma auto-avaliação negativa relativamente ao seu trabalho, sentindo-se infeliz consigo mesmo e insatisfeito quanto ao seu desenvolvimento profissional. Esta situação de enorme pressão psicológica incapacita-o para enfrentar as exigências do seu trabalho, gerando assim desconforto, mal-estar e sofrimento, bem como acaba por desenvolver alterações físicas e emocionais.

Os efeitos psicológicos identificados como ligados ao bullying no emprego incluem perda de objectivo, sensação de inutilidade, apatia, passividade, vergonha, resignação, desespero, depressão e auto-estima negativa. Incluem-se ainda reacções como a agressividade, irritação excessiva, cansaço constante, neurastenia, fadiga excessiva, dores musculares, alterações cardíacas, aumento da pressão arterial e dores de cabeça.

Agora que sabe o que é o bullying no emprego e quais são os efeitos que pode provocar na sua saúde mental e bem-estar, e se pensa que está a ser vítima deste problema, procure ajuda. Um psicólogo clínico poderá ajudá-lo a enfrentar a situação. Pense que o seu estado emocional actual é temporário e que a recuperação é possível, independentemente de todas as perdas já sentidas. Através de um processo de psicoterapia poderá recuperar novamente a sua identidade e dignidade, e irá ajudá-lo a promover os seus recursos emocionais e cognitivos.


Psicóloga e Psicoterapeuta


Procure aumentar a sua auto-estima, fazer uma formação em técnicas de autodefesa ajuda-o a descobrir novas potencialidades e o poder que tem dentro de si.





1 de maio de 2016

Revista CINTURÃO NEGRO (Maio - Abril, 2016)

Revista internacional de Artes Marciais, Desportos de Combate e Defesa Pessoal


CINTURÃO NEGRO - Edição Quinzenal 

 Clique na imagem para  ler online ou fazer download

Maio 2016

Parte 1 - Nº311

Parte 2 - Nº312


Abril 2016

 Parte 1 - Nº309

Parte 2 - Nº310


Revista Gratuita Online CINTURÃO NEGRO (Quinzenal)



24 de abril de 2016

O TREINO “REAL” EM DEFESA PESSOAL

Na realidade, nunca se poderá desconsiderar a importância do treino. Através dele, você está a aproximar-se o mais possível da situação que quer evitar – um confronto físico. Parece um contra-senso: você expõe-se precisamente à situação que quer evitar... Mas, na realidade, trata-se de uma "vacina" – através dessa exposição, obtêm-se "anticorpos", na forma de uma dessensibilização ao stress e medo inerentes, e uma acumulação de conhecimentos e reflexos cuja aplicação prática será extremamente útil.



Assim, quando você realmente se vir nas situações reais para que treinou, a sua reacção será muito mais estruturada e organizada; de facto, um dos mecanismos psicológicos humanos é o que nos faz reagir de forma adequada apenas ao que conhecemos e experimentámos (chamasse acumulação de experiências), de contrário podemos fazê-lo de forma ineficaz, ou até "congelar", isto é, imobilizarmo-nos e não fazer nada, como um animal no meio da estrada, sob a luz dos faróis de um carro. E todos sabemos o que lhe acontece depois...

É muito conveniente possuir experiência de ser assaltado (!!!). É por isso que convém treinar realisticamente. Claro que, para isso, não vamos expor-nos ao acontecimento real, mas sim adoptar um treino que nos coloque o mais possível em situações tão próximas quanto se consiga do acontecimento real.

Todos conhecemos aqueles "cursos" em que os praticantes treinam ataques e defesas estilizadas, sempre os mesmos, até ficar muito hábeis em executá-los. Um treino deste tipo é perigoso, por diversas razões. Em primeiro lugar, porque nos dá uma falsa confiança: se passamos meses ou anos a treinar, e se conseguimos executar o que o professor quer de nós, é lógico supor que estamos preparados para nos "defender". Em segundo, porque nos inculca um comportamento mecânico que, como não corresponde ao que vamos encontrar na rua, nos coloca em perigo.

A prova disso é que, quando estamos a "treinar" uma técnica de, por exemplo, defesa contra um soco da direita e inesperadamente atacamos o adversário com uma esquerda ou um pontapé, ele fica todo baralhado (e até somos por vezes recriminados por ele ou pelo "mestre" por estarmos a “fazer batota” ou a "não dar a devida atenção ao treino"!!!). Na rua não há o conceito de batota – o adversário fará de certeza TUDO para vencer. Sem regras.

Na realidade, procederemos como treinamos. Tudo o que fazemos repetidamente durante o treino nos condiciona, até o executarmos sem pensar. E é aqui que surge o problema: se o treino é real e sensato, isso é bom; se não, isso é muito, muito mau. Se treinamos com um professor que acha que o melhor do mundo é o karaté (ou o judo, ou o aikidô ou o kung-fu, ou etc., etc), com exclusão de tudo o mais, ou que é partidário de treinar contra situações predeterminadas, mais tarde ou mais cedo vamos ter problemas.

Não me interpretem mal – tudo depende do nosso objectivo. Qualquer destas artes marciais não é má só por si; de facto, qualquer delas constitui um importante instrumento de condicionamento físico, bem-estar físico e mental e sã convivência e divertimento. Mas, como são praticadas numa óptica desportiva (altamente codificadas, com regras de etiqueta, comportamento e segurança), é isso que fica gravado na nossa memória muscular. E ninguém quer fazer vénias a um assaltante que nos ataca com os punhos ou uma navalha, ou hesitar em bater porque está habituado a controlar os seus golpes (para não magoar o parceiro) ou tentar golpear pontos pouco sensíveis (porque os pontos vitais são proibidos em competição), pois não?

Talvez até mais do que o corpo, devemos treinar a mente para reagir de modo adequado, senão estaremos a fazer o mesmo que outros métodos: aprendendo técnicas para situações específicas, em vez de aprender princípios que podem ser aplicados a qualquer situação.

O primeiro passo para obter o que se quer é fazer a pergunta: o que é que eu quero? Mesmo antes de considerar os princípios ou valides dum sistema de autodefesa devemos primeiro responder a esta questão. Qual é o objectivo que eu desejo ao adoptar este treino? É desta resposta que depende todo o nosso futuro nesta área, e até o preço que estamos dispostos a pagar por isso.

E a resposta deve ser: Eu treino defesa pessoal porque desejo aprender a lidar com ataques físicos potencialmente letais provenientes de uma ou mais pessoas, com o fim de preservar a minha integridade física e psicológica (e a de outros que eventualmente me rodeiem).

Se o que quer é competir dentro das artes marciais, achará certamente muitas artes e desportos de combate que lhe proporcionarão uma excelente instrução e apaixonantes competições. Aí poderá, com segurança, comparar a sua habilidade com a de outros competidores, dentro de regras acordadas internacionalmente e sob a vigilância de juízes e árbitros.

Mas compreenda: as técnicas de defesa pessoal não lhe darão nada disto! Igualmente, as artes marciais desportivas não lhe darão obrigatoriamente segurança na rua. Claro que pode pensar: Mas será que não posso treinar para competição desportiva e também para me defender? Infelizmente, a resposta é NÃO!!! A razão para isto é que... você actua como treina – SEMPRE!!!

Se você treina num dojo, com regras que lhe dizem uma e outra vez que não deve empregar mais do que essa força nas técnicas, para manter a segurança perante o parceiro, e que não pode sequer tentar atingir a sua cabeça, face ou genitais, esteja certo de que, quando o quiser fazer, o automatismo adquirido durante o treino irá restringir – e muito – a sua forma de combater, e você irá reagir a um ataque real, desencadeado por um criminoso, do modo como o faz no ginásio, restringido pelas regras. E, na rua, isso será fatal. Porque, bem vê, o agressor não se comportará do mesmo modo: Essas regras só se aplicam a si, porque treinou desse modo. O seu assaltante não terá restrição alguma!!!

Exemplos? Há uns anos, nos EUA, foi aberto um inquérito (como é habitual) no prosseguimento da morte de dois polícias num tiroteio. Durante esta investigação foram revelados factos muito perturbantes.

A carreira de tiro onde estes dois agentes faziam há anos a sua prática de tiro ao alvo era comandada por um oficial altamente competente e muito exigente com os procedimentos e limpeza das suas instalações. Por isso, e durante o tiro, os praticantes eram obrigados a, ao abrir o tambor dos revólveres para retirar os cartuchos vazios e recarregar, despejá-los na mão e guardá-los no bolso.

O problema é que, numa situação real, os polícias devem vazar os cartuchos no chão enquanto recarregam as armas, não se importando minimamente onde eles caiem. É mais rápido. Claro (dirão vocês) que numa situação real estes dois profissionais altamente treinados ultrapassariam este condicionamento e actuariam de modo adequado?!

ERRADO!!! Ambos os mortos tinham nas mãos e nos bolsos cartuchos vazios, exactamente como lhes tinha sido gravado nas mentes durante o treino!!! Mesmo enfrentando uma situação real, onde esses segundos extras talvez tivessem significado a diferença entre a vida e a morte, não se conseguiram subtrair ao condicionamento sofrido.

É por isto que você deve ser extremamente cuidadoso no modo como treina fisicamente para autodefesa. Há um processo de codificação que é “instalado” quando se treina, e é esse processo que ultrapassa tudo, ultimamente determinando as suas reacções sob stress. Quando a adrenalina inunda o seu organismo e você praticamente deixa de pensar (ou pelo menos deixa de pensar normalmente, como o faz quando calmo), é este condicionamento que prevalece.

Por isso, tenha cuidado: assegure-se de que está a treinar para as situações que lhe poderão aparecer na rua, não no ginásio!!! Pela sua saudinha.

Quanto mais complicada for a situação mais simples deverá ser a técnica empregue, pois nessas condições o seu cérebro só se lembrará das coisas mais básicas e primitivas, não das mais sofisticadas.

Na China, vi uma equipa de kung fu Wu shu (os célebres Monges de Shaolin) treinar o seu espectáculo. Para os que não sabem, Wu shu é uma arte marcial chinesa que é apresentada em público, num espectáculo coreografado tão intrincada e minuciosamente como o Lago dos Cisnes no Bolshoi! As lutas são muito elaboradas e dá muito trabalho e prática montar um espectáculo convincente.

Tínhamos sido autorizados pelo Instrutor Chefe (ausente) a assistir ao treino, éramos ocidentais e os monges (todos adolescentes entre os 13 e os vinte e poucos anos) estavam excitados e propensos ao “show–off”. Putos são putos em todos os países do mundo, não é? E então observei uma coisa interessante: de todas as vezes que alguém queria brincar, tudo o que tinha a fazer era executar um movimento diferente do habitual, ou fora do seu lugar. Literalmente, você estava a ver uma cena que juraria ser uma luta mortal entre dois combatentes superiores; os movimentos evoluíam, rápidos, fluentes, perigosos; de repente um dos rapazes fazia algo fora do contexto, como dar uma leve bofetada no outro, ou puxar-lhe o nariz, como nos Três Estarolas. E acabava tudo a rir, fazendo um intervalo.

Só muito mais tarde, depois de meses de treino, compreendi que este era exactamente o processo pelo qual a maior parte das artes marciais e desportos de combate são ensinados, em especial quando o "ensino" é supostamente de defesa pessoal: basicamente há alguns padrões que você memoriza para responder a vários ataques coreografados. Memorize estas respostas a ataques previstos e até poderá parecer bom. Mas o que vai acontecer quando alguém variar o ataque? A maior parte dos estudantes congela ou atrapalha-se. Porquê? Porque nunca lhes ensinaram realmente a lutar.

Basicamente o que eles aprenderam foi a "dançar" e, enquanto tudo seguir a sua "rotina", até pode resultar. Mas todos sabemos que as coisas nunca se passam tal e qual as planeamos.

A luta não deve ser diferente, quer estejamos num ginásio ou na rua, num combate mortal com os nossos atacantes. A única diferença é que no ginásio você não mutila ou mata o seu adversário, se bem que os movimentos sejam os mesmos (apenas a um ritmo aceitável para o parceiro). Se, pelo contrário, estamos a operar de modo a memorizar uma dada resposta a um ataque, isso é apenas um movimento de dança, até um treino de coordenação, mas não uma luta!

Quando não conhecemos esta diferença podemos facilmente cair na síndrome do "agora-é-que-é-a-sério": é quando você treina com uma atitude mental de brincadeira e fronteiras (não faço isso porque também não é preciso exagerar...) e, ao enfrentar um ataque real iminente hesita, pois o seu cérebro não consegue aceitar o facto de que "agora aquilo é a sério" – não está habituado a treinar assim! Como contraste temos o bem treinado lutador que encara todo o processo como luta e procede: 1º - escolher os alvos; 2º - atingi-los. A única diferença para ele é que, no primeiro caso (o treino) não pode usar toda a sua força, no segundo pode. Isto acontece porque este lutador nunca se vê como "treinando" – está sempre a lutar. Se compreendermos e praticarmos este conceito estaremos sempre melhor preparados para as exigências de uma situação de confronto.