Há
etapas comportamentais comuns nos homens que matam as companheiras – e isso
pode ajudar a polícia a prevenir mais mortes, avança investigadora britânica. "Só contabilizando o ano de 2017, o número de mulheres mortas por antigos e atuais parceiros é qualquer coisa como 30 mil"
Os
dados são da especialista em criminologia Jane Monckton Smith, que encontrou um
padrão de oito etapas em 372 mortes por violência doméstica ocorridas nos
últimos anos no Reino Unido. Professora universitária, em Gloucester, Monckton
Smith está agora esperançosa que, ao conhecerem-se alguns dos comportamentos
comuns, seja possível identificar melhor o risco de alguém ser morto pelo
companheiro. E isso é tanto mais importante quando sabemos que, a nível mundial,
e só contabilizando o ano de 2017, o número de mulheres mortas por antigos e
atuais parceiros é qualquer coisa como 30 mil – os dados são da BBC.
Para
conduzir o seu estudo, a investigadora analisou os casos elencados no site
Counting Dead Women, o equivalente local ao nosso Observatório das MulheresAssassinadas, da UMAR, em que a mulher assassinada mantinha qualquer tipo de
relacionamento com o agressor.
Eis,
então, as etapas comuns nos casos que acabaram em morte: história anterior de
perseguição ou abuso por parte do perpetrador; a rapidez com que o romance se
torna um relacionamento sério; o domínio através do controlo coercivo.
Tornou-se ainda claro que o fim do relacionamento em que havia abuso ou o
agressor sentir dificuldades financeiras incrementa o risco. O aumento da
intensidade e da frequência das agressões e das táticas de controlo - como é a
ameaça de suicídio - criando sentimentos de culpa na vítima devem também ser
sinais de alarme.
Os
passos seguintes são, em boa parte dos casos analisados, a mudança de
estratégia do agressor que, movido pela vingança, arranja armas e passa a
procurar oportunidades em que possa encontrar a vítima sozinha. Até que passa
ao ato, muitas vezes envolvendo outros familiares próximos, como os pais ou
filhos da companheira.
“Contamos
demasiadas vezes a versão do caso de amor que, num determinado momento passa o
limite – e isso simplesmente não é verdade”, insiste Monckton Smith. “Ao
olharmos para todos estes casos, o que encontramos é planeamento e controlo coercivo.”
A
história de Alice Ruggles, que recentemente emocionou o Reino Unido, mostra bem
como decorre esta escalada. Assassinada pelo ex-namorado em 2016, aos 24 anos,
Alice apresentou queixa inicialmente por perseguição. Tinham-se conhecido um
ano antes, no Facebook, e a ligação continuou, apesar do namorado, o soldado
Trimaan Dhillon, 26 anos, estar em serviço no Afeganistão. Até que o agressor
invadiu o apartamento da vítima, próximo de Newcastle. Trimaan ainda alegou que
Alice caiu sobre a faca que ele tinha na mão, durante a discussão. Acabou
condenado a 22 anos de prisão. O juiz não hesitou em declarar que fora um ato
de barbaridade pura.
“Tudo
poderia ter sido diferente se a polícia já conhecesse o modelo-padrão e a
escalada comum à maioria dos casos com este desfecho”, comentou já o pai de
Alice, Clive Ruggles. “Havia uma história de perseguição e de controlo. Os
sinais de alerta estavam todos lá.”
A
análise retrospetiva da situação – como acontece cá, desde 2016, nos casos já
transitados em julgado – concluiu que as autoridades do exército não
valorizaram uma acusação anterior de violência doméstica, contra Dhillon,
registada em Kent. “A informação não foi comunicada à polícia. Alice não fazia
ideia. Nenhum de nós fazia ideia...”, lamenta ainda o pai da jovem assassinada,
a assumir que nunca imaginara tal risco quando a filha começou a ser
perseguida.
A
apresentar o seu modelo a advogados, psicólogos e forças políciais, Monckton
Smith espera ainda que o facto de o seu estudo ter sido publicado no ViolenceAgainst Women Journal ajude a uma divulgação mais ampla.
“Assim”,
remata a especialista, “tanto vítimas como os profissionais de ajuda serão
capazes de dizer: “o meu relacionamento está na terceira etapa” ou “este caso
está no quinto passo” - e adotar uma estratégia que permita evitar o desfecho
comum à grande maioria de todos estes casos.
Em
tempo de férias é normal que a afluência aos pontos de Multibanco seja maior!
Aproveitando tal cenário, os burlões têm os mais diversos esquemas para
conseguir obter “dinheiro fácil”. Um dos esquemas que continua a ser muito
popular em Portugal é a clonagem de cartões usando para isso skimmers.
Se
for a um Multibanco, esteja atento à existência de skimmers. A
técnica é aparentemente simples e eficaz! Na ranhura onde se colocam os cartões
de crédito e débito, os burlões colocam um dispositivo capaz de ler as bandas
magnéticas (skimmers) e que tem também incluída uma minicâmara para registar o
código PIN introduzido.
Toda
a operação, por parte dos burlões, é controlada à distância uma vez que o
dispositivo comunica normalmente por Bluetooth ou Wi-Fi.
App Card
Skimmer Locator – deteta skimmers?
Chama-se
Card Skimmer Locator e, segundo o autor, consegue detetar skimmers nas
redondezas. Apesar de não ser 100% eficaz, esta app faz um varrimento ao nível
do Bluetooth, em busca de dispositivos BLE (Bluetooth Low Energy).
Mais
eficaz que a app é sempre a inspeção de quem usa o Multibanco. Antes de
introduzir o cartão, verifique que a ranhura faz mesmo parte do Multibanco e se
não é um equipamento removível.
No
caso de detetar um skimmer no Multibanco, contacte de imediato as entidades
Policiais. Poderá também informar de imedaito a SIBS. De acordo com o Código
Penal, a contrafação de moeda (que equivale à fraude do cartão clonado) é um
crime punível por lei através do artigo 262º, nº 1.
Desconfie sempre de promessas de
empréstimos fáceis e rápidos, de depósitos com juros muito superiores à média
de mercado ou de propostas para angariar novos clientes em troca de mais
dinheiro. Vamos partilhar consigo algumas dicas para se proteger de burlas e
fraudes e assim manter o seu dinheiro em segurança.
Pedir
um crédito, fazer uma transferência internacional de dinheiro ou usar qualquer
tipo de serviço financeiro exige alguns cuidados.
Se
foi vítima de algum crime ou tentativa de crime por parte de uma destas
entidades, denuncie ao Banco de Portugal por telefone (213 130 000), e-mail
(info@bportugal.pt) ou pelo preenchimento do formulário online ou
presencialmente. Apresente também queixa às autoridades (por exemplo, à PSP, à
GNR, à Polícia Judiciária ou ao Ministério Público). À entidade supervisora
cabe comunicar a existência de indícios de crime (burla, usura ou outro) à
Procuradoria-Geral da República. Mesmo que não tenha sido vítima de crime, se
tomou conhecimento de que uma determinada entidade se dedica às atividades
financeiras ilegais, não deixe de reportar essa situação ao Banco de Portugal.
● não
responda a e-mails, cartas ou mensagens com propostas de ajuda financeira que
lhe ofereçam dúvidas, quer pelo conteúdo, quer pelo remetente;
● peça
sempre todas as informações que considerar necessárias antes de realizar
qualquer operação financeira;
● confirme
se todos os procedimentos de segurança estão salvaguardados. Em caso de dúvida,
não disponibilize os seus dados pessoais e bancários, especialmente se a
operação financeira for online. Na dúvida, não prossiga com a operação.
As 5 burlas financeiras mais comuns em Portugal
1) Cuidado com os “falsos amigos” no
Facebook − Com
certeza que, ao navegar pelo seu Facebook, já encontrou mensagens colocadas em
caixas de comentários alheias a “oferecer” crédito em condições aparentemente
muito vantajosas. Ou, se calhar, já recebeu mensagens no “chat” de “anónimos” a
oferecer-lhe este tipo de serviços.
Pode
parecer puro bom senso não responder a estes “cantos de sereia” nas redes sociais,
mas a verdade é que o desespero por vezes leva a melhor. Tenha, contudo, em
atenção que pode sair da situação pior do que quando entrou. Isto porque,
muitas vezes, depois de cair na trama são-lhes pedidos valores para tratar de
custos burocráticos e taxas. Tudo começa com valores pequenos para não
“assustar” o burlado. Depois, vão pedindo mais e mais, à espera que as pessoas
enviem mais dinheiro.
2) Anúncios em jornais não asseguram
credibilidade − Os
burlões preocupados em fazer passar alguma “aura” de credibilidade às suas
manobras muitas vezes utilizam anúncios de jornais. Há esquemas que usam os
classificados dos jornais para oferecer crédito e a mensagem deixada procura
atrair explicitamente pessoas com problemas bancários, uma vez que são aquelas que
menos conseguem crédito pelas vias tradicionais.
Depois,
o método funciona de maneira semelhante ao esquema que já descrevemos via
Facebook. O suposto financiador pede um determinado montante para honorários,
taxas e burocracias e depois desaparece.
3) É preciso muita prudência com
empréstimos entre particulares −Os
empréstimos entre particulares (por exemplo, entre familiares) são uma prática
antiga e até reconhecida legalmente. Como tal, estão oficialmente sujeitos a
regras. Por exemplo, para valores entre 2.500 euros e 25 mil euros é preciso
uma assinatura de um contrato preferencialmente com as assinaturas reconhecidas
por um notário. Para valores superiores a este valor fica necessário um
documento oficial reconhecido por um solicitador ou, em alternativa, uma
escritura pública.
Recomenda-se,
no entanto, que se recorra ao reconhecimento das assinaturas mesmo em valores
menores, já que tal pode ser útil em termos de incumprimento. Nestes contratos
as taxas de juro não podem ultrapassar determinadas percentagens.
Contudo,
há sempre quem recorra a empréstimos “por debaixo da mesa” uma vez que é feito
por vizinhos, amigos ou familiares. Mas tal pode levar a histórias com finais
infelizes, como prestações mensais a níveis agiotas, cobranças violentas ou desentendimentos
familiares.
4) O esquema da pirâmide nunca passa de
moda − Aqueles
que têm 40 anos ou mais lembrar-se-ão do famigerado caso da Dona Branca. O
esquema funcionava nos moldes do conhecido “Esquema de Ponzi”: aqui cada qual
ganha dinheiro se trouxer novos “participantes” para a roda, sendo que os novos
participantes têm que pagar um determinado montante. Se a pessoa que trouxe,
conseguir trazer novos participantes ganha uma pequena percentagem desse valor
e assim sucessivamente.
Além
de ser considerado ilegal, este esquema pode fazê-lo perder muito dinheiro.
Isto porque, no início, normalmente entra-se com um valor elevado que vai sendo
“amortizado” à medida que se trazem participantes novos. O problema é quando o
esquema rebenta: deixa de conseguir trazer novos participantes e vê que não
consegue recuperar o investimento inicial.
5) Escolha bem os e-mails a abrir − De
vez em quando, todos recebemos e-mails com ofertas e promoções a preços que
parecem demasiado bons para ser verdade. E o problema é que são mesmo: tão bons
que é provável que se trate de um esquema fraudulento.
Outra
questão é que estes esquemas podem ser bastante mais complexos do que parece à
primeira vista. É preciso ter cuidado para não cair no chamado phishing. Tal
consiste em enviar e-mails em massa com software malicioso (cavalos de Tróia)
com o intuito de roubar dados pessoais que estão armazenados pelo utilizador do
e-mail (passwords e afins). E para complicar a situação, muitas vezes estes
emails fazem-se passar por instituições de crédito respeitáveis a oferecer
produtos atrativos. O melhor é desconfiar e não abrir o e-mail.
A
melhor forma para se afastar das más práticas que existem por aí é mesmo
manter-se informado. Ler conselhos financeiros não é perda de tempo para quem
quer organizar as suas contas, de forma a não contrair dívidas que não pode
pagar. Importante é também comparar créditos em instituições credíveis, de modo
a encontrar a opção que mais se coaduna com a sua situação.
É muito importante que os pais abordem este
tema com os seus filhos. Mas, antes disso, é essencial compreender o que é, não
desvalorizando quando a criança verbaliza mal-estar na relação com os outros.
O
bullying é um comportamento caracterizado por agressões com intenção, verbais
ou físicas, e com caráter repetitivo. Pode ser uma ameaça, intimidação,
humilhação ou maus-tratos, com desequilíbrio evidente de poder (através da
força física ou do conhecimento de alguma vulnerabilidade, informação ou
característica física ou psicológica do outro) e que pode ocorrer em qualquer
contexto social (nas escolas, universidades, famílias ou locais de trabalho).
Pode, também, incluir espalhar boatos, gozar, provocar e excluir alguém do
grupo propositadamente.
É
muito importante que os pais abordem este tema com os seus filhos. Mas, antes
disso, é essencial compreender o que é, não desvalorizando quando a criança
verbaliza mal-estar na relação com os outros.
Os
pais podem falar com os filhos sobre o bullying para que estes compreendam mais
facilmente o que é aceitável numa relação com os pares e aquilo que é
inadmissível. Esta partilha pode garantir a possibilidade da procura de ajuda
de modo mais eficaz.
Nas
crianças, ser vítima de bullying influencia intensamente o desenvolvimento
emocional. A curto prazo são manifestações frequentes: o sentimento de isolamento,
o decréscimo do rendimento escolar, a dificuldade de integração ou a rejeição
escolar, a tristeza acentuada e a irritabilidade. Medo, ansiedade, dificuldade
na concentração e atenção na sala de aula, alterações de humor, dores físicas
frequentes (dores de cabeça e barriga), choro fácil e pesadelos podem ser
alguns dos sinais a que deve estar atento. No entanto, estas manifestações nem
sempre significam situações de bullying.
COMO COMPREENDER SE A CRIANÇA É ALVO DE
BULLYING?
Discussões
e conflitos episódicos não traduzem uma situação de bullying. O autor deste
tipo de atos tem a intenção de ferir, repetir e ter espetadores. Se o alvo
supera a intenção deste comportamento, reagindo ou ignorando (outra forma de reação),
desmotiva o agressor.
O
alvo é, habitualmente, a criança com baixa autoestima e tendencialmente
retraída, traduzindo alguém com maior dificuldade em reagir. Esta criança terá
menos competências para procurar apoio e, assim, colocar fim à violência
exercida sobre ela.
A
criança que exerce bullying sobre o seu colega é, muitas vezes, uma criança que
não aprendeu a lidar com emoções como a raiva através do diálogo. Para ela não
existe empatia sendo que a manifestação do sofrimento do colega não é
suficiente para parar a agressão e, muitas vezes, é sentida satisfação com o
acontecimento.
O espetador,
que testemunha a ocorrência e não evita a continuidade da agressão, pode
fazê-lo por receio de ser igualmente vítima de ataques ou por dificuldade na
tomada de decisão e, assim, não tomar iniciativa de interrupção.
O
diálogo é a ferramenta mais eficaz para percecionar sinais de que algo pode
estar a perturbar o seu filho, como ser vítima de bullying. Deve sempre
encorajá-lo a falar e ensinar-lhe algumas estratégias para que se mantenha
seguro e tranquilo. Eis algumas delas:
● Saliente
que está disponível para escutar as dificuldades do seu filho na escola;
● Incentive-o
a ignorar o agressor e a contar a um adulto responsável da escola o sucedido;
● Reforce a importância de evitar os confrontos pessoais com o agressor;
● Ensine-o
a procurar estar acompanhado por outras crianças, tentando não estar sozinho.
Se
sentir que, apesar das tentativas para ajudar o seu filho, este continua a ter
dificuldade em lidar com a situação, é fundamental na maior brevidade possível,
encontrar apoio especializado para reforçar a autoestima e autoconfiança da
criança, permitindo-lhe encontrar estratégias para ultrapassar o bullying. Uma dessas estratégias pode passar
por inscrever o seu filho num programa de aulas de autodefesa anti-bullying. A aprendizagem
de habilidades defensivas é um caminho direto para o aumento da autoconfiança.
Princípios de Autodefesa e
Segurança para Crianças
O
programa Dynamic Anti-Bullying do Núcleo de Defesa Pessoal de Lisboa, tem aulas
todos os sábados à tarde. O nosso programa tem ajudado diversas crianças a
recuperar a autoestima e a autoconfiança. Fazemos um trabalho sério e
responsável para que as crianças vítimas de bullying adquiram competências e
estratégias para enfrentarem o bullying.
Dirigido
para os mais novos, este programa nasce da procura de muitos pais preocupados
com a segurança dos seus filhos no ambiente escolar e social. – Se pensa que o
seu filho se pode defender só com palavras, lembre-se do que aconteceu consigo…
Ele merece ter a oportunidade de saber o que fazer em situações em que as
palavras já não o conseguem defender…
No primeiro semestre de 2018, os
carteiristas roubaram 4,5 milhões de euros. Sabendo onde a lei é mais branda,
os "profissionais" saltaram do elétrico e do metro para tirar
carteiras a turistas na rua. De mapa na mão, são mestres a abrir mochilas.
Ela ajeita-lhe a camisola e
faz-lhe uma festa no rosto. Ele ajuda-a com a mochila que leva às costas e que
parecia estar mal colocada. De seguida seguem rua acima para a zona do Castelo
em Lisboa. Assim contado, parece ser um final de tarde normal de um jovem casal
estrangeiro, que se passeia de mapa na mão numa das zonas mais turísticas da
capital, parando de vez em quando para uma selfie.
Mas a realidade está longe do
quadro perfeito de um casal enamorado. A dupla é conhecida na zona: são
carteiristas e estão a tentar perceber se há "clientes" por perto. Reparam que estão a ser
observados. Os olhares dos moradores e de quem por ali trabalha, que os
conhecem bem, obrigam a mudar de planos. E desta vez alguém ficou com a
carteira intacta na mochila.
Um final feliz para um turista
mais distraído - pelo menos naquele momento, junto à Sé. Mas este não foi o fim
ideal da passagem por Lisboa para cerca dos cinco mil visitantes que nos
primeiros seis meses do ano ficaram sem a carteira numa qualquer rua da Baixa
lisboeta.
O furto de carteiras na rua ‒
os tradicionais em transportes públicos estão a desaparecer, pois a sua
penalização é mais forte ‒ passou a ser um dos maiores problemas de segurança
na capital. Por isso a PSP apostou em equipas à paisana, a "imitar"
visitantes pelas zonas mais turísticas, campanhas de alerta online e com
panfletos sobre a forma como os carteiristas atuam e até teve em agosto passado
um carro que circulou nas áreas mais visitadas pelos estrangeiros com um painel
onde em vários idiomas era feito o seguinte alerta: "Cuidado com os
carteiristas."
Mesmo assim, com base nos
dados apresentados na altura em que foram apresentadas queixas ‒ que são
menores do que os furtos pois há muita gente que não denuncia a situação ‒, a
polícia refere que no primeiro semestre de 2018 foram roubados na zona da Baixa
de Lisboa 4,5 milhões de euros por carteiristas. Um milhão de euros mais do que
no período homólogo de 2017, adiantou-nos o intendente Resende da Silva, comandante da Divisão de Investigação Criminal da
PSP.
FURTAR CARTEIRAS NA RUA NÃO DÁ PRISÃO
Mesmo com o reforço da
vigilância policial, a vida dos cerca de 200 carteiristas referenciados em
Lisboa - a grande maioria de Leste (romani, búlgaros, croatas), com idades
entre os 18 e os 30 anos, um terço deles mulheres - é muito rentável.
Muito turista a passear com
carteiras recheadas - a capital terá recebido cerca de três milhões de
visitantes estrangeiros nos primeiros seis meses do ano de 2018 ‒ acaba por ser
um chamariz. Um exemplo: "Já tive um
cliente que chegou aqui a dizer que lhe tinham roubado a carteira com três mil
euros dentro. Só lhe disse "como é que anda com esse dinheiro na
carteira?"." O episódio é contado por um dos comerciantes da zona
de Alfama, que acrescenta: "E nós
avisamos sobre a presença dos carteiristas e para levarem a carteira no bolso
da frente. Mas..."
Quando estivemos nessa semana
na zona do Castelo a movimentação de assaltantes estava mais direcionada para o
Rossio e os Restauradores, ao ponto de pelo menos três mulheres terem sido
detidas por um polícia fardado.
Tal como sempre acontece,
foram levadas para a esquadra, identificadas e, depois de presentes a juiz,
saíram em liberdade, pois o furto de carteiras na rua é considerado furto
simples, logo não pode ser punido com prisão preventiva. Se fosse no interior
de um transporte público, aí sim, seria um crime qualificado punível com pena
de prisão superior a cinco anos, dando a hipótese ao juiz de decretar a prisão
preventiva até ao julgamento.
Obviamente que a nuance da
legislação não escapa aos carteiristas que apesar de serem maioritariamente
estrangeiros ‒ "os portugueses estão a desaparecer, talvez exista ainda
uma meia dúzia e com alguma idade", adianta Resende da Silva ‒ estão bem
informados.
Apesar de a polícia garantir
que não há grupos organizados, existe quem forneça apoio logístico: "É claro que há indivíduos a lucrar com
isso, recebem pelo apoio que dão aos que chegam, mas não são estruturas
organizadas, apenas familiares."
"Há
carteiristas a trabalhar sempre com os mesmos advogados. Quando são detidos
pedem logo para os chamar e quando se vão embora passam os nomes aos que vêm
para cá", acrescenta o comandante da divisão de
investigação criminal que defende a necessidade de uma mudança legislativa para
que possa ser possível punir com prisão preventiva quem é detido a furtar
carteiras.
As queixas relacionadas com o
furto de carteiras têm estado a diminuir ‒ em 2017 foram efetuadas 8476 e, até
agosto de 2018, 5668, tendo sido detidas 179 pessoas ‒, mas os dados
estatísticos não batem certo com o aquilo a que os agentes da PSP assistem
diariamente.
"Temos
a perceção de que é um crime a aumentar. Nos últimos dois a três anos as
queixas subiram muito, mas também há muita gente que não apresenta queixa, pois
tem um tempo limitado para estar em Lisboa. Muitos só apresentam porque
precisam do comprovativo para poderem tratar dos documentos pessoais", frisou-nos
Resende da Silva.
DA BAIXA À MOURARIA COM MAPA E TUDO
"Aquele
ali está de volta. Já não o via cá há muito tempo. Isto quer dizer que os
antigos estão a voltar a Lisboa." Voltámos ao nosso passeio
pelas ruas de Lisboa com um profundo conhecedor das movimentações que existem
por Alfama. Deparamo-nos, pelos vistos, com um "velho conhecido".
O homem - que estava
acompanhado - também identificou a pessoa, e decidiu passar para o outro lado
da rua, olhando e seguindo com o companheiro que até tinha um mapa na mão, como
um verdadeiro turista.
O mapa é uma das ferramentas
essenciais para este "trabalho". Os carteiristas atuam em trio, com
uma tática simples - há sempre um terceiro que passa primeiro na zona e depois
diz aos companheiros se vale a pena ir para aquela área ou se há polícia por
perto.
Um fica uns metros atrás a ver
as movimentações na rua ‒ por exemplo se os moradores estão atentos ou se há
polícias conhecidos por perto ‒, enquanto o outro abre o mapa junto da mochila
que um turista incauto leva às costas. Com o mapa aberto esconde a mão e abre o
fecho retirando o que puder. Este esquema funciona melhor em ruas mais
apertadas e com muita gente, como algumas nos bairros históricos, nomeadamente
em Alfama, a caminho do Castelo. Um dos locais obrigatórios para quem sai dos
navios de cruzeiro que atracam no terminal em Santa Apolónia. E até junho do
ano passado passaram por Lisboa 166 barcos, com um total de 259 mil
passageiros.
Além da zona do Castelo, miradouro
de Santa Luzia e Portas do Sol,
os carteiristas têm como áreas de atuação Bairro
Alto, Cais do Sodré, Graça, Alfama, Mouraria. Estão
também referenciados nos Jerónimos,
na Torre de Belém e no Restelo. Sempre na rua, e em movimento,
e cada vez mais raramente nos elétricos
15 e 28, devido à tipificação do crime já referida.
ALERTAS AOS TURISTAS
A atuação da PSP ‒ que pouco
mais pode fazer do que deter os carteiristas, tirar-lhes fotografias para a
base de dados e ir referenciando o aparecimento de novos, enquanto os mais
conhecidos vão para outra zona turística da Europa ‒ tem nos bairros a
colaboração de alguns moradores e trabalhadores no comércio local. Há, até, uma
página de Facebook Pickpocket Lisbon onde são colocadas fotografias e alertas para as movimentações destas duplas.
No Castelo, por exemplo, há
quem vá a sair de casa de carro e buzine para avisar da sua presença, quem
esteja à porta de estabelecimentos comerciais e grite ou assobie quando vê que
se preparam para meter as mãos numa mochila ou numa mala de senhora, ou quem,
como fazem os condutores de tuk-tuk, alerte os turistas que vão transportar.
"Todos
os dias faço denúncias. Sei quem eles são, onde moram. Vejo todos os dias à
minha frente assaltos." Eduardo Vieira trabalha com
um tuk-tuk e conhece bem esta questão. Diz que este "ataque" já
existe "há uns quatro anos. Mas em
Paris é igual, Barcelona também".
Lidando diariamente com esta
questão, Eduardo sabe os pontos mais sensíveis para quem visita Alfama. "O Panteão, a subida para a Sé, ou da
Sé para as Portas do Sol, neste caso o passeio é muito estreito e as pessoas
têm de seguir mais juntas. É o paraíso", adianta.
Problemas com os carteiristas
não tem, recorda mesmo que só por uma vez houve problemas com condutores de
tuk-tuk. "Foi nas Portas do Sol, mas foi só dessa vez." "Nós
sabemos bem quem eles são, as roupas são sempre iguais. Chamamos a polícia, só
que eles largam as coisas ou então metem-se num táxi e fogem",
conclui.
Ou disfarçam, como nos contou
um outro comerciante. "Estava com
uma cliente aqui à porta e de repente ela percebeu que aquele [e aponta para um
homem que passa casualmente do outro lado da rua] lhe estava a mexer na mala.
Quando percebeu isso, ele só lhe disse: 'I'm joking, I'm joking.' E
fugiu."
Carteiristas em lisboa, um trabalho da SIC feito em 2015 mas que continua completamente
atual.
CONSELHOS DA POLICIA DE SEGURANÇA
PÚBLICA
● Compre o seu título de
transporte com antecedência. Evite filas e ajuntamentos.
● Aguarde a chegada do seu
transporte, em especial no período noturno, em locais bem iluminados e com
visibilidade.
● Redobre a atenção à entrada e
saída dos veículos e carruagens.
● Preste especial atenção a
pessoas que provoquem encontrões, agitação, aglomeração ou contacto físico
desnecessário, tanto junto às portas como no corredor.
● Ao viajar, especialmente durante
a noite, procure paragens de autocarros / elétricos em zonas com boa
visibilidade.
● Não se distraia com abordagens
que o/a façam perder de vista os seus pertences.
● Mantenha os seus pertences
junto a si, nunca os coloque sobre os bancos. Transporte a mala ou saco junto
ao corpo, na parte da frente deste e segure com uma mão, se possível.
● Num veículo com poucos
passageiros, procure sentar-se perto do condutor (no caso dos autocarros e
elétricos). Se alguém o (a) queixe-se a este.
● Cuidado com os carteiristas.
Guarde a sua carteira num local seguro, junto ao corpo, que seja difícil de
aceder.
● Não traga na carteira ou na mala
quantias elevadas, coisas valiosas ou de grande interesse para si.
● Evite ostentar adornos ou joias
de valor, mesmo que na realidade o não sejam ‒ ao longe, atraem o assaltante.
● Ande com as suas chaves fora da
carteira, num bolso interior do vestuário.
● Evite adormecer, a ocasião faz
o ladrão.
●Se for vítima de assalto não
reaja. Capte o máximo de características possíveis dos assaltantes e ligue para
o 112 ou dirija-se á esquadra mais próxima.
● Se for vitima de furto ou de
roubo não deixe de apresentar queixa formal na PSP.
● Se considerar necessária a
intervenção das Autoridades Policiais não hesite em pedir a ajuda de qualquer
colaborador da CARRIS ou do METROPOLITANO DE LISBOA.
Maximize a
sua segurança, minimizando a exposição ao perigo.