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30 de setembro de 2026

Segurança Escolar e Autoproteção: quando a responsabilidade começa em nós

Porque a segurança pessoal dos nossos filhos começa também por nós, pais e encarregados de educação.


Se és pai, mãe ou encarregado de educação, conheces bem o gesto: todas as manhãs, à porta da escola, deixas o teu filho e confias. Confias nos professores, nos auxiliares, nas regras e nas autoridades. É uma confiança legítima, e é assim que deve ser. Mas essa confiança não dispensa o teu papel: acompanhar, escutar e ajudar o teu filho a desenvolver competências de autoproteção, em colaboração com a escola.

No ano letivo de 2025/26, as equipas do Programa Escola Segura da PSP registaram 4075 ocorrências na sua área de atuação, mais 4,6% do que no ano anterior. Destas, 2898 tiveram natureza criminal, o que corresponde a uma média aproximada de 16 ocorrências criminais por dia de aulas, considerando cerca de 180 dias letivos. Mais de dois terços dessas ocorrências criminais, 68,7%, tiveram lugar dentro dos próprios recintos escolares. Entre os registos contam-se 1426 casos de ofensas corporais, 920 de injúrias e ameaças, um aumento de 18,4% nos crimes de ofensas sexuais e a deteção de 60 armas. São dados relativos à área abrangida pela PSP, e não à totalidade das escolas portuguesas.


Estes números merecem atenção, mas igualmente uma leitura ponderada. Por si só, não permitem calcular o risco individual de cada aluno, nem distinguir quanto do aumento corresponde a mais situações de violência e quanto pode resultar de alterações na denúncia ou no registo. Ainda assim, recordam-nos algo essencial: a segurança escolar exige um trabalho contínuo de prevenção, acompanhamento e resposta.

Nenhuma instituição, por mais dedicada que seja, consegue estar em todo o lado ao mesmo tempo. Os diretores, os professores, os assistentes operacionais e as forças de segurança desempenham um papel fundamental, mas o recreio, os corredores, o caminho para casa e o mundo digital colocam desafios que não se resolvem apenas com vigilância. Reconhecê-lo é aceitar que a escola e a família têm responsabilidades complementares, e que os jovens precisam de adquirir, progressivamente, competências para os momentos em que não terão um adulto imediatamente disponível.

Quando surge uma situação de perigo, pode existir um intervalo entre o seu início e a intervenção de alguém capaz de ajudar. É nesse intervalo que a preparação pode fazer diferença. Esta possibilidade deve levar-nos a agir com critério: conversar, acompanhar e ensinar respostas adequadas à idade e às circunstâncias, sem transformar o quotidiano numa expectativa permanente de ameaça.

Preparar uma criança para se proteger não significa torná-la responsável pela violência que possa sofrer. A responsabilidade pela agressão pertence a quem a pratica, e cabe aos adultos e às instituições assegurar a sua proteção. A autoproteção acrescenta recursos a essa responsabilidade partilhada.


O que é, afinal, preparar um filho para se proteger

A esta preparação podemos chamar autoproteção: a capacidade de cada pessoa para zelar pela sua própria segurança, antes, durante e depois de uma situação de risco. Nesta abordagem, entendemos a defesa pessoal como um corpo de conhecimentos e competências, e a autodefesa como a sua aplicação concreta perante uma ameaça ou agressão. Ambas integram uma educação preventiva mais ampla, que começa muito antes de qualquer confronto físico.

Preparar o teu filho envolve ensiná-lo a perceber o ambiente, a reconhecer sinais de tensão, a estabelecer limites com voz firme e postura segura, a pedir ajuda cedo e a escolher, sob pressão, uma opção que favoreça a sua segurança. Muitas vezes, essa opção será afastar-se, procurar companhia ou dirigir-se a um adulto de confiança. Comunicar com clareza e reconhecer quando é necessário pedir ajuda são competências úteis, embora não garantam proteção contra uma agressão.

Mas importa também ser honesto contigo: nem sempre essas opções estão disponíveis ou são suficientes. Há situações em que não é possível afastar-se em segurança, em que o diálogo não interrompe a agressão ou em que não existe um adulto por perto. Perante uma agressão, pode ser necessário recorrer a uma defesa mais física para se proteger. O propósito é interromper a agressão e criar uma oportunidade para escapar, usando apenas o necessário nas circunstâncias e cessando a ação defensiva quando deixar de ser necessária. Obviamente, tanto quanto seja possível.

Esta preparação deve ser conduzida com critério e foco no desenvolvimento de cada jovem. Não elimina o medo nem garante uma resposta eficaz, mas pode ajudar a reconhecer opções e a agir para se proteger. O objetivo é dar-lhe recursos para preservar a sua segurança, sem alimentar a ideia de que tem de vencer, punir ou provar alguma coisa.

Nada disto é igual aos 8 e aos 15 anos. Uma criança precisa de aprender a dizer "não", a afastar-se de uma situação desconfortável e a procurar um adulto de confiança. Um adolescente pode enfrentar pressões de grupo, conflitos que escalam e situações de ciberbullying que continuam depois de sair da escola. Por isso, o ensino tem de ser adaptado à idade, ao temperamento, às capacidades e às circunstâncias de cada um.

O que podes fazer desde já, em casa

  • Conversa sem interrogatório. Pergunta pelo que correu bem e pelo que foi difícil, em momentos descontraídos, e ouve mais do que falas. Mostra-lhe que pode contar-te uma situação desconfortável sem receio de ser culpabilizado ou de te desiludir.

  • Fica atento aos sinais. Alterações de humor, recusa em ir à escola, objetos que desaparecem ou isolamento súbito merecem atenção e diálogo. Procura compreender o que se passa, sem partir imediatamente para uma conclusão.

  • Ensina a pedir ajuda. Ajuda o teu filho a identificar dois ou três adultos de confiança e garante-lhe que pedir ajuda é uma forma de se proteger. Se a primeira pessoa não o ouvir ou a situação continuar, deve procurar outra.

  • Articula com a escola. Se houver sinais de intimidação ou agressão, comunica-os e procura saber que medidas serão tomadas e como será acompanhada a situação. Mantém o diálogo e verifica se o teu filho se sente mais seguro.

  • Fala do mundo digital. O que acontece online também faz parte da segurança pessoal. Conversa sobre privacidade, limites e contactos indesejados, e ajuda-o a perceber quando deve interromper uma interação, guardar provas e procurar apoio.

  • Cria oportunidades para se preparar. Investir na formação do teu filho em prevenção e autoproteção é apoiar o desenvolvimento da sua autonomia. Procura uma abordagem adequada à idade, que trabalhe a comunicação, a tomada de decisão, o pedido de ajuda e a resposta física quando necessária.

Ao fazê-lo, ajudas o teu filho a crescer com mais recursos para compreender o que se passa à sua volta e cuidar de si. A autonomia constrói-se de forma progressiva, com conhecimento, prática e a certeza de que pode contar com adultos que o escutam e apoiam.

A segurança dos nossos filhos não se delega por inteiro: constrói-se em conjunto, e começa também em ti.



autodefesa.pt



24 de julho de 2020

Segurança na água – Descubra como evitar acidentes na piscina


A melhor forma de evitar acidentes na praia, rio ou piscina é garantir alguns cuidados, que variam consoante a idade das crianças. Até aos 4 anos – ou até a criança aprender a nadar – o mais seguro é usar braçadeiras. A partir dessa idade, coletes e "bolhas" são as opções mais seguras.

O afogamento é uma causa de morte comum, sobretudo em crianças, frequentemente evitável. Bastam 30 centímetros de água para uma criança se afogar. Por isso, ensiná-la a nadar e mantê-la sob vigilância são ações essenciais para evitar afogamento.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o afogamento é um processo fisiológico de aspiração de líquido não corporal por submersão ou imersão, que pode conduzir a falta de oxigénio nos tecidos (hipoxia) e a paragem cardíaca. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, o afogamento é um processo e os sintomas associados podem ocorrer várias horas após a criança ser retirada da água, nem sempre com um desfecho fatal.


O verão é para a maioria das crianças sinónimo de diversão na piscina. Tome nota destas regras.

1. Coloque limites em redor da piscina – Cerque a área da piscina e feche o acesso com um portão que não possa ser aberto por uma criança. A criança nunca deve permanecer na piscina sem vigilância.

2. Cuidado com os objetos flutuantes – Deve ter cuidado com a quantidade e tipologia dos objetos dentro da piscina. Não se esqueça que estes podem impedir ou dificultar o processo de emersão. Não atire roupa, toalhas ou outros objetos semelhantes para dentro de água.

3. Mantenha as escadas desimpedidas – Mantenha os acessos à piscina livres para que quem esteja dentro da piscina consiga sair facilmente, sem esforços acrescidos.

4. Atenção à sucção – A água da piscina está em constante filtração. Existe um sistema que leva a água ao filtro através dos orifícios espalhados pelas paredes e fundo da piscina. Por vezes, dependendo dos sistemas, estes podem sugar os cabelos da criança e mantê-las submersas. Controle estes espaços.

5. Diga ao seu filho que não corra na área da piscina – Os pisos ao redor das piscinas são escorregadios. As crianças só devem entrar e sair da piscina através das escadas.

6. Atenção às armadilhas submersas – Alguns utensílios podem prender pés, mãos ou mesmo as crianças debaixo de água. Algumas escadas possuem espaços que podem prender uma criança. Por isso, fique sempre atento aos detalhes da sua piscina.

7. Atenção redobrada – É muito importante para o desenvolvimento da criança que frequente a piscina e pratique desportos como a natação. Ainda assim, é preciso manter atenção especial quando crianças estão na água.

8. Não mergulhar de cabeça na piscina – Aconselhe-o a não mergulhar em piscinas. Tanto a criança como os pais devem observar bem o piso da piscina antes de mergulhar, para evitar colisão com outros mergulhadores ou bater com o fundo do tanque.

9. A criança deve estar sempre acompanhada – Mesmo que a piscina tenha a presença de um nadador salva-vidas, é útil fazer-lhe companhia e observá-lo enquanto nada até que tenha segurança para estar sozinho. Lembre-se: é impreterível que ensine ou ponha o seu filho a aprender a nadar.

10. Ensine o seu filho a ser responsável na piscina e a respeitar as suas limitações – A natação deve ser feita somente na profundidade em que se sinta confortável e seguro.

11. Bóias essenciais – O uso das bóias é importante, mas não se esqueça que elas nunca substituem a supervisão de um adulto.

12. Se a criança comer, não deve nadar – O ideal é que espere pela digestão. Nadar com a barriga cheia pode causar paragens digestivas e outros transtornos.

13. Não permita brincadeiras violentas na piscina – Como empurrar, jogar à apanhada ou simular afogamentos. Não é aconselhável brincadeiras de lutas ou “cavalinhos” na piscina. Uma pancada na cabeça pode resultar em afogamento.

14. Mantenha a piscina sempre limpa e saudável – Ensine o seu filho a tomar duche antes de entrar na piscina. Não mantenha comidas ou bebidas nas imediações da piscina. Além de poderem sujar a água, os copos potenciam o risco de vidros partidos no fundo da piscina.

15. Equipamento de resgate próximo – Tenha sempre o equipamento básico de salva-vidas próximo da piscina. As bóias e cordas são recomendadas. Tenha um telefone por perto e, em caso de acidente, ligue para o 112 e dê indicações precisas sobre o local onde se encontra.




Como socorrer uma vítima de afogamento