29 de agosto de 2022
Como manter a calma quando sabes que vais ficar stressado
29 de janeiro de 2022
Sucker Punch – Um cenário de violência em que te podes ver envolvido
Esta é uma situação em que a
maioria das pessoas não se quer ver envolvida. Estás num cenário ameaçador em que não consegues escapar, fugir, e o teu adversário deixou claro que a sua
intenção é agredir-te. A única coisa que pode piorar a situação é saberes que
não tens habilidades suficientes para te defenderes e saíres dali em segurança.
Quem não se consegue defender tem mais probabilidades de se tornar uma vítima. É aqui que entra o treino de autodefesa. O estudo da defesa pessoal dá-te conhecimentos importantes para saberes como evitar potenciais situações de violência. Também aprendes técnicas comprovadamente eficazes para repelir um atacante. Tornas-te também mais sensível à importância de adquirir e manter uma boa condição física, e isso pode ser muito importante quando precisas de te defender com sucesso. Pois é difícil fugires de um agressor ou aplicar movimentos defensivos com um certo nível de intensidade e vigor se depois de correres 20 metros ficas sem fôlego.
Estares mentalmente preparado para a possibilidade de precisares defender-te em algum momento da tua vida também te dará mais vantagem psicológica. Tens menos possibilidades de congelar e bloquear quando te sentires ameaçado e mais probabilidades de tomares as decisões certas, uma vez que o treino de autodefesa te ajuda a enfrentar situações de confronto debaixo de stress.
Este é um cenários cem que te podes ver envolvido e em que só tens a ganhar se tiveres alguns conhecimentos de autodefesa:
O Sucker Punch (também conhecido como coward punch e one-punch attack) é um termo que geralmente designa um soco dado de forma traiçoeira e desleal onde o atacante surpreende a vítima sem que esta tenha tempo para se preparar ou defender. O golpe é executado de forma dissimulada, sem aviso (e muitas vezes sem razão), procurando o agressor esconder a sua intenção e até mesmo distrair a vítima para que ela fique mais vulnerável. Em algumas situações o ataque pode vir da retaguarda diminuindo ainda mais qualquer possibilidade de a vítima ter noção do que lhe vai acontecer.
Embora existam contextos e ambientes específicos em que as probabilidades de uma pessoa ser surpreendida por um atacante são maiores, a realidade é que qualquer pessoa pode ser alvo de um sucker punch pelo simples facto de se cruzar com um desconhecido.
Os motivos que levam alguém a atacar uma pessoa de forma violenta e repentina podem ser diversos, no entanto um atacante pode ter este comportamento só por diversão, querer provar algo para entrar num gangue,
roubo, vingança, tentativa de violação, ou até atuar unicamente por se encontrar de consciência
alterada por efeitos do álcool ou estupefacientes.
Algumas das vítimas sofrem lesões permanentes e debilitantes, havendo até situações mais trágicas e amplamente noticiadas pela imprensa. Frequentemente as vítimas perdem a consciência sendo o facto de caírem desamparadas que lhes pode provocar traumatismos mais graves.
Curiosamente, câmaras de vigilância em diferentes centros urbanos dispersos por esse mundo fora, têm captado situações em que o modus operandi dos agressores é muito peculiar: homens, mulheres e adolescentes são atacados por alguém que corre na direção deles, os golpeia e foge rapidamente do local.
TÁTICAS DE AUTOPROTEÇÃO
O sucker
punch é um ataque perigoso que pode surpreender até mesmo alguém com
conhecimentos de técnicas de combate e autodefesa. É uma agressão de que não se
está à espera e que te pode apanhar numa fração de segundos. Como então podes
evitar ser surpreendido por esse tipo de ataque?
Mais abaixo estão dois vídeos que
exemplificam algumas táticas defensivas e no YouTube encontramos inúmeros
instrutores de defesa pessoal, cada um deles com a sua visão particular sobre o
que pode ser feito para evitar um sucker punch. Alguns desses vídeos são
interessantes e outros completamente ridículos e ingénuos. A realidade é que
não existe uma fórmula mágica que te assegure a 100% que em algum momento
não irás ser surpreendido por um ataque completamente imprevisível. Podes, no
entanto, minimizar as possibilidades de te tornares uma vítima fácil, adotando
atitudes e comportamentos preventivos que te fazem ficar mais alerta em
determinadas situações, como por exemplo, quando sais à noite e frequentas
ambientes onde normalmente existem conflitos, muito consumo de álcool, etc. Por
outro lado, na tua rotina diária, podes fazer um esforço de vontade para
ficares mais consciente do ambiente que te rodeia. Esta é uma regra fundamental
de autoproteção: não ficares desligado do que se passa à tua volta.
As novas tecnologias invadiram o
nosso cérebro fazendo com que seja muito fácil alhear-nos do mundo real e
mergulharmos no virtual. Consequentemente, cada vez menos as pessoas utilizam
os seus sentidos como forma de monitorizar o ambiente em que se encontram.
Para que te possas sentir mais seguro e confiante começa por treinar a tua
atenção a partir dos sentidos. Quando caminhas exercita a tua capacidade de
reconhecimento visual e usa a tua visão periférica. Repara nas pequenas coisas,
observa as pessoas e os seus movimentos, fica atento a quem demonstra uma
linguagem corporal suspeita. Ouve os diferentes ruídos que te circundam, os
passos das pessoas, as vozes que se cruzam no ar. Procura, sempre que possível,
manter um espaço de segurança em relação a desconhecidos. Atualmente essa é uma noção a que temos prestado mais atenção por causa da atual
pandemia do Covid-19, mas ter consciência do nosso espaço pessoal e estar atento a
eventuais intrusos é um princípio básico de autodefesa.
Outro fator importante que pode mitigar as probabilidades de seres surpreendido por um atacante é a tua própria linguagem corporal. A forma como caminhas transmite uma mensagem aos outros, em particular aos predadores que procuram pessoas distraídas do ambiente que as cerca e com sinais percetíveis de falta de autoconfiança. Para de caminhar com os olhos no chão ou no smartphone, ergue a cabeça e movimenta-a para ambos os lados para que tenhas uma clara visão de 180 graus. Não precisas caminhar como um manequim a desfilar na passerelle, mas podes imprimir à tua passada um ritmo mais determinado que te ajude a sentir mais seguro e confiante. Evita encurvares-te sobre ti próprio, endireita o teu corpo e faz algumas inspirações profundas. Dessa forma consegues mover-te com uma presença mais decidida, o que pode levar a que quem te observe com segundas intenções resolva procurar um alvo menos atento.
Essas são algumas dicas que podem
colaborar para não seres alvo de um ataque inesperado. Estudar autodefesa
também te ajuda a melhorar a atenção, a velocidade de reação e a desenvolveres
uma autoconfiança mais robusta. As tuas
competências físicas são treinadas através de diferentes cenários onde vais
aprender a posicionar-te e a aplicar técnicas contundentes para repelir um agressor.
O treino sério de autodefesa não só prepara o teu corpo para situações em que
te sentes em perigo, mas também capacita a tua mente para enfrentar cenários em
que a maioria das pessoas congela ou entra em descontrolo emocional.
A realidade é que qualquer um de nós pode ser surpreendido por um sucker punch, mas reduzimos significativamente as possibilidades de isso acontecer se estivermos preparados física e mentalmente a par do desempenho das nossas faculdades de atenção melhoradas.
27 de maio de 2021
Manual Anti-Bullying: identificar e prevenir
Quando a intimidação é
intencional e frequente sobre alguém que não provoca, mas é mais vulnerável,
física ou psicologicamente, fala-se de bullying. Dos insultos aos maus-tratos
físicos, do isolamento ao recente ciberbullying, pelo uso do telemóvel e da Net:
as formas saltaram os muros das escolas e dão nome à intimidação entre adultos,
no trabalho ou pela Internet, por exemplo.
O bullying deixou de ser visto como "dores do crescimento", normal entre miúdos, e ganhou a atenção dos psicólogos, profissionais e sociedade. A prevenção contínua é essencial e deve envolver alunos, pais, professores e funcionários das escolas.
Sinais de alerta
Se o seu filho anda ansioso,
deprimido e não tem vontade de ir às aulas, pode estar a ser intimidado pelos
colegas. Fale com o professor.
Esteja atento aos sinais:
● medo ou recusa em ir à escola, náuseas ou vómitos antes de sair;
● criança angustiada, nervosa ou
deprimida;
● baixa autoestima, choro e
pesadelos frequentes;
● roupa e livros estragados,
“perda” de objetos e dinheiro e lesões injustificadas;
● mudanças nos hábitos
alimentares, como diminuição de apetite.
Vítimas, agressores e grupo: triângulo de poder calado
Uma educação superprotetora ou
rígida está, muitas vezes, na base do perfil das vítimas. São jovens inseguros
e com dificuldade em fazer amigos, mas nem sempre passivos. Quando
contra-atacam ou tentam resistir à agressão, raramente conseguem melhor do que provocar
a escalada da violência.
Já os agressores, ou quem intimida os colegas, aprendem em casa que a força e a humilhação são formas de lidar com os problemas e resistem mal à frustração. Geralmente, provêm de famílias desestruturadas, com ambiente autoritário, e têm baixa autoestima e fraca supervisão pelos pais. Também a violência na televisão e nos jogos pode incentivar o comportamento.
O grupo de pares ou testemunhas podem encorajar o agressor e colaborar nas ameaças. Outros protegem a vítima ou afastam-se sem se comprometer. As testemunhas, por vezes, adotam comportamentos agressivos, ao perceber que estes não são sancionados.
Prevenção − Guia para pais
● Não encoraje vinganças,
denuncie aos responsáveis e articule esforços com a escola. Ajude a desenvolver
a autoestima da criança.
● Incentive a criança a explorar
uma atividade de que goste: uma modalidade desportiva, por exemplo. Se for
vítima, é melhor passar mais tempo com quem vive uma boa relação e fazer novos
amigos fora do ambiente escolar.
● Ensine ao seu filho como se
proteger: dizer "não" ao agressor sem mostrar medo, ignorá-lo e evitar
oportunidades de intimidação, como ficar sozinho nos corredores e balneários.
● O agressor, com comportamento
antissocial, também precisa de ajuda. Os pais não devem partir para a ameaça,
mas dar orientações e limites para controlar o comportamento e expressar a
insatisfação, sem magoar os outros. Encoraje-o a pedir desculpa ao colega
agredido, pessoalmente ou por escrito.
● Em casa, aconselhe o seu filho
a agir e denunciar os casos mais graves.
● Participe ao máximo e mantenha
o contacto próximo com os professores.
Cyberbullying: conselhos de segurança para os jovens
● Antes de publicar alguma
informação, convém ter a certeza de que não é pessoal ou demasiado vulnerável.
● Devem ser ativadas todas as
opções de segurança e privacidade disponíveis no programa que está a usar.
● Não aceite pedidos de amizade
de pessoas desconhecidas.
● Nas salas de chat, é preferível
usar um nome que não o identifique diretamente.
● Se for vítima, ou perceber que
alguém foi vítima de algum comentário impróprio, deve denunciar de imediato a
situação no próprio website. Tratando-se de uma rede social, convém bloquear o
autor desse comentário.
O que fazer se for vítima de cyberbullying
Não deve reagir ou responder a
quem a humilhou. Assim poderá estar a contribuir para uma escalada de violência.
Mas deve guardar todas as provas (e-mails, comentários em redes sociais, por
exemplo). Ainda assim, se o cyberbullying continuar, a vítima deve informar de
imediato o caso junto de um adulto (os pais ou familiares próximos, por
exemplo). Se, mesmo assim, as agressões online continuarem, a vítima deve fazer
uma denúncia às autoridades policiais (PSP, GNR ou PJ) ou ao Ministério
Público.
Ações de combate ao bullying nas escolas
Maior supervisão pelos adultos,
sinalização de espaços menos seguros e vigilância são ações a promover.
As políticas de tolerância zero e
castigo, seguidas por muitas escolas, adiam o problema e podem provocar
retaliações contra a vítima. Na maioria dos casos, não há uma estratégia
contínua de prevenção que envolva alunos, professores, funcionários e pais.
Atua-se só quando a situação é denunciada ou mais evidente, perante marcas de
agressão física, por exemplo.
Professores e funcionários devem estar atentos aos sinais e acompanhar as relações. Mas o envolvimento dos alunos e pais, com debates, campanhas ou até peças de teatro, é a melhor maneira de redobrar a vigilância.
Não culpabilizar é a melhor abordagem num caso de bullying. O professor pode falar com a vítima sobre as suas emoções, sem questionar diretamente quanto ao ocorrido, e conhecer os envolvidos.
Num segundo passo, pode chamar-se à conversa os envolvidos, mesmo que apenas observadores, num pequeno grupo. É decisivo explicar o problema e os sentimentos da vítima: pode ilustrar com um texto, imagem ou filme. Mas não discuta os detalhes do incidente nem culpe o grupo.
Peça contributos em ideias para ajudar a vítima. Reforce que todos podem evitar estes casos.
Bullying: lei como defesa
A lei permite combater a
violência escolar. No trabalho, pode ser motivo de rescisão com justa causa.
O bullying desrespeita os princípios do Estatuto do Aluno e Ética Escolar, aplicável ao ensino básico e secundário. Alguém que presencie comportamentos que indiciem o desrespeito pela integridade física e psicológica de professores, pessoal não docente ou alunos, deve comunicá-los a um professor ou ao diretor de turma.
A conduta do aluno pode, em casos menos graves, justificar a aplicação de uma medida corretiva: advertência, ordem de saída da sala com atividades letivas, proibição de acesso a certos espaços escolares ou de utilização de equipamentos, sem prejuízo das suas atividades letivas, mudança de turma e realização de tarefas de integração escolar. O Estatuto do Aluno e Ética Escolar refere que estas tarefas e atividades de integração podem ser realizadas tanto na escola, como na comunidade, mediante acompanhamento dos responsáveis e supervisão da escola. É o regulamento interno da escola que define o tipo de tarefas a executar pelo aluno.
Face a condutas mais graves, impõem-se medidas disciplinares sancionatórias. Prevê-se a repreensão por escrito, a suspensão até 3 dias ou entre 4 e 12 dias úteis, a transferência de escola e a expulsão. A pena de suspensão até 3 dias pode ser aplicada pelo diretor, mas o aluno é ouvido e apresenta a sua defesa. No caso de a infração ter sido praticada na sala de aula, a competência é do respetivo professor. Esta suspensão só pode ser aplicada com a devida fundamentação.
A suspensão entre 4 e 12 dias, a transferência de escola e a expulsão são precedidas de processo disciplinar, instaurado pelo diretor. Este nomeia, entre os professores, um instrutor, e comunica o facto ao encarregado de educação, se o aluno for menor.
Aplicável a estudantes com, no mínimo, 10 anos, a transferência de escola para outra na mesma localidade ou na mais próxima com transporte público ou escolar é ordenada pelo diretor regional de educação.
A expulsão aplica-se a alunos maiores de idade e implica o afastamento da escola no ano letivo em curso e nos dois seguintes. Só pode ser aplicável quando, de modo notório, não haja outra medida ou forma de responsabilização.
O estudante poderá ser obrigado a pagar as despesas dos danos que tenha provocado.
Bullying: crime a partir dos 16 anos
A partir dos 16 anos, o agressor
(bully) pode ser acusado de vários crimes. Injúrias e difamação, puníveis com
multa ou pena de prisão até 3 ou 6 meses (ou multa até 120 ou 240 dias),
respetivamente, obrigam o ofendido a apresentar queixa e avançar com a ação em
tribunal.
Em casos de ameaça (multa de 120 a 240 dias ou prisão até 1 ano ou, nas situações mais graves, 2 anos), dano (multa ou prisão até 3 anos), devassa da vida privada (multa de 240 dias ou prisão até 1 ano, podendo atingir 2 anos se forem utilizados meios informáticos) e ofensa à integridade física (multa ou prisão até 3 anos), basta apresentar queixa à polícia.
Nos homicídios (prisão entre 1 a 25 anos), coação (prisão até 3 ou 5 anos, nos casos mais graves, ou multa) ou ofensas à integridade física grave (pena de prisão de 2 a 10 anos), o processo-crime decorre desde que as autoridades tenham conhecimento da ocorrência, haja ou não queixa.
Violação de correspondência ou de telecomunicações, gravações e fotografias ilícitas, furto ou roubo, sequestro, rapto, coação sexual ou violação são outros crimes possíveis neste contexto.
Os menores entre 12 e 16 anos, considerados inimputáveis, ficam sujeitos a medidas tutelares educativas, como realizar tarefas a favor da comunidade, acatar regras de conduta e outras obrigações ou frequentar programas formativos. O acompanhamento educativo, outra das medidas da lei, está previsto através de um programa elaborado pelos serviços de reinserção social e aprovado pelo tribunal, para períodos de 3 meses a 2 anos, bem como o internamento em centro educativo, que dura entre 6 meses e 2 anos. O regime pode ser aberto, semiaberto ou fechado. Nos crimes com pena máxima superior a 8 anos, pode prolongar-se até 3 anos.
As regras para o cyberbullying são idênticas. Não há criminalização específica para a sua prática. Podem ser praticados alguns dos crimes referidos (injúrias, difamação, ameaça, coação, devassa da vida privada, devassa por meio informático...) ou outros, de natureza puramente informática. Provar pode ser mais complicado.
O bullying escolar pode ser travado com a atuação disciplinar do estabelecimento ou com uma queixa às autoridades, se for considerado crime. É preciso que professores e diretores tomem conhecimento da situação. Caso contrário, os agressores continuarão a atuar impunemente. O sofrimento provocado por situações de bullying pode ser compensado através de indemnizações.
Depoimento ou declarações de peritos, como médicos ou psicólogos, são boas opções para provar os danos.





