24 de junho de 2019

COMO AJUDAR O SEU FILHO EM SITUAÇÕES DE BULLYING?


É muito importante que os pais abordem este tema com os seus filhos. Mas, antes disso, é essencial compreender o que é, não desvalorizando quando a criança verbaliza mal-estar na relação com os outros.


O bullying é um comportamento caracterizado por agressões com intenção, verbais ou físicas, e com caráter repetitivo. Pode ser uma ameaça, intimidação, humilhação ou maus-tratos, com desequilíbrio evidente de poder (através da força física ou do conhecimento de alguma vulnerabilidade, informação ou característica física ou psicológica do outro) e que pode ocorrer em qualquer contexto social (nas escolas, universidades, famílias ou locais de trabalho). Pode, também, incluir espalhar boatos, gozar, provocar e excluir alguém do grupo propositadamente.

É muito importante que os pais abordem este tema com os seus filhos. Mas, antes disso, é essencial compreender o que é, não desvalorizando quando a criança verbaliza mal-estar na relação com os outros.

Os pais podem falar com os filhos sobre o bullying para que estes compreendam mais facilmente o que é aceitável numa relação com os pares e aquilo que é inadmissível. Esta partilha pode garantir a possibilidade da procura de ajuda de modo mais eficaz.

Nas crianças, ser vítima de bullying influencia intensamente o desenvolvimento emocional. A curto prazo são manifestações frequentes: o sentimento de isolamento, o decréscimo do rendimento escolar, a dificuldade de integração ou a rejeição escolar, a tristeza acentuada e a irritabilidade. Medo, ansiedade, dificuldade na concentração e atenção na sala de aula, alterações de humor, dores físicas frequentes (dores de cabeça e barriga), choro fácil e pesadelos podem ser alguns dos sinais a que deve estar atento. No entanto, estas manifestações nem sempre significam situações de bullying.


COMO COMPREENDER SE A CRIANÇA É ALVO DE BULLYING?



Discussões e conflitos episódicos não traduzem uma situação de bullying. O autor deste tipo de atos tem a intenção de ferir, repetir e ter espetadores. Se o alvo supera a intenção deste comportamento, reagindo ou ignorando (outra forma de reação), desmotiva o agressor.

O alvo é, habitualmente, a criança com baixa autoestima e tendencialmente retraída, traduzindo alguém com maior dificuldade em reagir. Esta criança terá menos competências para procurar apoio e, assim, colocar fim à violência exercida sobre ela.

A criança que exerce bullying sobre o seu colega é, muitas vezes, uma criança que não aprendeu a lidar com emoções como a raiva através do diálogo. Para ela não existe empatia sendo que a manifestação do sofrimento do colega não é suficiente para parar a agressão e, muitas vezes, é sentida satisfação com o acontecimento.

O espetador, que testemunha a ocorrência e não evita a continuidade da agressão, pode fazê-lo por receio de ser igualmente vítima de ataques ou por dificuldade na tomada de decisão e, assim, não tomar iniciativa de interrupção.
O diálogo é a ferramenta mais eficaz para percecionar sinais de que algo pode estar a perturbar o seu filho, como ser vítima de bullying. Deve sempre encorajá-lo a falar e ensinar-lhe algumas estratégias para que se mantenha seguro e tranquilo. Eis algumas delas:

● Saliente que está disponível para escutar as dificuldades do seu filho na escola;
● Incentive-o a ignorar o agressor e a contar a um adulto responsável da escola o sucedido;
● Reforce a importância de evitar os confrontos  pessoais com o agressor;
● Ensine-o a procurar estar acompanhado por outras crianças, tentando não estar sozinho.

Se sentir que, apesar das tentativas para ajudar o seu filho, este continua a ter dificuldade em lidar com a situação, é fundamental na maior brevidade possível, encontrar apoio especializado para reforçar a autoestima e autoconfiança da criança, permitindo-lhe encontrar estratégias para ultrapassar o bullying.


SandraHelena - Psicóloga e psicoterapeuta





Programa Dynamic Anti-Bullying 

 Princípios de Autodefesa e Segurança para Crianças


O programa Dynamic Anti-Bullying do Núcleo de Defesa Pessoal de Lisboa, tem aulas todos os sábados à tarde. O nosso programa tem ajudado diversas crianças a recuperar a autoestima e a autoconfiança. Fazemos um trabalho sério e responsável para que as crianças vítimas de bullying adquiram competências e estratégias para enfrentarem o bullying.

Dirigido para os mais novos, este programa nasce da procura de muitos pais preocupados com a segurança dos seus filhos no ambiente escolar e social. – Se pensa que o seu filho se pode defender só com palavras, lembre-se do que aconteceu consigo… Ele merece ter a oportunidade de saber o que fazer em situações em que as palavras já não o conseguem defender…




  

19 de abril de 2019

Dossier ‒ Carteiristas em Lisboa

No primeiro semestre de 2018, os carteiristas roubaram 4,5 milhões de euros. Sabendo onde a lei é mais branda, os "profissionais" saltaram do elétrico e do metro para tirar carteiras a turistas na rua. De mapa na mão, são mestres a abrir mochilas.


Ela ajeita-lhe a camisola e faz-lhe uma festa no rosto. Ele ajuda-a com a mochila que leva às costas e que parecia estar mal colocada. De seguida seguem rua acima para a zona do Castelo em Lisboa. Assim contado, parece ser um final de tarde normal de um jovem casal estrangeiro, que se passeia de mapa na mão numa das zonas mais turísticas da capital, parando de vez em quando para uma selfie.

Mas a realidade está longe do quadro perfeito de um casal enamorado. A dupla é conhecida na zona: são carteiristas e estão a tentar perceber se há "clientes" por perto. Reparam que estão a ser observados. Os olhares dos moradores e de quem por ali trabalha, que os conhecem bem, obrigam a mudar de planos. E desta vez alguém ficou com a carteira intacta na mochila.

Um final feliz para um turista mais distraído - pelo menos naquele momento, junto à Sé. Mas este não foi o fim ideal da passagem por Lisboa para cerca dos cinco mil visitantes que nos primeiros seis meses do ano ficaram sem a carteira numa qualquer rua da Baixa lisboeta.

O furto de carteiras na rua ‒ os tradicionais em transportes públicos estão a desaparecer, pois a sua penalização é mais forte ‒ passou a ser um dos maiores problemas de segurança na capital. Por isso a PSP apostou em equipas à paisana, a "imitar" visitantes pelas zonas mais turísticas, campanhas de alerta online e com panfletos sobre a forma como os carteiristas atuam e até teve em agosto passado um carro que circulou nas áreas mais visitadas pelos estrangeiros com um painel onde em vários idiomas era feito o seguinte alerta: "Cuidado com os carteiristas."


Mesmo assim, com base nos dados apresentados na altura em que foram apresentadas queixas ‒ que são menores do que os furtos pois há muita gente que não denuncia a situação ‒, a polícia refere que no primeiro semestre de 2018 foram roubados na zona da Baixa de Lisboa 4,5 milhões de euros por carteiristas. Um milhão de euros mais do que no período homólogo de 2017, adiantou-nos o intendente Resende da Silva, comandante da Divisão de Investigação Criminal da PSP.



FURTAR CARTEIRAS NA RUA NÃO DÁ PRISÃO 

Mesmo com o reforço da vigilância policial, a vida dos cerca de 200 carteiristas referenciados em Lisboa - a grande maioria de Leste (romani, búlgaros, croatas), com idades entre os 18 e os 30 anos, um terço deles mulheres - é muito rentável.

Muito turista a passear com carteiras recheadas - a capital terá recebido cerca de três milhões de visitantes estrangeiros nos primeiros seis meses do ano de 2018 ‒ acaba por ser um chamariz. Um exemplo: "Já tive um cliente que chegou aqui a dizer que lhe tinham roubado a carteira com três mil euros dentro. Só lhe disse "como é que anda com esse dinheiro na carteira?"." O episódio é contado por um dos comerciantes da zona de Alfama, que acrescenta: "E nós avisamos sobre a presença dos carteiristas e para levarem a carteira no bolso da frente. Mas..."

Quando estivemos nessa semana na zona do Castelo a movimentação de assaltantes estava mais direcionada para o Rossio e os Restauradores, ao ponto de pelo menos três mulheres terem sido detidas por um polícia fardado.

Tal como sempre acontece, foram levadas para a esquadra, identificadas e, depois de presentes a juiz, saíram em liberdade, pois o furto de carteiras na rua é considerado furto simples, logo não pode ser punido com prisão preventiva. Se fosse no interior de um transporte público, aí sim, seria um crime qualificado punível com pena de prisão superior a cinco anos, dando a hipótese ao juiz de decretar a prisão preventiva até ao julgamento.

Obviamente que a nuance da legislação não escapa aos carteiristas que apesar de serem maioritariamente estrangeiros ‒ "os portugueses estão a desaparecer, talvez exista ainda uma meia dúzia e com alguma idade", adianta Resende da Silva ‒ estão bem informados.

Apesar de a polícia garantir que não há grupos organizados, existe quem forneça apoio logístico: "É claro que há indivíduos a lucrar com isso, recebem pelo apoio que dão aos que chegam, mas não são estruturas organizadas, apenas familiares."

"Há carteiristas a trabalhar sempre com os mesmos advogados. Quando são detidos pedem logo para os chamar e quando se vão embora passam os nomes aos que vêm para cá", acrescenta o comandante da divisão de investigação criminal que defende a necessidade de uma mudança legislativa para que possa ser possível punir com prisão preventiva quem é detido a furtar carteiras.
As queixas relacionadas com o furto de carteiras têm estado a diminuir ‒ em 2017 foram efetuadas 8476 e, até agosto de 2018, 5668, tendo sido detidas 179 pessoas ‒, mas os dados estatísticos não batem certo com o aquilo a que os agentes da PSP assistem diariamente.

"Temos a perceção de que é um crime a aumentar. Nos últimos dois a três anos as queixas subiram muito, mas também há muita gente que não apresenta queixa, pois tem um tempo limitado para estar em Lisboa. Muitos só apresentam porque precisam do comprovativo para poderem tratar dos documentos pessoais", frisou-nos Resende da Silva.



DA BAIXA À MOURARIA COM MAPA E TUDO

"Aquele ali está de volta. Já não o via cá há muito tempo. Isto quer dizer que os antigos estão a voltar a Lisboa." Voltámos ao nosso passeio pelas ruas de Lisboa com um profundo conhecedor das movimentações que existem por Alfama. Deparamo-nos, pelos vistos, com um "velho conhecido".

O homem - que estava acompanhado - também identificou a pessoa, e decidiu passar para o outro lado da rua, olhando e seguindo com o companheiro que até tinha um mapa na mão, como um verdadeiro turista.

O mapa é uma das ferramentas essenciais para este "trabalho". Os carteiristas atuam em trio, com uma tática simples - há sempre um terceiro que passa primeiro na zona e depois diz aos companheiros se vale a pena ir para aquela área ou se há polícia por perto.

Um fica uns metros atrás a ver as movimentações na rua ‒ por exemplo se os moradores estão atentos ou se há polícias conhecidos por perto ‒, enquanto o outro abre o mapa junto da mochila que um turista incauto leva às costas. Com o mapa aberto esconde a mão e abre o fecho retirando o que puder. Este esquema funciona melhor em ruas mais apertadas e com muita gente, como algumas nos bairros históricos, nomeadamente em Alfama, a caminho do Castelo. Um dos locais obrigatórios para quem sai dos navios de cruzeiro que atracam no terminal em Santa Apolónia. E até junho do ano passado passaram por Lisboa 166 barcos, com um total de 259 mil passageiros.

Além da zona do Castelo, miradouro de Santa Luzia e Portas do Sol, os carteiristas têm como áreas de atuação Bairro Alto, Cais do Sodré, Graça, Alfama, Mouraria. Estão também referenciados nos Jerónimos, na Torre de Belém e no Restelo. Sempre na rua, e em movimento, e cada vez mais raramente nos elétricos 15 e 28, devido à tipificação do crime já referida.




ALERTAS AOS TURISTAS

A atuação da PSP ‒ que pouco mais pode fazer do que deter os carteiristas, tirar-lhes fotografias para a base de dados e ir referenciando o aparecimento de novos, enquanto os mais conhecidos vão para outra zona turística da Europa ‒ tem nos bairros a colaboração de alguns moradores e trabalhadores no comércio local. Há, até, uma página de Facebook Pickpocket Lisbon  onde são colocadas fotografias e alertas para as movimentações destas duplas.

No Castelo, por exemplo, há quem vá a sair de casa de carro e buzine para avisar da sua presença, quem esteja à porta de estabelecimentos comerciais e grite ou assobie quando vê que se preparam para meter as mãos numa mochila ou numa mala de senhora, ou quem, como fazem os condutores de tuk-tuk, alerte os turistas que vão transportar.

"Todos os dias faço denúncias. Sei quem eles são, onde moram. Vejo todos os dias à minha frente assaltos." Eduardo Vieira trabalha com um tuk-tuk e conhece bem esta questão. Diz que este "ataque" já existe "há uns quatro anos. Mas em Paris é igual, Barcelona também".

Lidando diariamente com esta questão, Eduardo sabe os pontos mais sensíveis para quem visita Alfama. "O Panteão, a subida para a Sé, ou da Sé para as Portas do Sol, neste caso o passeio é muito estreito e as pessoas têm de seguir mais juntas. É o paraíso", adianta.

Problemas com os carteiristas não tem, recorda mesmo que só por uma vez houve problemas com condutores de tuk-tuk. "Foi nas Portas do Sol, mas foi só dessa vez." "Nós sabemos bem quem eles são, as roupas são sempre iguais. Chamamos a polícia, só que eles largam as coisas ou então metem-se num táxi e fogem", conclui.

Ou disfarçam, como nos contou um outro comerciante. "Estava com uma cliente aqui à porta e de repente ela percebeu que aquele [e aponta para um homem que passa casualmente do outro lado da rua] lhe estava a mexer na mala. Quando percebeu isso, ele só lhe disse: 'I'm joking, I'm joking.' E fugiu."




Carteiristas em lisboa, um trabalho da SIC feito em 2015 mas que continua completamente atual. 






CONSELHOS DA POLICIA DE SEGURANÇA PÚBLICA


● Compre o seu título de transporte com antecedência. Evite filas e ajuntamentos.

● Aguarde a chegada do seu transporte, em especial no período noturno, em locais bem iluminados e com visibilidade.

● Redobre a atenção à entrada e saída dos veículos e carruagens.

● Preste especial atenção a pessoas que provoquem encontrões, agitação, aglomeração ou contacto físico desnecessário, tanto junto às portas como no corredor.

● Ao viajar, especialmente durante a noite, procure paragens de autocarros / elétricos em zonas com boa visibilidade.

● Não se distraia com abordagens que o/a façam perder de vista os seus pertences.

● Mantenha os seus pertences junto a si, nunca os coloque sobre os bancos. Transporte a mala ou saco junto ao corpo, na parte da frente deste e segure com uma mão, se possível.

● Num veículo com poucos passageiros, procure sentar-se perto do condutor (no caso dos autocarros e elétricos). Se alguém o (a)    queixe-se a este.

● Cuidado com os carteiristas. Guarde a sua carteira num local seguro, junto ao corpo, que seja difícil de aceder.

● Não traga na carteira ou na mala quantias elevadas, coisas valiosas ou de grande interesse para si.

● Evite ostentar adornos ou joias de valor, mesmo que na realidade o não sejam ‒ ao longe, atraem o assaltante.

● Ande com as suas chaves fora da carteira, num bolso interior do vestuário.

● Evite adormecer, a ocasião faz o ladrão.

●Se for vítima de assalto não reaja. Capte o máximo de características possíveis dos assaltantes e ligue para o 112 ou dirija-se á esquadra mais próxima.

● Se for vitima de furto ou de roubo não deixe de apresentar queixa formal na PSP.

● Se considerar necessária a intervenção das Autoridades Policiais não hesite em pedir a ajuda de qualquer colaborador da CARRIS ou do METROPOLITANO DE LISBOA.


Maximize a sua segurança, minimizando a exposição ao perigo. 

A PREVENÇÃO É A SUA MELHOR PROTEÇÃO! 



NÚCLEO DE DEFESA PESSOAL DE LISBOA






21 de março de 2019

Revista CINTURÃO NEGRO ( Janeiro, Fevereiro, Março, - 2019)

Revista internacional de Artes Marciais, Desportos de Combate e Defesa Pessoal

CINTURÃO NEGRO - Edição Quinzenal

Clique no nº da revista para ler online ou fazer download


• Janeiro , nº373 - 2019 




 Janeiro , nº374 - 2019 




• Fevereiro , nº375 - 2019 




• Fevereiro , nº376 - 2019 




• Março , nº377 - 2019 




• Março , nº378 - 2019 





Revista Gratuita Cinturão Negro



13 de março de 2019

CRIANÇAS AGRESSIVAS NA ESCOLA

Os comportamentos agressivos em contexto escolar têm vindo a aumentar. A boa notícia é que, há formas de superar esta realidade e aprender a lidar com uma criança agressiva na escola. Saber como agir perante uma criança agressiva tem sido tema recorrente de vários estudos, bem como motivo de preocupação crescente entre pais, professores e outros educadores. Os impulsos agressivos são próprios do ser humano, sendo considerados um aspeto estruturante da personalidade quando geridos em proporções adequadas e com propósitos adaptativos. Com a ajuda da psicóloga Ana Graça vamos compreender melhor esta problemática e descobrir como ajudar as nossas crianças.



FACTOS A RETER SOBRE O COMPORTAMENTO AGRESSIVO NA INFÂNCIA

Há factos que nos fazem pensar e que conseguem explicar de certa forma, o porquê de uma criança ter um certo comportamento.

  • Depende da qualidade dos cuidados no período pré-natal e na primeira infância (0 a 5 anos);
  • A primeira infância é um período crítico para aprender a controlar comportamentos agressivos;
  • Antes dos 3 anos de idade, a maioria dos meninos e das meninas testa utilizar a agressão física;
  • Geralmente, as crianças utilizam agressão física quando estão sob emoções fortes ou como forma de alcançarem aquilo que querem;
  • As raparigas tendem a deixar de utilizar agressão física mais cedo do que rapazes;
  • As raparigas utilizam com mais frequência a agressão indireta (por exemplo, falar mal de um amigo) mais cedo e mais frequentemente do que rapazes;
  • Com o desenvolvimento de habilidades sociais e de linguagem, a maioria das crianças já não utiliza agressão física;
  • Todas as crianças, em algumas fases do seu desenvolvimento, recorrem pontualmente a comportamentos agressivos para lidar com situações de maior ansiedade ou conflito, mas estes comportamentos tendem a desaparecer com o crescimento;
  • Estilos parentais permissivos, inconstantes e negligentes podem contribuir para que a criança adote comportamentos agressivos.


AGRESSIVIDADE NA ESCOLA



A entrada da criança no contexto educacional e o primeiro contacto com os pares, acarretam uma grande expectativa em relação às aptidões e papéis sociais que devem desempenhar.

É no contexto escolar que os comportamentos agressivos se tornam mais evidentes. A criança agressiva na escola exibe um padrão repetitivo e persistente de agressividade, que prejudica os outros e viola as regras sociais.

O seu comportamento caracteriza-se por não dominar os impulsos agressivos, revelar uma atitude positiva perante a agressão e agir como se esta fosse socialmente aceitável. Estes comportamentos disruptivos da criança agressiva na escola dificultam o trabalho a desempenhar por professores e educadores.

A repetição desses comportamentos somada às dificuldades manifestadas pelos professores/educadores em lidar com a agressividade faz com que as condutas inadequadas persistam, prejudicando a aprendizagem e a socialização.

Para além do prejuízo do desempenho académico, a criança agressiva na escola tem também, habitualmente, maiores dificuldades no estabelecimento de relações saudáveis.

Crianças que defrontam e vitimizam os seus colegas e os professores/educadores de forma sistemática e apresentam oposição à realização de tarefas e regras escolares, são frequentemente rejeitadas no contexto escolar, recebendo menor investimento afetivo e académico dos professores/educadores e dos colegas.

Outro aspeto característico da criança agressiva na escola é a rejeição entre pares, ou seja, devido aos comportamentos que adota tem maior probabilidade de vir a ser rejeitada pelos seus colegas.

O problema da agressividade surge associado a uma multiplicidade de fatores, entre as quais as relações estabelecidas na escola; o clima organizacional; o meio no qual a escola se insere; o sistema de gestão da disciplina; as práticas educativas; o insucesso escolar; baixos níveis de tolerância; baixa autoestima; exposição à violência no âmbito familiar; dinâmicas familiares; violência televisiva; imaturidade emocional; ausência de regras e limites em casa.



COMO LIDAR COM UMA CRIANÇA AGRESSIVA NA ESCOLA?



A violência é um problema social e a escola tem um papel fundamental na sua redução através de ações e programas preventivos, idealmente desenvolvidos em parceria com as famílias, envolvendo-as com o problema. Essas ações devem sempre tentar:

1.Garantir que as interações entre crianças pequenas são supervisionadas de perto;

2.Ter normas bem claras, bem estabelecidas e que estejam bem explícitas na sala de aula;

3.Ouvir e dar atenção às reclamações, depoimentos e denúncias dos alunos quando estas se referem a violência;

4.Encorajar a criança a expressar verbalmente as suas emoções e a desenvolver a sua sensibilidade para com os outros;

5.Demonstrar que existem formas não agressivas de se relacionar com os outros e com o meio ambiente;

6.Ajudar a criança a encontrar outras formas de obter o que deseja sem recorrer à agressão;

7.Aplicar sanções adequadas à idade, que promovam aprendizagem (por exemplo, consolar a vítima, compensar por qualquer dano causado, pedir desculpas, etc.);

8.Garantir que a criança não retira benefícios do comportamento agressivo;

9.Reforçar e elogiar os aspetos positivos da criança e os seus sucessos, de forma que se sinta segura e confiante;

10.Reforçar o desenvolvimento de competências sociais em contexto familiar e escolar;

11.Manter uma relação estreita e cooperante com a família, de modo a contribuir para o desenvolvimento harmonioso da criança;

12.Verificar com os responsáveis pelos espaços de recreio e transporte escolar como são tratados os alunos nestes contextos e como decorre a interação entre eles;

13.Desenvolver projetos educativos que promovam a cidadania, o respeito pelo outro e a não-violência;

14.Promover o desporto escolar, especialmente os desportos de equipa;

15.Facilitar o acesso a jogos didáticos que promovam boas práticas.


Como lidar com crianças agressivas e conflituosas

Quando as contendas entre crianças são frequentes, o que podem os pais fazer? Como se consegue educar uma criança com comportamento agressivo?


Os pequenos e as crianças de idade pré-escolar lutam frequentemente pelos brinquedos. Algumas crianças são recompensadas involuntariamente pelo seu comportamento agressivo. Por exemplo, pode ser que uma criança empurre a outra, atirando-a ao chão e apanhe o seu brinquedo. Se a outra criança chorar e se afastar, a criança agressiva sente-se vitoriosa, já que conseguiu o brinquedo. É importante identificar se esse padrão está acontecendo nas crianças agressivas.


O QUE SE DEVE FAZER COM AS CRIANÇAS AGRESSIVAS

Quando as lutas são frequentes, isso pode ser um sinal de que a criança tem outros problemas. Por exemplo, pode estar triste ou alterada, ter problemas para controlar a coragem, ter sido testemunha de violência ou ter sido vítima de abuso no cuidado diurno, na escola ou mesmo em casa. As investigações têm demonstrado que as crianças que são fisicamente agressivas em idade muito pequena, têm tendência a continuar com este comportamento quando crescerem. Os estudos também demonstraram que as crianças que são expostas à violência e à agressão repetidamente através da televisão, vídeos e filmes, agem de forma mais agressiva.

Se uma criança pequena tem problemas persistentes com a ação de bater e de morder, ou exibe um comportamento agressivo, os pais devem procurar ajuda profissional de um pediatra, neuro-pediatra, psicólogo ou mesmo um psiquiatra de crianças e adolescentes ou de outro profissional de saúde mental que se especialize na avaliação e tratamento dos problemas do comportamento de crianças pequenas.

- A intervenção precoce é muito mais efetiva. Não espere que a criança comece a mostrar um comportamento mais agressivo. Intervenha logo que observar que ela se sente frustrada ou que se altera com facilidade.

- Quando as crianças pequenas bulham com frequência, controlem-nas mais de perto.

- Se uma criança bater em outra criança, separe rapidamente os dois. Console e ampare de imediato a criança que foi agredida.

- Ao bebe que começa a andar (1 a 2 anos), diga-lhe: “Não batas. Dói quando tu bates”.

- A uma criança pequena (de 2 a 3 anos), diga-lhe: “Eu sei que tens coragem, mas não batas”. Isso começa a ensinar-lhe a empatia com as outras crianças.

- Não bata na criança se ela estiver a bater nas outras. Isso a ensinará a utilizar um comportamento agressivo.

- Os pais não devem ignorar ou depreciar as discussões e lutas entre irmãos.

- Ensine-lhes que a agressão não é a forma correta para se conseguir o que se quer. Por exemplo: imaginemos o caso de dois miúdos, um de 6 e outro de 4 anos de idade. O maior está a jogar à bola até que o mais pequeno aparece para se apoderar dela. E ali iniciam-se as brigas e gritos. O pequeno grita e esperneia porque quer a bola. Se interferirmos, exigindo que o maior conceda a bola ao mais pequeno, estaremos a fazer um reforço negativo, que levará o mais pequeno a espernear e a gritar sempre que quiser alguma coisa. 

A psicóloga infantil Adriana Lot Dias, partilha connosco algumas dicas valiosas que nos podem ajudar a controlar e prevenir o comportamento agressivo das crianças. 







1 de março de 2019

28 ESTRATÉGIAS DE SALA DE AULA PARA ALUNOS COM DÉFICE DE ATENÇÃO OU IMPULSIVOS


Um dos grandes desafios para os professores hoje em dia é conseguir gerir turmas de cerca de 30 alunos, em que alguns desses alunos apresentam dificuldades em manter a atenção e/ou revelam excesso de atividade motora e comportamentos impulsivos.


O presente texto reúne algumas ideias e estratégias simples para que os professores consigam lidar com os alunos com Défice de Atenção, isto é, com crianças com dificuldades em manter a atenção durante um longo período de tempo e que estão “sempre com a cabeça na lua”, mas também com os alunos que apresentem comportamentos impulsivos e excesso de atividade motora, ou seja, crianças com dificuldade em manterem-se focados numa só tarefa e que têm “bicho-carpinteiro”.


Ideias e Estratégias  para alunos com Défice de Atenção

• Faça uma pequena pausa e promova a curiosidade (suspense), como por exemplo olhando ao redor antes de colocar uma questão;
• Avise que alguém vai ter que responder a uma pergunta sobre aquilo que está a ser dito;
• Escolha aleatoriamente os alunos para ler/responder a uma questão, de modo a que não consigam prever quando devem estar atentos;
• Utilize o nome do aluno quando colocar uma questão;
• Faça uma pergunta simples ao aluno (não relacionada com o assunto em questão) quando perceber que este está a começar a perder a atenção;
• Crie uma “piada privada” entre si e o aluno, de modo a envolvê-lo novamente na aula;
• Percorra a sala de aula e dê um toque discreto no ombro do aluno enquanto está a ensinar algo importante;
• Percorra a sala de aula e vá tocando discretamente no sítio exato da página que está a ser lido ou discutido no momento;
• Alterne entre atividades físicas e mentais;
• Aumente a novidade das aulas ao usar filmes, cartões (flashcards), trabalhos de grupo;
• Incorpore os interesses dos alunos no planeamento das aulas;
• Dê instruções simples e concretas;
• Ensine aos alunos estratégias de auto-monitorização;
• Utilize uma voz suave para dar instruções.




Ideias e Estratégias para alunos com Comportamentos Impulsivos

• Dê-lhe atenção positiva e reconhecimento tanto quanto possível;
  Clarifique as regras da sala de aula;
• Estabeleça um sinal entre si e o aluno;
• Crie o hábito de esperar 10 a 15 segundos antes de responder;
• Analise as respostas irrelevantes dadas pelo aluno e procure possíveis relações com a pergunta;
• Peça ao aluno para repetir a pergunta antes de responder;
• Escolha um aluno para ser o “detentor da pergunta” (para repetir a pergunta ao aluno);
• Ao introduzir uma nova matéria, peça aos alunos para fazerem perguntas antes de ser lecionada a matéria;
• Retire da sala de aula toda a estimulação desnecessária;
• Certifique-se que as tarefas propostas são curtas;
• Transmita que a precisão vale mais que a rapidez;
• Utilizando o relógio da sala de aula, diga aos alunos quanto tempo têm para a realização de uma determinada tarefa;
• Peça que os alunos tenham um ficheiro com todos os seus trabalhos completos;
• Incentive o planeamento utilizando com frequência listas, o calendário, tabelas e imagens na sala de aula.

Adaptado de “Suggested Classroom Interventions For Children With ADD & Learning Disabilities”