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21 de junho de 2026

Entre a Intenção e a Oportunidade: o que o Triângulo do Crime nos ensina sobre Autoproteção

Em algum momento da vida, quase todos nos interrogamos sobre o motivo pelo qual determinadas pessoas se tornam vítimas de um crime, enquanto outras, aparentemente em circunstâncias semelhantes, passam despercebidas. Será apenas uma questão de azar? Estará tudo dependente da presença de um indivíduo mal-intencionado? Ou existirão outros fatores que ajudam a compreender por que razão algumas situações evoluem para um ato criminoso?


Na área da criminologia e da prevenção do crime, existe um modelo simples, mas particularmente útil, conhecido como Triângulo do Crime. Segundo este modelo, para que um crime aconteça, tendem a estar presentes três elementos essenciais: a vontade, a capacidade e a oportunidade.

Naturalmente, nenhum modelo consegue explicar todas as situações da vida real. No entanto, a simplicidade deste triângulo permite-nos compreender algo importante: a segurança pessoal não depende apenas daquilo que os outros decidem fazer, mas também da forma como nos relacionamos com o ambiente que nos rodeia e das escolhas que fazemos diariamente.

Mais do que explicar o comportamento criminoso, este modelo convida-nos a refletir sobre aquilo que está ao nosso alcance influenciar.


A vontade: querer cometer o crime

A vontade representa a intenção ou motivação para cometer um ato criminoso. As razões podem ser muito diversas. Algumas pessoas procuram obter vantagens económicas. Outras agem por raiva, ressentimento ou desejo de vingança. Há quem seja influenciado pelo consumo de álcool ou outras substâncias, quem ceda à pressão do grupo ou quem desenvolva, ao longo do tempo, uma atitude oportunista ou predatória.

Independentemente das causas, importa reconhecer uma realidade simples: não podemos controlar a vontade dos outros. Não nos compete mudar as escolhas de terceiros nem antecipar todas as suas intenções.

Aceitar esta realidade não significa caminhar pela vida à espera do pior. Significa apenas reconhecer que nem todas as pessoas respeitam os mesmos princípios e que algumas estarão dispostas a aproveitar distrações, vulnerabilidades ou circunstâncias favoráveis para atingir os seus objetivos.

Desenvolver uma perceção equilibrada do mundo não implica ver ameaças em todo o lado, mas também não exige acreditar que todas as pessoas agirão sempre de forma responsável. Talvez uma das maiores contribuições deste modelo seja precisamente recordar-nos que a segurança pessoal não depende apenas de desejar que nada aconteça. Exige, em certa medida, compreender a realidade tal como ela é.


A capacidade: poder transformar a intenção em ação

Ter vontade não é suficiente. Para que um crime seja cometido, é geralmente necessário possuir alguma forma de capacidade para o concretizar.

Essa capacidade pode assumir muitas formas diferentes. Pode traduzir-se em força física, experiência criminal, conhecimentos técnicos, acesso a ferramentas específicas ou mesmo competências sociais que permitam manipular, enganar ou ganhar a confiança de outra pessoa.

Um burlão, por exemplo, pode não necessitar de qualquer superioridade física, mas revelar grande habilidade para explorar emoções humanas, criar urgência ou despertar falsas expectativas. Um ladrão poderá conhecer técnicas que lhe permitam abrir um veículo em poucos segundos. Um agressor pode procurar pessoas que aparentem estar distraídas, isoladas ou emocionalmente vulneráveis.

Esta perspetiva ajuda-nos a compreender que a prevenção do crime não depende apenas de aumentarmos as nossas capacidades de defesa física. Em muitos casos, passa igualmente por dificultar a tarefa de quem procura explorar fragilidades, surpreender uma vítima ou agir sem ser detetado.

Por vezes, pequenas medidas podem fazer uma diferença significativa. Uma comunicação assertiva, uma postura mais confiante, a definição clara de limites pessoais ou a adoção de comportamentos que transmitam atenção e presença podem aumentar substancialmente o esforço necessário para que alguém concretize uma intenção criminosa.


A oportunidade: quando as circunstâncias parecem favoráveis

Dos três elementos do triângulo, a oportunidade é provavelmente aquele sobre o qual o cidadão comum consegue exercer maior influência.

A oportunidade surge quando uma pessoa motivada e capaz encontra circunstâncias que lhe parecem favoráveis para agir, com reduzido risco de ser identificada, interrompida ou responsabilizada.

Os exemplos são inúmeros e fazem parte do quotidiano. Um computador portátil deixado visível no banco traseiro de um automóvel, a utilização constante do telemóvel enquanto se caminha por uma zona pouco movimentada, a divulgação excessiva de informações pessoais nas redes sociais ou a abertura da porta de casa sem confirmar a identidade de quem está do outro lado são situações que podem aumentar oportunidades para determinados tipos de crime.

Importa fazer aqui um esclarecimento importante. Reduzir oportunidades não significa responsabilizar vítimas pelo comportamento dos agressores. A responsabilidade por qualquer ato criminoso pertence sempre a quem o decide praticar.

No entanto, reconhecer que determinados comportamentos podem facilitar a ação de terceiros permite-nos adotar estratégias simples de redução de risco. Tal como fechamos as janelas quando começa a chover ou utilizamos o cinto de segurança antes de iniciar uma viagem, também podemos desenvolver hábitos que diminuam a exposição a situações potencialmente problemáticas.


A segurança constrói-se nas pequenas escolhas

Muitas das decisões que tomamos ao longo do dia parecem insignificantes. Escolher um percurso em vez de outro, guardar o telemóvel no bolso enquanto caminhamos, informar alguém sobre a hora prevista de chegada a casa ou prestar atenção ao ambiente que nos rodeia são gestos tão banais que raramente lhes atribuímos importância. Contudo, a segurança pessoal constrói-se frequentemente através destas pequenas escolhas.

O Triângulo do Crime recorda-nos que, embora não possamos controlar as intenções dos outros, continuamos a ter alguma influência sobre o contexto em que nos movemos. Podemos reduzir distrações, reforçar limites, proteger melhor a nossa privacidade, procurar apoio quando necessário e aprender a reconhecer sinais que despertam desconforto ou suspeita.

Nenhuma destas medidas oferece garantias absolutas. A vida continuará a ser imprevisível e existirão sempre situações que escapam ao nosso controlo. Ainda assim, desenvolver hábitos discretos e consistentes pode contribuir para dificultar a convergência entre vontade, capacidade e oportunidade.


Quebrar um dos lados do triângulo

Uma das ideias mais interessantes deste modelo reside precisamente na sua simplicidade. Para diminuir significativamente a probabilidade de um crime ocorrer, nem sempre é necessário eliminar todos os fatores envolvidos. Muitas vezes, basta enfraquecer um dos lados do triângulo.

Não podemos impedir que determinadas pessoas tenham intenções criminosas. No entanto, podemos reduzir oportunidades, aumentar a dificuldade de execução de determinadas ações e criar condições menos apelativas para quem procura um alvo fácil.

Uma boa iluminação exterior, sistemas de segurança adequados, maior cuidado com a informação pessoal que partilhamos, competências de comunicação assertiva ou a capacidade de escutar a própria intuição quando algo não parece correto são exemplos de pequenas medidas que podem contribuir para esse objetivo.

Talvez seja precisamente aqui que este modelo revela a sua maior utilidade. Em vez de nos colocar numa posição passiva perante o risco, recorda-nos que continuamos a possuir uma margem de influência. Não controlamos as intenções dos outros, mas podemos desenvolver hábitos, competências e atitudes que tornem determinadas situações menos apelativas para quem procura uma oportunidade fácil.

Não se trata de viver em permanente estado de alerta, nem de desconfiar sistematicamente de quem nos rodeia. Trata-se, antes, de cultivar uma atenção serena, semelhante à que dedicamos a outros aspetos importantes da nossa vida. Porque cuidar da nossa segurança é, em última análise, uma forma de cuidar da nossa liberdade, da nossa tranquilidade e das pessoas que nos são próximas.


Compreender para agir

O Triângulo do Crime não oferece fórmulas mágicas nem garantias absolutas. O seu valor reside sobretudo em ajudar-nos a compreender que muitos acontecimentos não surgem do nada. Resultam frequentemente do encontro entre uma intenção, uma capacidade e uma oportunidade.

Conhecer este modelo permite-nos olhar para a segurança pessoal de uma forma menos fatalista e mais participativa. Sem alimentar receios desnecessários, convida-nos a reconhecer que existem pequenas escolhas, atitudes e hábitos que podem contribuir para reduzir riscos e aumentar a nossa margem de segurança.

Talvez a questão mais útil não seja perguntar: «Serei capaz de reagir se um problema surgir?» Talvez seja mais interessante perguntar: «O que posso fazer hoje para tornar menos provável que esse problema venha a acontecer?»

No âmbito do programa Dynamic Self Defense, temos vindo a refletir precisamente sobre esta perspetiva. Compreender como surge uma oportunidade criminal é apenas uma parte do caminho. A outra passa por desenvolver formas de pensar, agir e estar que favoreçam decisões mais seguras e uma relação mais consciente com o mundo que nos rodeia. Procuraremos explorar essa ideia num próximo artigo.

Porque, muitas vezes, a segurança não se constrói em momentos extraordinários. Constrói-se discretamente, nas escolhas quase invisíveis que fazemos todos os dias e às quais raramente damos importância, até ao momento em que percebemos o valor que realmente tinham.







9 de março de 2026

Autodefesa Feminina: Consciência, Prevenção e Mais Opções Perante a Violência


Os números divulgados recentemente pelo Observatório deMulheres Assassinadas são difíceis de ignorar. Entre 2002 e 2025, 709 mulheres foram assassinadas em Portugal. No mesmo período, 939 foram vítimas de tentativa de homicídio. Em média, são cerca de 32 mulheres mortas por ano.

Por trás destes números existem histórias interrompidas, famílias devastadas e vidas marcadas pela violência. E existe também um padrão que merece uma reflexão profunda: a maioria destes crimes ocorre dentro de relações de intimidade. Companheiros ou ex-companheiros são responsáveis por grande parte dos homicídios.

Outro dado particularmente inquietante revela que, na maioria dos casos de femicídio, existia violência prévia. E em cerca de 80% das situações essa violência já era conhecida por outras pessoas. Isto significa que estes crimes raramente surgem do nada. Na maior parte das vezes, há sinais, comportamentos e episódios anteriores que indicam que algo está errado. É precisamente neste ponto que começa uma das dimensões mais importantes da autodefesa.

 

Autodefesa começa antes do confronto

Quando se fala em autodefesa, a imaginação coletiva tende a fixar‑se no visível: movimentos, técnicas, respostas físicas que se aplicam num confronto direto. É natural, é o fragmento mais dramático e fácil de imaginar, o que muitos identificam de imediato como "defender‑se". Mas a autodefesa, no seu sentido mais profundo, começa muito antes disso. A componente física é apenas a última linha de resposta. Antes dela existe um conjunto de competências muito mais amplo que envolve consciência, leitura da realidade, capacidade de decisão e gestão emocional.

A autodefesa começa na capacidade de reconhecer sinais de perigo. Começa quando alguém aprende a identificar comportamentos abusivos, atitudes de controlo ou padrões de manipulação emocional que, muitas vezes, surgem muito antes da violência física.

Em muitas situações de violência doméstica, os primeiros sinais aparecem de forma subtil. Ciúmes excessivos, tentativas de controlo, isolamento progressivo da família e dos amigos, críticas constantes ou formas de humilhação emocional. Com o tempo, estes comportamentos podem evoluir para agressões físicas.

Perceber estes sinais e compreender estas dinâmicas pode ser um passo decisivo para quebrar ciclos de violência.

 

A importância da consciência e da informação

Uma pessoa informada tem mais possibilidades de agir mais cedo. Conhecer os sinais de alerta, compreender como a violência pode evoluir dentro de uma relação e perceber quais são os momentos de maior risco permite tomar decisões com mais consciência.

Os dados mostram, por exemplo, que muitos homicídios acontecem quando a mulher decide terminar a relação. Esse momento, que deveria representar um passo em direção à liberdade, pode transformar-se numa fase de maior vulnerabilidade. Ter consciência desta realidade não significa viver com medo. Significa simplesmente estar mais preparada para lidar com situações difíceis.

A autodefesa, neste sentido, não é apenas física. É também psicológica, emocional e estratégica. É a capacidade de olhar para uma situação com clareza e de escolher o caminho que oferece maiores possibilidades de segurança.

 

Redes de apoio salvam vidas

Outro elemento fundamental na prevenção da violência é a existência de redes de apoio. Os dados indicam que em cerca de 80% dos casos de violência existiam pessoas que sabiam do que estava a acontecer. Familiares, amigos, vizinhos ou colegas tinham percebido sinais de que algo não estava bem. Isto mostra que a violência raramente acontece completamente escondida. Muitas vezes existem sinais que podem ser reconhecidos.

Falar sobre o problema, procurar apoio ou partilhar a situação com alguém de confiança pode ser um passo extremamente importante. Nenhuma pessoa deveria enfrentar uma situação de violência sozinha.

 


Onde entra a autodefesa física

Dentro desta visão mais ampla de autoproteção, a autodefesa física tem também o seu lugar. Não é uma solução mágica nem pretende substituir o apoio institucional, social ou legal. Mas pode acrescentar algo importante: mais opções.

Aprender estratégias simples de defesa pessoal pode ajudar a desenvolver maior confiança, melhorar a consciência corporal e aumentar a capacidade de reagir sob pressão. Em muitas situações reais, o objetivo da autodefesa não é vencer uma luta. O objetivo é criar uma oportunidade para escapar. Um movimento simples pode permitir libertar-se de um agarramento, criar espaço e sair rapidamente de uma situação perigosa.

Quando integrada numa abordagem mais ampla de autoproteção, a autodefesa física torna-se uma ferramenta útil dentro de um conjunto maior de recursos.


A dimensão interior da autodefesa

Existe ainda outro espeto importante que muitas vezes passa despercebido. Treinar autodefesa pode contribuir para transformar a forma como uma pessoa se vê a si própria. O treino desenvolve confiança, presença e uma relação diferente com o próprio corpo.

Muitas mulheres que participam em aulas de autodefesa descrevem uma mudança subtil mas significativa na forma como caminham, como se posicionam e como comunicam com o mundo à sua volta. A postura torna-se mais segura. O olhar mais atento. A atitude mais assertiva.

Essa mudança interior tem um impacto real. A forma como nos movemos, como ocupamos o espaço e como comunicamos transmite sinais ao ambiente à nossa volta. E, muitas vezes, a confiança pode funcionar também como um fator de dissuasão.

 

Uma responsabilidade que pertence à sociedade

É importante afirmar algo com total clareza. A responsabilidade pela violência nunca é da vítima. Nenhuma mulher deveria sentir que a sua segurança depende exclusivamente das suas próprias capacidades.

O combate à violência contra as mulheres exige respostas firmes da sociedade. Exige justiça eficaz, prevenção, educação e intervenção junto dos agressores. A autodefesa não substitui essas respostas. Mas pode contribuir para algo muito importante: fortalecer a autonomia, a consciência e a capacidade de escolha.

 

Mais consciência, mais liberdade

A violência contra as mulheres continua a ser uma realidade grave na nossa sociedade. Os números mostram que não se trata de episódios isolados. Por isso, cada passo em direção à informação, à prevenção e ao fortalecimento pessoal pode fazer a diferença.

Autodefesa não significa viver com medo. Significa viver com consciência. Significa compreender melhor o mundo à nossa volta, reconhecer sinais de perigo e desenvolver recursos para lidar com situações difíceis.

No fundo, autodefesa é também isto: reforçar a capacidade de cada pessoa proteger a própria dignidade, a própria liberdade e o próprio direito a viver em segurança. E quanto mais cedo essa consciência começa a ser cultivada, mais caminhos se abrem para viver com confiança e autonomia.


______________________



Se estás numa situação de violência ou conheces alguém que esteja

A violência doméstica não é um problema privado. É um crime. E ninguém tem de enfrentá-lo sozinho.

Se estás em perigo imediato, liga 112.

Se precisas de apoio, informação ou orientação confidencial, podes contactar:

Linha Nacional de Informação às Vítimas de Violência Doméstica
800 202 148
Disponível 24 horas por dia, todos os dias do ano. Chamada gratuita e confidencial.

APAV – Linha de Apoio à Vítima
116 006
Apoio psicológico, jurídico e encaminhamento para serviços de proteção.


Também existem aplicações gratuitas para telemóvel que podem ajudar a encontrar apoio e informação:

Bright Sky Portugal - Uma aplicação gratuita criada pela Fundação Vodafone, em parceria com a Associação para o Planeamento da Família (APF) e com o apoio da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG). O objetivo é informar, apoiar e orientar pessoas que estejam numa relação abusiva ou que conheçam alguém nessa situaçãoInclui conteúdos informativos, questionários de avaliação de risco e uma lista de serviços de apoio em Portugal.

AppVD – Apoio Contra a Violência Doméstica - É uma aplicação gratuita para smartphones criada pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), no âmbito de medidas públicas de prevenção e apoio às vítimas. A aplicação reúne, num único lugar, informação atualizada sobre os serviços da Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica e permite localizar facilmente entidades de apoio próximas.


Se conheces alguém que possa estar a viver uma situação de violência, ouve sem julgar, acredita no que te é dito e incentiva a procurar ajuda. O apoio de uma pessoa próxima pode ser um passo decisivo.

Ninguém merece viver com medo. Procurar ajuda pode ser o primeiro passo para recuperar segurança, dignidade e liberdade.



AUTODEFESA.PT



28 de novembro de 2024

Flamaid: Segurança Pessoal na Palma da Mão




O medo de caminhar sozinho à noite é um sentimento que muitos conhecem bem, especialmente as mulheres. Foi esse receio que inspirou Julieta Rueff a criar o Flamaid, um dispositivo de segurança pessoal inovador, capaz de emitir um alarme poderoso e, ao mesmo tempo, alertar contatos de emergência através de um aplicativo no telemóvel.


Uma Promessa Transformada em Ação

A ideia surgiu de uma experiência marcante na vida de Julieta. Num momento de vulnerabilidade, ela decidiu que ninguém deveria enfrentar a insegurança sem uma rede de apoio. "Não queria apenas um dispositivo; queria um símbolo de confiança e proteção", explica. Em 2023, a promessa tomou forma: nasceu o Flamaid, carinhosamente apelidada de "granada de paz".

Este pequeno, mas poderoso, alarme combina várias funcionalidades:

● Um som de 110 decibéis* capaz de chamar atenção mesmo em grandes multidões.

● Uma aplicação que partilha a localização em tempo real com contatos de emergência.

●  Uma estrutura resistente, impossível de desativar por terceiros.

A missão é clara e impactante: garantir que todos cheguem a casa em segurança.



De Chama de Inspiração a Rede de Segurança

Julieta sempre foi sensível às questões de segurança, especialmente ao ver amigas e familiares em situações de risco. "Transformei a impotência em ação", conta. O nome do dispositivo reflete essa visão: Flamaid junta as palavras flame (chama) e aid (ajuda), simbolizando força, luz e apoio em momentos críticos.

Apesar do design compacto, o Flamaid é uma peça de tecnologia avançada. O som foi projetado para se destacar em ambientes ruidosos, e a integração com a aplicação permite uma resposta ágil e personalizada. "O que diferencia o Flamaid é a sua robustez, simplicidade e a conexão direta com uma rede de segurança confiável", afirma Julieta.



Superando Desafios e Construindo Confiança

Trazer o Flamaid ao mercado foi um desafio. Desde a escolha de parceiros estratégicos até a obtenção de certificações rigorosas, cada passo foi encarado com determinação. Mas, segundo Julieta, o maior obstáculo foi emocional: "O medo de falhar estava sempre lá, mas aprendi a ver cada dificuldade como uma oportunidade de crescer."

O esforço valeu a pena. Após o lançamento inicial, o feedback dos utilizadores tem sido incrivelmente positivo. Pais destacam a tranquilidade que o dispositivo proporciona para proteger os seus filhos. Atualizações constantes, como capas coloridas e melhorias na aplicação, têm reforçado a confiança dos consumidores.


Mais Que Um Dispositivo, Um Movimento

O Flamaid já salvou vidas e trouxe segurança a quem antes vivia com medo. Julieta partilha um relato pessoal: "Passei meses sendo seguida por alguém que conhecia as minhas rotinas. O Flamaid trouxe-me uma sensação de proteção que nunca tive antes."

Com certificações europeias e colaborações em andamento com serviços de emergência, o objetivo da marca é ambicioso: tornar a segurança acessível globalmente e antecipar riscos antes que eles se tornem problemas críticos.


A Segurança ao Alcance de Todos

O Flamaid não é apenas um produto; é um símbolo de empoderamento e proteção. Para os estudantes de defesa pessoal, pode ser uma ferramenta essencial, reforçando o que aprendem em aula: estar preparado e agir com confiança.

Julieta Rueff tem uma visão clara: "A minha missão é garantir que todos, sem exceção, possam chegar a casa seguros. O Flamaid é mais que um dispositivo; é um compromisso com a vida."

Este pequeno dispositivo lembra-nos que a segurança é um direito de todos. Seja você um estudante de defesa pessoal ou alguém que apenas quer sentir-se mais protegido, o Flamaid representa mais do que um alarme. Representa esperança, força e a certeza de que, em momentos difíceis, ninguém está sozinho.


A NOSSA OPINIÃO

Um dispositivo de proteção pessoal como o Flamaid pode ser uma ferramenta valiosa em situações de risco. No entanto, é preciso ter em consideração os prós e os contras deste tipo de equipamento.

 

PRÓS

1. Som de 100 decibéis

  Visibilidade imediata: Um som tão alto pode atrair a atenção de pessoas próximas e dissuadir possíveis agressores.

●   Eficaz em emergências: O ruído intenso cria um ambiente desconfortável para o atacante, que pode abandonar a tentativa devido ao medo de exposição.

● Alcance elevado: Um som nessa faixa pode ser ouvido a distâncias significativas, aumentando as chances de receberes ajuda rapidamente.

2. Partilha de localização em tempo real

● Maior segurança: Permite que contactos de emergência saibam onde estás, mesmo que não consigas comunicar verbalmente.

● Tempo de resposta reduzido: Autoridades ou amigos podem intervir rapidamente ao saber exatamente onde estás.

● Ideal para deslocações a pé ou em zonas isoladas: Esta funcionalidade é particularmente útil para pessoas que costumam andar sozinhas em locais com pouca movimentação.

3. Fixação fácil em roupas e bolsas

● Praticidade: A facilidade de fixação garante que o dispositivo esteja sempre acessível, reduzindo o tempo necessário para usá-lo em situações de emergência.

● Versatilidade: Pode ser usado com diferentes tipos de vestuário ou acessórios, adaptando-se ao estilo e rotina do utilizador.

4. Revestimento de silicone hipoalergénico

● Durabilidade aumentada: O silicone protege contra danos causados por quedas, impacto ou exposição ao clima, como chuva ou poeira.

● Conforto e segurança: Por ser hipoalergénico, evita irritações na pele, tornando-o adequado para uso prolongado por pessoas com sensibilidades.

 

CONTRAS

1. Limitações do sistema de localização

Dependência de sinal GPS e internet: Em áreas com má cobertura de rede, a funcionalidade de partilha de localização pode não funcionar corretamente.

● Privacidade comprometida: Se não estiver bem protegido, o sistema pode ser explorado por hackers, expondo a localização do utilizador.

2. Preço e manutenção

Custo: Dispositivos com múltiplas funcionalidades (alarme, GPS, estrutura robusta) tendem a ser mais caros. No caso do Flamaide, o custo de €40 pode ser impeditivo para algumas bolsas.

● Manutenção e bateria: Garantir que o dispositivo está funcional pode exigir carregamento frequente e eventualmente substituição de peças, o que pode ser inconveniente.

3. Possíveis falsos alarmes

● Ativação acidental: O som do alarme pode ser ativado por engano, causando desconforto e pânico desnecessário.

4. Uso limitado em certos contextos

● Ruído ambiental elevado: Em áreas barulhentas, como grandes cidades ou eventos, o som pode não ser tão eficaz.

● Dependência de utilizador: Em situações de alta tensão, o utilizador pode não conseguir ativar o dispositivo rapidamente.


CONCLUSÃO

O Flamaid é uma ferramenta valiosa para aumentar a segurança em situações de risco, oferecendo recursos como um som de alta intensidade para dissuadir agressores e a partilha de localização em tempo real para facilitar o resgate. Contudo, é essencial lembrar que a prevenção e os conhecimentos em segurança pessoal e autodefesa são igualmente, ou até mais, importantes do que qualquer dispositivo tecnológico.

Saber identificar riscos, manter uma postura confiante e conhecer técnicas básicas de autodefesa pode muitas vezes evitar situações perigosas antes que aconteçam. O dispositivo é um complemento eficaz, mas nunca deve substituir uma abordagem ativa e consciente para a segurança pessoal. Assim, combinando ferramentas como o Flamaid com uma boa formação em autoproteção, estarás melhor preparado para lidar com imprevistos.






* Exemplos do som com um nível de 100 decibéis: O ruído de uma motocicleta a cerca de 8 metros de distância, uma serra elétrica em funcionamento, o alarme de um carro ou o som de um martelo pneumático.


31 de maio de 2024

Aumento da Criminalidade Violenta em Portugal


Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna, a criminalidade geral aumentou. Apesar de os moradores e autarcas se mostrarem preocupados com a situação e pedirem mais policiamento urbano, a PSP desvaloriza e diz que mais policias na rua até pode ter um efeito contrário dando uma imagem de insegurança. (2024)

Perante o aumento da criminalidade e da violência, utiliza estas dicas para melhorar a tu segurança pessoal. Não existem regras fixas, adapta estes conceitos à tua realidade.


1. MANTÉM-TE ATENTO E VIGILANTE

● Consciência Situacional: Procura ficar atento ao ambiente que te rodeia. Evita distrações, como o uso excessivo do telemóvel enquanto caminhas.

● Caminha com Propósito: Anda de forma confiante e determinada. Normalmente, os predadores evitam alvos que parecem vigilantes e decididos.

2. INFORMA-TE ANTECIPADAMENTE

● Conhecimento prévio: Conhece as áreas seguras e perigosas da cidade. Evita locais conhecidos por serem problemáticos e com potencial criminalidade, especialmente à noite.

● Percursos Seguros: Planeja bem os teus itinerários, utilizando caminhos bem iluminados e movimentados.

3. TRANSPORTE E DESLOCAÇÃO

● Táxis, Uber, Bolt e outras Aplicações de Transporte: Usa serviços de transporte confiáveis e partilha a tua localização com amigos ou familiares.

● Estacionamento: Estaciona em locais bem iluminados e próximos ao teu destino. Ao regressares ao teu veículo, tem as chaves preparadas nas mãos para uma entrada rápida.

4. SEGURANÇA RESIDENCIAL

● Trancas e Alarmes: Mantém portas e janelas fechadas e considera instalar sistemas de segurança, como câmaras e alarmes.

● Iluminação Externa: Instala iluminação com sensores de movimento ao redor da tua casa.

5. INTERAÇÕES PESSOAIS

● Desconfia de Estranhos: Sê cauteloso ao interagires com desconhecidos, especialmente em áreas isoladas ou quando estiveres sozinho.

● Limite de Informação: Evita divulgar informações pessoais ou as tuas rotinas nas redes sociais.

6. TECNOLOGIA E COMUNICAÇÃO

● Dispositivo de Segurança: Leva contigo um apito de segurança ou um dispositivo de alarme pessoal.

● Contactos de Emergência: Tem números de emergência ou prioritários guardados e fáceis de acederes no teu telefone.

7. AULAS DE AUTODEFESA

● Treino de defesa pessoal: Considera frequentar um curso ou programa de autodefesa para aprenderes técnicas básicas de proteção pessoal. Visita o site do  Núcleo de Defesa Pessoal de Lisboa.

● Armas improvisadas: Aprende a utilizar objetos de uso diário como armas de defesa. Por exemplo, chaves, caneta, telemóvel, etc. Num programa de autodefesa podes aprender a usar criativamente objetos simples para te defenderes.

8. CONDUTA EM SITUAÇÕES DE RISCO

● Não Resistas: Em caso de assalto, não resistas. A vida é mais importante do que os teus bens materiais.

● Chama por Ajuda: Grita por ajuda e faz o máximo de barulho se sentires que estás numa situação de perigo.


9. REDES DE APOIO

● Vizinhança Solidária: Participa ou organiza uma rede de vigilância comunitária, onde os vizinhos se ajudam e monitorizam atividades suspeitas.

Partilha Informações: Informa-te e informa os outros sobre quaisquer incidentes de segurança na tua área.

 

Implementar estas dicas pode aumentar significativamente a tua segurança pessoal. Fica atento e coloca sempre a tua vida em primeiro lugar.

 


Leitura complementar:

̶   Relatório Anual de Segurança Interna 2023

̶   RASI revela aumento dos crimes violentos, como extorsão, roubo e rapto

̶   Governo admite aumento preocupante de alguns crimes em 2023




6 de dezembro de 2023

Compras de Natal em Paz e Segurança

 Na maioria dos Centros Comerciais há um elevado e ao mesmo tempo discreto sistema de segurança que, não só envolve pessoas com formação adequada para o efeito, mas também o apoio de sofisticados sistemas eletrónicos próprios desta nossa era digital. Como consequência, o aspeto da segurança aliado ao conforto proporcionado por uma grande e diversificada oferta comercial, acaba por estar na base de um aumento, cada vez maior, de pessoas a estas grandes superfícies. Especialmente em determinadas alturas do ano, como é o caso das festividades natalícias. O facto é que o cidadão, pelo menos em termos de segurança, sente-se assim mais tranquilo do que nas lojas do comércio tradicional.



Apesar da segurança inerente a esses locais e de não haver um registo relevante de crimes, eles não estão isentos de problemas. A realidade é que os furtos, os roubos e outros conflitos de natureza criminosa também existem nesses espaços. 
 
Para não seres alvo de uma experiência desagradável é importante observares alguns cuidados a ter quando vais fazer compras a locais com grande concentração de pessoas. Em termos de segurança pessoal, a tua maior arma (e também a da tua família) é a PREVENÇÃO. Ou seja, a capacidade de te antecipares a situações potencialmente perigosas.

Os comportamentos de segurança que vais observar de seguida, são para serem colocados em prática com a dose adequada de bom senso. Não precisas de te transformar num fanático da segurança. Apenas precisas saber que em determinadas situações deves atuar preventivamente e com sabedoria.


Assim, toma nota:

                                                         
● Roupas e objetos  Procure vestir-te de forma simples. Evita usar relógios caros e joias que despertem a atenção de olhos indiscretos. Leva apenas os documentos necessários. Se possível, opta por uma pequena bolsa tipo mochila (que deve ficar na frente e não nas costas) com alças seguras.

Tem cuidado com o teu telemóvel. Não andes com ele pela mão como uma criança. E já agora, não fiques vulnerável quando estás a falar ao telefone, não te desligues do mundo. Para além de ti e da pessoa com quem estás a falar, existe mais vida…e que vida!!! (O mesmo se aplica quando ouves música com os auriculares nos ouvidos).

● Compras – Evita ao máximo a utilização de dinheiro em espécie. Prefere pagar as tuas contas com cartão. Separe uma quantia de dinheiro para pequenas compras como café, transportes, etc.
  Antecipe as tuas compras para dias e horários de menor movimento.

● Andar nas ruas – Quando estiveres a andar nas ruas, verifique se estás sendo seguido ou observado por alguém. Se achares que estás nessa situação, inverta o sentido do seu percurso ou entra num estabelecimento qualquer. Evita também passar perto de aglomerações e grupos suspeitos. Se necessário, passa para o outro lado da rua.

● Multibanco – Se tiveres que levantar dinheiro sê prudente e está atento ao ambiente que te cerca. Sê discreto ao guardares o dinheiro. Lembra-te: a partir desse momento não és só tu que sabe que transportas dinheiro.

● Assalto à loja – Se ocorrer um assalto numa loja quando estiveres às compras, não tentes correr ou reagir. Obedeçe a tudo que os assaltantes mandarem, assim evitarás reações perigosas e eles sairão rapidamente. O máximo que podes perder são uns trocos e os documentos que tinhas contigo, além dos cartões que podem ser rapidamente cancelados por telefone.

● Carro – Procure estacionar a tua viatura num parque, é sempre mais seguro e prático para o transporte das tuas compras. Se estacionares na rua e com orientação de um arrumador deves dar sempre uma pequena gratificação. É mais seguro!!! Não é preciso lembrar, mas já agora, nunca deixes objetos de valor à vista… 

● Crianças – Nesta altura os Centros Comerciais estão cheios de gente e de coisas que chamam a atenção especialmente de crianças. Se estás a fazer compras acompanhado de crianças, então nunca as percas de vista. Combine com elas o que devem fazer (e o que não devem fazer) no caso de se perderem. Não te esqueças que uma criança pequena deve ter sempre consigo elementos que a possam rapidamente identificar e facilitar o contacto imediato com os pais ou outros parentes. Por exemplo, um papel ou cartão com o nome a morada e o telefone.


E não te esqueças, a prevenção é sempre a tua melhor defesa!!!



31 de julho de 2023

O que Fazer se a Casa for Assaltada?

A Prosegur criou um documento onde aconselha  os passos a adotar no caso de assalto na habitação. A empresa escreve em comunicado que “a preocupação com a segurança da casa é constante para muitos portugueses, pelo que a primeira coisa a fazer é tomar medidas preventivas”.

A Prosegur destaca como passo essencial a criação de “um inventário do que se tem em casa. Esta medida é pouco utilizada, mas muito importante”. De acordo com os especialistas em segurança, é aconselhável fazer um inventário dos objetos de valor que temos em casa e documentá-los com fotografias. Em muitos casos, os objetos roubados são recuperados, mas se não houver um relatório com uma fotografia, é muito difícil saber a quem pertence cada objeto recuperado e devolvê-lo ao seu proprietário.

Em segundo lugar, a Prosegur aconselha reforçar a segurança da casa. “A prevenção é fundamental para evitar ser vítima de um roubo ou de uma ocupação. É importante identificar os pontos fracos da segurança da casa e reforçá-los. Neste sentido, recomendamos considerar a possibilidade de contratar um sistema de alarme ou instalar uma porta blindada e barras nas janelas. Tudo isso ajudará a proteger melhor a casa”, escreve a empresa em comunicado.

Na hipótese de ser alvo de um assalto em casa, os especialistas de segurança da Prosegur Alarms detalham os passos a seguir: 

• Não entrar em casa. Se, ao chegar a casa, verificar que a porta está aberta, que há sinais de arrombamento da fechadura ou que há uma janela partida, não deve entrar. Além disso, se o proprietário suspeitar que os assaltantes ainda estão dentro da casa, é importante evitar um confronto.

• Chamar a polícia. As autoridades encarregar-se-ão de tomar as medidas necessárias. Enquanto esperam, as vítimas do assalto podem tirar fotografias e fazer vídeos, sempre a partir de um local seguro.

• Não mexer em nada. No caso de entrar em casa enquanto espera pela chegada da polícia, evite tocar ou mover objetos, pois isso pode alterar o cenário. A polícia irá examinar o local para encontrar impressões digitais ou qualquer outra pista que possa ajudar a encontrar os intrusos.

• Fazer uma lista de todos os objetos roubados. Quando for possível aceder à casa em segurança, é essencial examinar cada divisão e fazer uma lista tão completa quanto possível de tudo o que foi roubado ou danificado. Se tiver o inventário que fez anteriormente, deve incluir fotografias e, se disponível, faturas ou documentos que comprovem os artigos roubados.

• Apresentar queixa. Deve apresentar queixa o mais rápido possível. Uma vez formalizada a queixa, é importante guardar o número de referência para que a companhia de seguros, caso tenha um seguro de recheio contratado, possa processar o pedido de indemnização.

A Prosegur Alarms lançou uma proposta de proteção 360º que inclui a segurança física do lar, através de alarmes e do serviço VigilantePremium (segurança motorizada); segurança pessoal, com o serviço ProsegurContiGo; e segurança digital, protegendo a rede Wi-Fi do cliente e os dispositivos conectados.


3 de abril de 2023

Dicas para Manter a sua Casa mais Segura no Período da Páscoa

A Páscoa está a chegar e, com ela, as férias escolares e o fim de semana alargado. Esta é uma altura em que muitos portugueses aproveitam para viajar ou visitar a família noutras zonas do País e a ausência das suas casas pode motivar assaltos. Inclusive, segundo os dados da Central Recetora de Alarmes (CRA) da Securitas Direct, o período da Páscoa tende a registar um aumento de 12,5% de tentativas de intrusão. Como tal, a Securitas Direct reuniu dez dicas, para que possa manter a sua casa especialmente segura durante este período.

1.Garanta que as janelas e as portas ficam totalmente fechadas. Inclusive, as portas do interior podem ficar fechadas, para dificultar o trabalho de intrusos. Pode também reforçar as janelas com um prego entre os painéis.

2.Verifique as fechaduras das portas e das janelas. Se as fechaduras tiverem tranca vão dificultar a sua abertura.

3.Guarde os objetos de maior valor num cofre ou em lugares de acesso mais difícil.

4.Assegure que as chamadas que vão para o seu telefone têm resposta, reencaminhando as chamadas para o telemóvel. O toque do telefone constante e a ausência de resposta podem indicar a possíveis intrusos a sua ausência.

5.Mantenha a aparência de que a casa está habitada, deixando, por exemplo, algo num estendal ou os estores subidos nalgumas divisões.

6.Crie a ilusão de que está alguém em casa, através de domótica. Instale um dispositivo que acenda as luzes e o rádio automaticamente para criar esta ilusão.

7.Informe um vizinho, um familiar ou um amigo de confiança que possa ir por vezes verificar se a casa se mantém segura.

8.Não publique nas redes sociais nada relativo à sua ausência, para não informar possíveis ladrões acerca da sua ausência.

9.Invista num sistema de videovigilância a que possa aceder através do telemóvel. Desta forma pode manter a sua casa permanentemente sob vigilância enquanto se encontrar fora.

10.Certifique-se de que o seu sistema de alarme e de videovigilância está em pleno funcionamento.

30 de setembro de 2022

O que fazer em caso de roubo da matrícula do carro

O furto da matrícula do seu automóvel pode trazer-lhe uma série de consequências desagradáveis e dispendiosas. Saiba o que fazer se esta situação ocorrer consigo. 

Era um banal domingo de compras no hipermercado. Uma hora depois, com todos os produtos ensacados, A.S. chegou ao carro para arrumar as compras. Os gestos, mecânicos, próprios de quem tem um hábito, ficariam suspensos com uma surpresa: chegada ao carro, ao abrir o porta-bagagens, reparou que o carro não tinha matrícula…. Reagiu, por reflexo, e foi espreitar à frente: constatou que também ali tinham retirado a matrícula.

Era tudo muito inusitado, mas A.S. teve logo o ímpeto de se dirigir aos seguranças do centro comercial para confirmar se aquela zona do parque de estacionamento teria câmaras de vigilância. E ainda teve o discernimento de reunir toda a informação necessária para fazer uma queixa: o número do lugar do estacionamento onde o carro se encontrava e o piso correspondente, além de ter pedido a identificação do segurança com o qual falou, que podia, mais tarde, servir de testemunha.

Deslocou-se de imediato à esquadra da PSP mais próxima, para apresentar queixa. No dia seguinte, tratou de comprar novas matrículas, reunindo todos os recibos. Ficaram por 31,98 euros, incluindo a colocação.

Tendo arrumado a questão da queixa, tentou então saber junto da seguradora se o seguro cobriria o valor das matrículas. A sua apólice, de facto, contemplava uma ocorrência deste género, e sem qualquer agravamento. Para isso, bastaria enviar a queixa que A.S. tinha apresentado à PSP. A vítima tinha seguro contra danos próprios.

Quase um mês depois, ainda não havia novidades quanto à queixa-crime. Se as imagens do sistema de videovigilância do centro comercial tivessem servido para identificar o autor do furto, seria uma exceção, já que, na maior parte dos casos, este é um crime sem castigo. No caso de a matrícula ser furtada na rua, ou numa garagem sem circuito interno de imagens ou sem uma câmara instalada por perto para identificar o autor, este fica impune, a não ser que haja testemunhas.

Portagens por onde nunca passou − Este tipo de crime tem um objetivo simples: em grande parte dos casos, o autor usará a matrícula noutro carro, que pode ou não ser igual ao veículo original, para passar portagens ou abastecer a viatura de combustível, fugindo sem pagar. Mas o problema, para lá do prejuízo de concessionárias e gasolineiras, também pode ser do proprietário da matrícula. As contas podem aparecer-lhe em casa, por ser o titular do certificado de matrícula.

Se não tiver Via Verde, e caso não se tenha apercebido de que a matrícula está a ser usada por outra viatura, poderá receber uma carta insólita, e bastante desagradável, da Autoridade Tributária, a fazer-lhe uma cobrança coerciva por uma viagem que nunca fez. A situação pode complicar-se ao ponto de lhe ser cobrada uma coima que equivale a sete vezes e meia o valor em dívida, com um mínimo de 25 e um máximo de 100 euros. A este valor, acresce o correspondente às custas do processo.

No limite, caso não pague, tratando-se de uma dívida fiscal, poderá ter salário, rendimentos, bens ou mesmo o reembolso do IRS penhorados. Se não tiver Via Verde, pode registar-se na área de cliente dos CTT, que envia notificações relativas a portagens a pagamento para o e-mail associado ao registo. Pode ainda recorrer a Portal dePagamento de Portagens, mas, neste caso, as portagens só passam a constar, pelo menos, 15 dias depois.

No caso de A.S., ainda nenhuma surpresa aconteceu. Mas é bom gerir expectativas e estar atento, numa situação destas. O cenário poderá complicar-se ainda mais, se o tipo de crimes praticados por quem lhe levou a matrícula entrar em patamares mais sinistros. A placa pode, por exemplo, ser usada num carro da mesma cor e do mesmo modelo, que sirva para um assalto, ou pode haver uma situação de atropelamento e fuga.

Neste panorama mais complexo, a vítima do furto da matrícula poderá, de novo, deparar-se com um processo criminal, que implica o pagamento de honorários a advogado e custas, já para não mencionar as eventuais deslocações, para provar a sua inocência.

O QUE DEVE FAZER?

1. Apresente queixa − Logo que se aperceba da falta da matrícula, dirija-se à PSP ou à GNR e apresente queixa. Não se desloque até lá no seu automóvel, pois é ilegal circular sem matrícula. Explique em detalhe a hora, o local e todos os factos que considere relevantes.

2. Atenção às portagens − Se não tem Via Verde, e se alguém passar uma portagem com a sua matrícula e não pagar, mesmo num carro diferente, poderá ter a má surpresa de uma cobrança coerciva pela Autoridade Tributária. Será ainda aplicada uma coima que equivale a 7,5 vezes o valor em dívida (entre 25 e 100 euros).

3. E se tiver Via Verde? − Contacte o apoio ao cliente, uma vez que as passagens estão associadas à matrícula, e não à viatura que efetuou a passagem. Peça o registo fotográfico de todas as passagens com aquela matrícula. Se detetar alguma passagem indevida, junte-a à queixa que fez na polícia. E solicite a anulação das cobranças.

4. E se alguém abastecer sem pagar? − Outro cenário possível: que alguém abasteça de combustível um carro com a sua matrícula e fuja sem pagar. Como a maioria dos postos de abastecimento tem sistemas de videovigilância, as imagens captadas fazem prova de quem foi o verdadeiro autor do crime.

5. Contacte a seguradora − Se o seu carro tiver o seguro de danos próprios, estará garantido o pagamento de despesas resultantes de desaparecimento, destruição ou deterioração, devido a furto, roubo ou furto de uso, consumado ou tentado. Esta cobertura poderá abranger, entre outros, o roubo de peças, aparelhos e matrículas.

Qual a importância da queixa? − É frequente o arquivamento dos casos, por falta de provas. Mesmo assim, apresentar queixa é fundamental. O furto de matrículas pode, como vimos, ser associado a movimentos em portagens ou abastecimento de combustível seguido de fuga.

Mas podemos pensar em casos mais complexos – por exemplo, o uso da matrícula num roubo ou numa situação de atropelamento e fuga, com uma viatura do mesmo modelo e da mesma cor do automóvel da vítima. Neste cenário mais complexo, a vítima pode até enfrentar um processo criminal, o que poderá implicar encargos com um advogado, custas judiciais e eventuais deslocações necessárias para provar a sua inocência.

Por todas estas razões, é fundamental apresentar queixa. Mais do que encontrar um culpado, visa proteger o proprietário de crimes cometidos em seu nome, por quem roubou as chapas.

E se o autor for descoberto? − Caso o autor venha a ser acusado, a vítima tem o direito a pedir uma indemnização pelos danos que lhe foram causados. Para isso, apresente todas as provas relativas aos danos e prejuízos: é imperativo, por exemplo, mostrar a fatura relativa ao pagamento das novas chapas de matrícula, das despesas com a deslocação aquando da apresentação de queixa, das idas a tribunal, das custas processuais e, se for o caso, de advogado. Convém lembrar ainda dos custos com o reboque da viatura, já que não pode circular sem chapas de matrícula.

Mais medidas para prevenir − Deve ir também, claro, tratar de uma nova matrícula para o carro. Mas isso só é possível se apresentar o documento único automóvel, para provar a propriedade do carro. No entanto, importa dizer que o atual modelo de matrícula, embora deva obedecer a requisitos formais (a sequência de letras e algarismos que a compõem, por exemplo), ainda pode ser duplicado, o que é ilegal. Por isso, nada impede que as chapas sejam duplicadas sem o consentimento ou conhecimento do proprietário, e colocadas numa outra viatura como se fossem legítimas. Ou seja, não é impossível falsificá-las. Porém, esta situação não é muito comum, tendo em conta que é fácil furtar uma matrícula.

A facilidade de acesso e remoção de chapas de matrícula, com a agravante de a maioria das viaturas se encontrar na via pública, é preocupante. Defendemos, deste modo, a adoção de medidas que impeçam que as chapas sejam retiradas das viaturas sem grandes obstáculos. As matrículas estão presas, no máximo, com quatro pins, relativamente simples de subtrair. Medidas de segurança adequadas, que impeçam ou dificultem a sua reprodução ou duplicação, também serão bem-vindas.

 

Fonte: DECO PROTESTE