26 de julho de 2019

Como se Proteger de Burlas e Fraudes Financeiras


Desconfie sempre de promessas de empréstimos fáceis e rápidos, de depósitos com juros muito superiores à média de mercado ou de propostas para angariar novos clientes em troca de mais dinheiro. Vamos partilhar consigo algumas dicas para se proteger de burlas e fraudes e assim manter o seu dinheiro em segurança.


Pedir um crédito, fazer uma transferência internacional de dinheiro ou usar qualquer tipo de serviço financeiro exige alguns cuidados.

Se foi vítima de algum crime ou tentativa de crime por parte de uma destas entidades, denuncie ao Banco de Portugal por telefone (213 130 000), e-mail (info@bportugal.pt) ou pelo preenchimento do formulário online ou presencialmente. Apresente também queixa às autoridades (por exemplo, à PSP, à GNR, à Polícia Judiciária ou ao Ministério Público). À entidade supervisora cabe comunicar a existência de indícios de crime (burla, usura ou outro) à Procuradoria-Geral da República. Mesmo que não tenha sido vítima de crime, se tomou conhecimento de que uma determinada entidade se dedica às atividades financeiras ilegais, não deixe de reportar essa situação ao Banco de Portugal.

● através do site do Banco de Portugal, verifique se a entidade em causa tem autorizaçãopara a operação que se propõe realizar. Basta escolher o tipo de instituição (um banco ou uma sociedade financeira, por exemplo) ou pesquisar pelo nome;
● não responda a e-mails, cartas ou mensagens com propostas de ajuda financeira que lhe ofereçam dúvidas, quer pelo conteúdo, quer pelo remetente;
● peça sempre todas as informações que considerar necessárias antes de realizar qualquer operação financeira;
● confirme se todos os procedimentos de segurança estão salvaguardados. Em caso de dúvida, não disponibilize os seus dados pessoais e bancários, especialmente se a operação financeira for online. Na dúvida, não prossiga com a operação.



As 5 burlas financeiras mais comuns em Portugal




1) Cuidado com os “falsos amigos” no Facebook − Com certeza que, ao navegar pelo seu Facebook, já encontrou mensagens colocadas em caixas de comentários alheias a “oferecer” crédito em condições aparentemente muito vantajosas. Ou, se calhar, já recebeu mensagens no “chat” de “anónimos” a oferecer-lhe este tipo de serviços.

Pode parecer puro bom senso não responder a estes “cantos de sereia” nas redes sociais, mas a verdade é que o desespero por vezes leva a melhor. Tenha, contudo, em atenção que pode sair da situação pior do que quando entrou. Isto porque, muitas vezes, depois de cair na trama são-lhes pedidos valores para tratar de custos burocráticos e taxas. Tudo começa com valores pequenos para não “assustar” o burlado. Depois, vão pedindo mais e mais, à espera que as pessoas enviem mais dinheiro.

2) Anúncios em jornais não asseguram credibilidade − Os burlões preocupados em fazer passar alguma “aura” de credibilidade às suas manobras muitas vezes utilizam anúncios de jornais. Há esquemas que usam os classificados dos jornais para oferecer crédito e a mensagem deixada procura atrair explicitamente pessoas com problemas bancários, uma vez que são aquelas que menos conseguem crédito pelas vias tradicionais.

Depois, o método funciona de maneira semelhante ao esquema que já descrevemos via Facebook. O suposto financiador pede um determinado montante para honorários, taxas e burocracias e depois desaparece.

3) É preciso muita prudência com empréstimos entre particulares Os empréstimos entre particulares (por exemplo, entre familiares) são uma prática antiga e até reconhecida legalmente. Como tal, estão oficialmente sujeitos a regras. Por exemplo, para valores entre 2.500 euros e 25 mil euros é preciso uma assinatura de um contrato preferencialmente com as assinaturas reconhecidas por um notário. Para valores superiores a este valor fica necessário um documento oficial reconhecido por um solicitador ou, em alternativa, uma escritura pública.

Recomenda-se, no entanto, que se recorra ao reconhecimento das assinaturas mesmo em valores menores, já que tal pode ser útil em termos de incumprimento. Nestes contratos as taxas de juro não podem ultrapassar determinadas percentagens.

Contudo, há sempre quem recorra a empréstimos “por debaixo da mesa” uma vez que é feito por vizinhos, amigos ou familiares. Mas tal pode levar a histórias com finais infelizes, como prestações mensais a níveis agiotas, cobranças violentas ou desentendimentos familiares.

4) O esquema da pirâmide nunca passa de moda − Aqueles que têm 40 anos ou mais lembrar-se-ão do famigerado caso da Dona Branca. O esquema funcionava nos moldes do conhecido “Esquema de Ponzi”: aqui cada qual ganha dinheiro se trouxer novos “participantes” para a roda, sendo que os novos participantes têm que pagar um determinado montante. Se a pessoa que trouxe, conseguir trazer novos participantes ganha uma pequena percentagem desse valor e assim sucessivamente.

Além de ser considerado ilegal, este esquema pode fazê-lo perder muito dinheiro. Isto porque, no início, normalmente entra-se com um valor elevado que vai sendo “amortizado” à medida que se trazem participantes novos. O problema é quando o esquema rebenta: deixa de conseguir trazer novos participantes e vê que não consegue recuperar o investimento inicial.

5) Escolha bem os e-mails a abrir − De vez em quando, todos recebemos e-mails com ofertas e promoções a preços que parecem demasiado bons para ser verdade. E o problema é que são mesmo: tão bons que é provável que se trate de um esquema fraudulento.

Outra questão é que estes esquemas podem ser bastante mais complexos do que parece à primeira vista. É preciso ter cuidado para não cair no chamado phishing. Tal consiste em enviar e-mails em massa com software malicioso (cavalos de Tróia) com o intuito de roubar dados pessoais que estão armazenados pelo utilizador do e-mail (passwords e afins). E para complicar a situação, muitas vezes estes emails fazem-se passar por instituições de crédito respeitáveis a oferecer produtos atrativos. O melhor é desconfiar e não abrir o e-mail.

A melhor forma para se afastar das más práticas que existem por aí é mesmo manter-se informado. Ler conselhos financeiros não é perda de tempo para quem quer organizar as suas contas, de forma a não contrair dívidas que não pode pagar. Importante é também comparar créditos em instituições credíveis, de modo a encontrar a opção que mais se coaduna com a sua situação.

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