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9 de janeiro de 2015

MULHERES AGREDIDAS IGNORAM A JUSTIÇA

79,4 por cento dos casos denunciados em 2013 foram por crimes de violência continuada.





Seis em cada dez vítimas de violência doméstica socorreram-se da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) antes, ou em vez, de fazerem queixa às autoridades policiais, revela o relatório estatístico de 2013 desta instituição. Nesse ano, a APAV recebeu um total de 7265 pessoas, vítimas de violência doméstica – e apenas 2871 das quais (39,5%) já tinham denunciado os abusos e agressões. De acordo com fontes policiais e judiciais, os números revelam que as vítimas "continuam a não confiar na Justiça".

De acordo com o relatório, 79,4% dos casos denunciados em 2013 tinha um caráter de violência continuada sobre a vítima. A duração mais comum da vitimação foi entre 2 e 6 anos, com 1192 casos. Mas 418 vítimas disseram ser alvo de violência doméstica há mais de 20 anos.

Nos casos em que as vítimas recorreram à Justiça, a PSP foi quem mais queixas recebeu: 1061 (55,8% do total). Seguem-se a GNR (789 - 27,5%), diretamente o Ministério Público (128), a PJ (53), o Instituto Nacional de Medicina Legal (38) e o SEF (7). As comissões de proteção de crianças e jovens em risco atuaram em 397 denúncias.

"A maioria das vítimas, sobretudo mulheres mais velhas e alvo de violência continuada há muitos anos, resistem em denunciar com medo de represálias. Temem ainda uma certa inoperância judicial que, apesar de avanços, continua muitas vezes a deixar as vítimas à mercê dos agressores", explicou ao CM fonte policial. "Estamos melhor do que há cinco anos, mas continua a ser um crime quase sem castigo", disse ao CM um procurador.

A Procuradoria-Geral da República já anunciou um plano ambicioso para este ano: mais magistrados especializados a investigar em exclusivo crimes em contexto familiar. "O objetivo é articular melhor com as polícias e associações de apoio às vítimas", diz o gabinete da PGR.

A violência doméstica é punida com pena até 5 anos de prisão. Dez anos se resultar em morte.


Fonte: CM

1 de janeiro de 2015

SETE MIL QUEIXAS DE MULHERES E SÓ 96 AGRESSORES CONDENADOS.


Maus tratos. Joana Marques Vidal quer equipas específicas no Ministério Público para combater a violência doméstica. No ano passado foram julgados 3.541 casos por agressões domésticas e 29 condenados por homicídio conjugal.




Os 15 anos que Ana Paula esteve casada com José Manuel valeram-lhe marcas no corpo irreversíveis. Chapadas, socos na barriga, pontapés na cabeça e apertões nos braços aterrorizaram a empregada de loja de 46 anos. No Verão do ano passado, convencida pela irmã, decidiu que estava na altura de fazer queixa à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). Noémia, 51 anos, seguiu o exemplo de Ana Paula. Cansada de ser perseguida por um ex-namorado que não aceitou a separação, tomou a decisão quando um dia chega a casa e encontra o seu gato morto à entrada de casa. Nestes dois casos, depois da queixa na APAV, seguiu-se o inquérito no Ministério Público (MP) e o julgamento realizado nas varas criminais de Lisboa em Junho de 2013.

No ano passado 7.265 vítimas dirigiram-se à APAV para reportar os abusos constantes que sofriam dos maridos, ex-maridos, companheiros, ex-companheiros, namorados, ex-namorados, filhos ou mesmo netos. Ana Paula acabou por ver o homem com quem durante mais de uma década partilhou a casa sentado no banco dos réus. O medo que durante anos invadiu a sua vida voltou quando ouviu da boca do juiz a sentença: a pena de prisão de três anos...suspensa. Ou seja: o arguido iria sair em liberdade e com probabilidade de voltar a agredir a ex-mulher. Tal como Noémia: dois anos de pensa suspensa depois dos 10 meses de tormentos físicos em que a sua relação se tornou.

Segundo dados da Direção-geral de Política de Justiça (DGPJ), apenas 3.541 dos inquéritos do Ministério Público - num universo de queixas bem mais expressivas como demonstram os dados da APAV - chegaram a julgamento. Ou seja: apenas 48% dos casos recebidos pela APAV em 2013 chegaram posteriormente a julgamento. Cenário que tende a piorar se olharmos para o número de condenados que entraram nas cadeias portuguesas no mesmo ano: 96 reclusos para cumprir pena de prisão efetiva pelo crime de violência doméstica, segundo registos dos serviços prisionais. No total, há um ano, encontram-se 427 presos por maus tratos domésticos (96 que entraram e os restantes 331 que já estavam a cumprir pena em 2012).


Fonte:DNP


619 MORTOS POR VIOLÊNCIA EM 12 ANOS

A APAV registou 5710 vítimas de crimes sexuais. Em 31 dos casos, o crime dura há 40 anos.



Nos últimos doze anos foram assassinadas em Portugal 619 pessoas, a maioria mulheres, casadas e com idades entre os 36 e os 45 anos. Segundo as últimas estatísticas da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), referentes ao número de familiares que pediu ajuda, há registo de 620 homicidas, sobretudo homens, entre 36 e 45 anos. No estudo, ‘Crimes de homicídio 2000-2012’, contabilizam-se também 141 mulheres homicidas. Os crimes são praticados quase sempre na residência comum (233), seguindo-se a rua (161) e a casa da vítima (125). 

No período em análise, as estatísticas da APAV registaram cinco autores de homicídio com idades entre os 11 e os 17 anos. De salientar que duas das vítimas mais novas tinham entre um e três anos e as 50 vítimas mais velhas tinham mais de 65 anos. 

A APAV contabilizou igualmente os crimes sexuais que fizeram 5710 vítimas – e a violência doméstica, que levou 83 708 pessoas a pedirem ajuda à associação nos últimos 12 anos. 

No âmbito dos crimes sexuais, destaque para o número de criminosos com antecedentes. Durante os últimos 12 anos, 432 autores de crimes de natureza sexual já tinham uma condenação anterior e 17 eram arguidos noutro processo-crime. 

O autor deste tipo de crime é maioritariamente do sexo masculino, tem entre 36 e 45 anos e é cônjuge ou companheiro da vítima. Estas são, na sua maioria, do sexo feminino e têm entre 26 e 35 anos. Possuem o ensino secundário. Os crimes também são praticados sobretudo em casa (2365). Em 31 dos casos, o crime prolongou-se ao longo de 40 anos. 

Dos 6476 crimes sexuais contabilizados pela APAV, a maioria (3473) ocorreu em contexto de violência doméstica: 1998 violações e 1475 abusos sexuais de crianças. Nos dados referentes à violência doméstica há registo de maus-tratos psíquicos em mais de 56 mil casos. 



Fonte:CM