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24 de junho de 2019

COMO AJUDAR O SEU FILHO EM SITUAÇÕES DE BULLYING?


É muito importante que os pais abordem este tema com os seus filhos. Mas, antes disso, é essencial compreender o que é, não desvalorizando quando a criança verbaliza mal-estar na relação com os outros.


O bullying é um comportamento caracterizado por agressões com intenção, verbais ou físicas, e com caráter repetitivo. Pode ser uma ameaça, intimidação, humilhação ou maus-tratos, com desequilíbrio evidente de poder (através da força física ou do conhecimento de alguma vulnerabilidade, informação ou característica física ou psicológica do outro) e que pode ocorrer em qualquer contexto social (nas escolas, universidades, famílias ou locais de trabalho). Pode, também, incluir espalhar boatos, gozar, provocar e excluir alguém do grupo propositadamente.

É muito importante que os pais abordem este tema com os seus filhos. Mas, antes disso, é essencial compreender o que é, não desvalorizando quando a criança verbaliza mal-estar na relação com os outros.

Os pais podem falar com os filhos sobre o bullying para que estes compreendam mais facilmente o que é aceitável numa relação com os pares e aquilo que é inadmissível. Esta partilha pode garantir a possibilidade da procura de ajuda de modo mais eficaz.

Nas crianças, ser vítima de bullying influencia intensamente o desenvolvimento emocional. A curto prazo são manifestações frequentes: o sentimento de isolamento, o decréscimo do rendimento escolar, a dificuldade de integração ou a rejeição escolar, a tristeza acentuada e a irritabilidade. Medo, ansiedade, dificuldade na concentração e atenção na sala de aula, alterações de humor, dores físicas frequentes (dores de cabeça e barriga), choro fácil e pesadelos podem ser alguns dos sinais a que deve estar atento. No entanto, estas manifestações nem sempre significam situações de bullying.


COMO COMPREENDER SE A CRIANÇA É ALVO DE BULLYING?



Discussões e conflitos episódicos não traduzem uma situação de bullying. O autor deste tipo de atos tem a intenção de ferir, repetir e ter espetadores. Se o alvo supera a intenção deste comportamento, reagindo ou ignorando (outra forma de reação), desmotiva o agressor.

O alvo é, habitualmente, a criança com baixa autoestima e tendencialmente retraída, traduzindo alguém com maior dificuldade em reagir. Esta criança terá menos competências para procurar apoio e, assim, colocar fim à violência exercida sobre ela.

A criança que exerce bullying sobre o seu colega é, muitas vezes, uma criança que não aprendeu a lidar com emoções como a raiva através do diálogo. Para ela não existe empatia sendo que a manifestação do sofrimento do colega não é suficiente para parar a agressão e, muitas vezes, é sentida satisfação com o acontecimento.

O espetador, que testemunha a ocorrência e não evita a continuidade da agressão, pode fazê-lo por receio de ser igualmente vítima de ataques ou por dificuldade na tomada de decisão e, assim, não tomar iniciativa de interrupção.
O diálogo é a ferramenta mais eficaz para percecionar sinais de que algo pode estar a perturbar o seu filho, como ser vítima de bullying. Deve sempre encorajá-lo a falar e ensinar-lhe algumas estratégias para que se mantenha seguro e tranquilo. Eis algumas delas:

● Saliente que está disponível para escutar as dificuldades do seu filho na escola;

● Incentive-o a ignorar o agressor e a contar a um adulto responsável da escola o sucedido;

● Reforce a importância de evitar os confrontos  pessoais com o agressor;

● Ensine-o a procurar estar acompanhado por outras crianças, tentando não estar sozinho.

Se sentir que, apesar das tentativas para ajudar o seu filho, este continua a ter dificuldade em lidar com a situação, é fundamental na maior brevidade possível, encontrar apoio especializado para reforçar a autoestima e autoconfiança da criança, permitindo-lhe encontrar estratégias para ultrapassar o bullying.

Uma dessas estratégias pode passar por inscrever o seu filho num programa de aulas de autodefesa anti-bullying. A aprendizagem de habilidades defensivas é um caminho direto para o aumento da autoconfiança. 





Sandra Helena - Psicóloga e psicoterapeuta





Programa Dynamic Anti-Bullying 

 Princípios de Autodefesa e Segurança para Crianças


O programa Dynamic Anti-Bullying do Núcleo de Defesa Pessoal de Lisboa, tem aulas todos os sábados à tarde. O nosso programa tem ajudado diversas crianças a recuperar a autoestima e a autoconfiança. Fazemos um trabalho sério e responsável para que as crianças vítimas de bullying adquiram competências e estratégias para enfrentarem o bullying.




  




1 de novembro de 2018

COMO ESCOLHER UMA BABYSITTER?

Tempo. Para jantar fora, ir ao cinema, passear, namorar... Todos os casais precisam de tempo a sós. Contudo, quando nasce o primeiro filho (e o segundo e o terceiro...) as coisas complicam-se.

De repente, o que antes era fácil exige agora alguma preparação. Os programas precisam de ser combinados pensando onde ou com quem vão ficar as crianças.

E, se há quem possa recorrer à ajuda dos avós ou tios, há também quem não tenha com quem contar para estas escapadelas. Uma boa alternativa nesses casos é recorrer a uma babysitter, desde que se faça uma boa seleção. Não se preocupe, vamos ajudá-la nessa tarefa.



Saber escolher

O fator mais importante para a contratação de alguém que irá ficar com o seu filho é a confiança. Não se deixe impressionar, logo à partida, pelas “melhores referências do mundo”, as “recomendações dos amigos”, a conversa da babysitter.

É essencial que tenha total confiança nas suas capacidades e competências. Por isso, siga o seu instinto. Num primeiro encontro, esteja atenta e veja que tipo de relação a potencial babysitter cria com o seu filho. Baixa-se e olha-o nos olhos quando fala com ele? Não força o contacto? Que tipo de atitude tem perante a criança? Está à vontade ao pé dela?


Dados essenciais

Em termos de referências, é muito importante saber se a babysitter já tomou conta de crianças, de que idades e em que situações. Não se sinta constrangida em pedir algumas informações mais específicas, como por exemplo se sabe o que fazer em caso de engasgamento, algo muito comum em crianças mais pequenas.

Também não se envergonhe em falar sobre o trabalho que dá tomar conta de um bebé e da atenção constante que exige. Nesse primeiro encontro, combine também claramente o preço do serviço, cujo valor mínimo por hora, de acordo com as empresas que contactámos, é de seis euros.


O dia D

Uma vez feita a seleção, o ideal é que esteja em casa nos primeiros encontros entre o seu filho e a babysitter e avalie as reações dele. Tenha em conta que é provável que ele resista à ideia de ver os pais saírem de casa e ficar com uma pessoa estranha. Evite prolongar a despedida, explique-lhe que a babysitter vai ficar a tomar conta dele (a brincar, contar histórias, pô-lo na cama...) e diga-lhe a que horas pensa voltar. Não caia na tentação de prometer recompensas.

Tem direito a divertir-se e a babysitter fica com os seus contactos. Durante a saída, telefone para saber se está tudo a correr bem ou se é preciso alguma ajuda.

Se encontrar uma boa babysitter preserve-a. É melhor para as crianças haver alguma constância. Pode ser uma ajuda preciosa para a sua vida e permitir-lhe-á sair e divertir-se. Em programas de adultos (se ainda se lembrar o que isso é).


Texto: Joana Andrade





Se está a pensar requisitar o serviço de uma babysitter, siga as recomendações da American Academy of Pediatrics.


Os seus deveres:

1. Conhecer a babysitter e verificar as suas recomendações antecipadamente.

2. Ter a certeza que a babysitter tem formação em primeiros socorros e sabe realizar uma reanimação cardiorespiratória.

3. Assegurar-se de que a babysitter tem maturidade suficiente para lidar com situações de emergência comuns.

4. Passar algum tempo com a babysitter para que esta estabeleça um primeiro contacto com a criança e aprenda as rotinas familiares.

5. Mostrar a casa, identificando áreas potencialmente perigosas.

6. Instruir a babysitter para sair de casa imediatamente caso haja um incêndio e chamar os bombeiros com a ajuda de um vizinho.

7. Dar indicações sobre alimentação, banho e horas de sono da criança.

8. Informar a babysitter sobre eventuais alergias ou necessidades especiais da criança.

9. Ter mantimentos de emergência de reserva incluindo uma lanterna, um documento com procedimentos de emergência e um estojo de primeiros socorros.

10. Informar a babysitter sobre o local onde irá estar e quando voltará.


Os deveres da babysitter:

1. Estar preparada para uma emergência.

2. Telefonar sempre que precise de ajuda ou tenha dúvidas.

3. Nunca abrir a porta a estranhos.

4. Nunca deixar a criança sozinha, nem que seja apenas durante um minuto.

5. Nunca dar alimentos ou medicamentos sem que os pais tenham dado indicação para tal.

6. Ter em mente que o seu trabalho é tomar conta da criança.

7. Lembrar-se de que o afeto permite tranquilizar uma criança infeliz.


SOS

Deixe com a babysitter a seguinte lista de contactos telefónicos:

• Pais
• Vizinhos
• Médico/Pediatra
• Bombeiros
• Polícia
• Centro de Informação Anti-Venenos (808 250 143)
• Morada e telefone de casa





17 de setembro de 2018

DICAS PARA BRINCAR EM SEGURANÇA NOS PARQUES INFANTIS


Qualquer criança adora brincar num parque infantil e é um passeio frequente para muitas famílias com filhos. Mas há que estar atento à segurança das crianças enquanto brincam, e ter alguns cuidados.



1. Fale com o seu filho sobre algumas regras de segurança, como, por exemplo, que não deve correr atrás ou à frente de um baloiço, que não deve subir para o escorrega pela parte da frente. Alertar é prevenir.

2. O seu filho deve usufruir dos divertimentos indicados para a sua idade. Caso não haja nenhuma indicação no próprio parque, observe a faixa etária mais frequente em cada divertimento.

3. Observe também o tipo de revestimento que cobre o chão do parque. Os materiais devem cumprir as regras de segurança em caso de queda, como por exemplo, borracha ou areia fina.

4. A criança deve estar vestida com roupa confortável e adequada à temperatura ambiente. Evite acessórios que possam representar um perigo e fiquem presos nalgum divertimento, como cachecóis ou lenços à volta do pescoço.

5. Até aos 3 anos de idade, o baloiço mais seguro é o que tem o encosto para as costas e proteção à frente.








30 de abril de 2018

Os seus filhos querem sair à noite? 5 conselhos práticos

É um dos momentos mais temidos pelos pais, o de deixar os filhos que já são adolescentes sair de debaixo da asa, ainda por cima para ir para a noite, onde, sem bem nos lembramos, tanta coisa pode acontecer. Pois, mas eles estão a crescer e tem mesmo que lhes dar essa liberdade. Fique com estes cinco conselhos que podem ajudar a que as coisas corram melhor.


1. As Regras podem ser negociadas ‒ O estabelecimento de regras é fundamental, mas para que estas sejam eficazes é importante que os filhos participem na sua definição e as sintam como necessárias porque assim é mais fácil que as cumpram. Os miúdos (e, na verdade, toda a gente) reagem melhor à autoridade quando esta é exercida racionalmente e com justiça, em vez do tirano e vago “porque sim”, “porque não” ou “porque estou a mandar e sou eu que mando”.



2. Não cumprir as regras terá consequências ‒ É claro que as regras não podem ser inconsequentes. O seu incumprimento deve prever uma sanção e também esta deve estar claramente predefinida e proporcional – Não vale a pena, perante a chegada tardia, e no calor da discussão, dizer “nunca mais sais!” Isso não será cumprido e os pais escusam de se desautorizar a si próprios.



3. Os pais devem falar das suas preocupações ‒ Consumos de álcool ou drogas, más companhias, sexo, segurança, brigas, assaltos, acidentes de carro ou mota, horas tardias. São inúmeros os motivos que podem preocupar os pais de adolescentes na hora de os deixarem sair para se divertirem. Nenhum destes temas deve ser tabu. Os pais devem conversar abertamente com os filhos. Por exemplo, se estão inquietos sobre a forma de regresso a casa dos filhos, é importante que o digam e que isso fique logo estabelecido (e seja cumprido).



4. Os pais devem estar sintonizados ‒ É um dos mandamentos da educação dos filhos. Os pais devem estar de acordo (e mesmo que não estejam, devem discutir a questão em privado e chegar a acordo antes de tomar quaisquer decisões relativamente aos filhos) na decisão que tomam. E é muito importante mostrar aos miúdos que há união nas decisões.



5. As regras devem ser bem definidas ‒ Com quem vão, para onde vão, como regressam e como devem comportar-se. “Não venhas tarde” ou “porta-te como deve ser” é um discurso evasivo que pode dar azo a mal-entendidos. As regras devem ser claras e concretas.



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Ex-segurança de discotecas dá conselhos aos pais sobre as saídas à noite dos adolescentes







28 de abril de 2018

Ex-segurança de discotecas dá conselhos aos pais sobre as saídas à noite dos adolescentes


Foi segurança de discotecas durante uma década – um duro entre homens duros –, mas como pai de dois rapazes Marlon Queiroz aflige-se de morte. Afinal, conhece demasiado bem os perigos à espreita na noite. E fala de coração aberto aos outros pais para que saibam o que fazer quando os filhos querem finalmente sair.




Violações, pancadaria, álcool, muito álcool, droga, muita droga, e excessos – tantos que lhe custa a acreditar. Marlon Queiroz nem pestaneja ao falar dos dez anos que trabalhou como segurança de discotecas no país, "sempre à procura da paz mas preparado para a guerra".

Brasileiro colossal, praticante de jiu-jitsu desde os 19 anos (tem 38), era porrada à porta com os grupos barrados e porrada no interior, a separar brigas entre clientes. O medo nunca o travou. Nunca, a não ser quando pensa nos filhos, Mateus de 20 anos e Lucas de 10, os seus bens maiores.

"Sou apologista de os jovens saírem para se divertir: as discotecas fazem tanto parte do ciclo da vida como as universidades. Têm é de estar preparados, o que não acontece em mais de noventa por cento dos casos", alerta Marlon Queiroz, incapaz de deixar de pensar no seu filho mais velho sozinho em Newcastle, Inglaterra, a estudar Engenharia e a fazer sabe-se lá o quê.

"O aliciamento da droga é muito grande na noite. Os miúdos apanham bebedeiras que os pais nem sonham. Os mesmos garotos que chegam de camisas finas e risco ao lado no cabelo, vindos de famílias sólidas, às seis da manhã saem da discoteca armados em gangsters do bairro, todos alterados."

E é quase sempre assim, como uma regra matemática – ou uma maldição: aos 14 anos começam a sentir o anseio. Aos 16, quando os pais finalmente os autorizam a ir às discotecas e aos bares, muitos adolescentes parecem já ter atingido o tamanho definitivo que terão em adultos, mas Marlon sabe que não.

"São uns meninos. Acabaram de sair das festas familiares no terraço de casa deles para um ambiente com drogas, prostitutas, gente do bem e do mal, a achar que os conselhos dos pais são para ignorar." Nenhum está preparado para quatro vodkas sem perder o juízo, ou para repelir um dealer que lhes ofereça cocaína para arrebitar, charros para acalmar, LSD para amar.

"Nós ensinamos-lhes que droga é ruim, mas droga é que nem bola-de-berlim: é boa, por alguma razão movimenta milhões e pessoas arriscam a vida por ela. Faz é mal", resume o ex-segurança.




Nunca se habituou a ver miúdos caídos na casa de banho das discotecas depois de cheirarem umas linhas para mostrarem aos amigos que são muito rebeldes. Nem quando vivia na Baixada Fluminense, uma das regiões mais violentas do Rio de Janeiro, receou tanto por alguém como agora, por Mateus. «É sério, dealers são como farmacêuticos. Conhecem as dores de alma dos nossos filhos, sabem como aplacá-las. De repente já eles estão agarrados e nós mal percebemos.»

Aos pais, que como ele se consomem a ver passar as horas, aconselha-os a tomar medidas para não terem de correr atrás do prejuízo. Que saibam sempre onde vão os miúdos, porque há boas e más discotecas. E, claro, com quem vão: sendo aquele o seu grupo de amigos, é suposto conhecerem pelo menos alguns. Também não faz sentido mandá-los regressar às 04h00 quando a noite só começa às 02h00; porém, nas primeiras vezes, convém irem levá-los e buscá-los.

"Ser ele a chamar um táxi bêbedo é fácil, ao passo que com o pai à espera irá controlar-se mais", diz Marlon. Pela parte que lhe toca, em vez de assumir que o filho ficará pelo Frize limão, mais vale mostrar-lhe que percebe e aconselhar cuidado com o que bebe, quanto bebe, sempre no bar, nunca do copo dos outros.

"Já tive pais a pedirem-me para dar um olhinho aos miúdos, a ver se se portavam mal. Pais a ligarem eles próprios à Uber se não podiam ir buscá-los no final, para garantirem um regresso seguro." Diz-lhe a experiência que são também estes pais que lhes perguntam como foi a noite, tal como perguntam pelo dia na faculdade, permitindo que não se fechem na concha.

"Fala-se muito da violência na noite, mas ela está é nesta sociedade em que cada vez é mais difícil ser miúdo", aponta. Pais demitem-se do seu papel por trabalharem 12 horas por dia e quererem ser amigos, tudo muito moderno.

Filhos perdem as regras porque são órfãos de pais vivos e têm de fazer judo, equitação, esgrima, piano, ter seguidores, estar no quadro de honra, ser bonitos, criar empresas gloriosas e seguir os últimos gritos da moda – demasiada pressão.

"Quando eu tinha 16 anos a gente só tinha de botar uns ténis, umas calças e dar uns beijos às miúdas. Sou de uma geração em que os pais também trabalhavam muito, mas havia outra disponibilidade."

E aqui voltamos à figura do segurança, sem a qual não existiria esta história. "Sei que muitos antigos colegas não reconhecem o seu valor (também eu só descobri o meu ao sair da noite), mas eles cuidam do bem maior de qualquer pai." Só isso bastaria para ensinar os filhos a serem educados, dizerem "Ora então boa noite, continuação de um bom trabalho", a olhar nos olhos – afinal, o segurança trabalha a favor deles.

"Já tirei as chaves do carro a miúdos de 18 anos que iam conduzir à beira do coma." Evitou violações: elas embriagadas, eles idem, as hormonas mais elevadas do que os níveis de caráter, num instante perdem-se os limites entre consentimento e estupro.

"Acontece bastante no próprio grupo de amigos, razão por que os pais devem fazer por conhecê-los", sublinha Marlon. Ao Mateus sempre repetiu que "não" só tem um significado, é universal. Mesmo se uma rapariga está a cair de bêbeda e avança, ele não tentará nada porque ela não está em condições de decidir.

"Os jovens precisam de sentir que à vontade não é à vontadinha, e a maioria vive à vontadinha", diz. O respeito que não têm quando saem é já o que lhes falha quando mandam os adultos lá de casa para lugares feios, escuros e distantes. "A violência e a delinquência juvenil estão a aumentar por haver justamente essa falta de vínculos, um vazio de gentileza instalado." A noite é só a hora a que todos os monstros despertam.





Pais, estes são os conselhos de um homem da noite:

Sem trânsito Se o jovem diz que vai para a discoteca X, mas se não estiver fixe vai para a Y, e assim sucessivamente, a resposta de Marlon é só uma (deu-a muitas vezes a Mateus): “Não. Quando você for adulto, pode rodar a cidade à procura de emoções. Por enquanto vai para a discoteca X e fica lá, circular na noite é perigoso. E eu preciso de acordar a meio da noite e saber onde você está se acontecer alguma coisa.”

Levem-nos Óbvio que não será sempre assim, mas pelo menos nas primeiras saídas procure levar o seu filho ao local de diversão para ter uma noção do que o espera. Depois de ele entrar, se for preciso, dê a volta com o carro, vá ter com o segurança e peça-lhe para dar um olho. “Tive pais a deixarem-me o número deles. É muita gente, mas acabava por ficar sempre mais atento àqueles miúdos”, reconhece Marlon.

E vão buscá-los De novo será só ao início, como forma de garantir que ele se controla um pouco mais (nenhum filho quer ser apanhado a fazer más figuras e arriscar uma quebra de confiança logo nas primeiras saídas). Se não puder mesmo ir buscá-lo, ponha o despertador, ligue à hora combinada e chame-lhe o táxi para controlar aquela vinda para casa em segurança.

Perguntem Calmamente, sem julgar nem se exaltar, informe-se de como correu a noite, do que viu, do que ele próprio fez. Parta do princípio de que vai haver álcool (mesmo que ele jure a pés juntos que não lhe vai tocar) e avise-o para ter cuidado com o que bebe, os excessos, sempre no bar, nunca do copo de outra pessoa. Ensine-lhe que a lealdade aos amigos também acaba se eles decidirem fazer estragos ou andar à tareia.

Falem sem reservas Em casa de Marlon existe a regra de chamar as coisas pelos nomes – sexo, drogas, tudo. «Digo ao Mateus que não existe um pozinho branco, existe cocaína. Já o meu pai era assim frontal, mostrou-me até como se cheirava. Depois disse-me para não vir com a história de que tinha sido enganado e avisou-me de que iria ficar agarrado, destruído, mas a vida era minha e eu é que sabia.» Marlon nunca lhe tocou.

Conheçam A discoteca para onde vai, o ambiente, quem são os amigos (pelo menos os mais chegados dentro do grupo), o próprio adolescente que tem em casa. Proibir as saídas não é boa política, até porque o fruto proibido é o mais apetecido. “Têm é de estar todos preparados, informarem-se sobre o terreno. Um surfista também só entra numa onda grande se estiver pronto para ela.”



Marlon Queiroz: da noite para o dia




Marlon Queiroz tinha entrado na maioridade quando descobriu o jiu-jitsu brasileiro – uma ideia nada descabelada que o forjou contra o bullying – e, desde então, nunca mais parou de se servir dos braços e das pernas com prontidão.

“A questão das desigualdades sociais, de como resolvê-las para evitar esta violência absurda à nossa volta, sempre mexeu muito comigo”, conta o ex-segurança, nascido e criado em Belford Roxo, um município do Rio de Janeiro.

“É preciso quebrar esse ciclo – e porque não ser cada um de nós a fazê-lo com o que estiver ao nosso alcance para ajudar? Acredito realmente que podemos marcar a diferença na vida de alguém.”

Em 2000, tinha ele 20 anos, casado e já com Mateus, veio para Portugal em busca de melhor vida. Ser empregado de mesa e ajudante de pintor numa oficina dava-lhe pouco com que sustentar a família, pelo que trabalhou dez anos como segurança em várias discotecas do país.

“Não posso dizer que estou arrependido, há situações pelas quais temos mesmo de passar, contudo não ganhei nada de útil, nada de que me orgulhe”, adianta. Nada a não ser o livro Máfias da Noite (ed. Planeta), que publicou em 2012, e o curso de argumento para cinema que fez na Restart, em Lisboa, com ideias de um dia adaptar para filme essa reflexão crua do mundo da noite.




“Quando saí dele, há sete anos, descobri que só me restava uma sensação de perda de tempo, vários inimigos e uma grande lista de processos em tribunal.” Ainda em 2012, ao ser convidado para trabalhar em Inglaterra com o professor de jiu-jitsu Lúcio Rodrigues, campeão mundial e diretor da academia Gracie Barra Fulham, em Londres, Marlon não olhou para trás.

De 2015 a 2017 foi para o Dubai: de manhã dava aulas a crianças (o jiu-jitsu é obrigatório nas escolas), à noite treinava as forças especiais. “Todos pensaram que tinha fugido, mas não fugi nada. Só segui em frente.”

Hoje dá aulas particulares, pratica diariamente com o professor Sérgio Vita e luta a nível internacional pela Icon Vita Team. Também se prepara para lançar neste ano o seu segundo livro, O Último da Fila, para questionar porque é que o meio nos torna mais violentos.

“Alguém que abandona a escola cedo, sem uma boa base familiar, sem ter o que comer, também terá as suas oportunidades, porém será sempre o último da fila.” E aqui é tão fácil modificarmos a vida de uma pessoa, diz. É só perceber quem, perto de nós, precisa de ajuda e fazer acontecer. “A sociedade desconfia de quem se mostra bom, mas às vezes pode ser assim simples.”



Texto Ana Pago | Fotografia Jorge Amaral/Global Imagens




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15 de novembro de 2015

CIRCLE WITH DISNEY: A App Que o Ajuda a Controlar a Tecnologia dos Seus Filhos


Este é um dispositivo que permite monitorizar as atividades dos filhos nos smartphones ou tablets quando conectados à rede Wi-Fi doméstica. Com o nome de Circle with Disney, o aparelho foi desenvolvido para ajudar os pais a terem mais controlo sobre o que os filhos vêem na internet. Trata-se de um pequeno cubo que, quando conectado à rede, permite aos pais escolherem quais os conteúdos que cada membro da família pode aceder, a partir de que horas e por quanto tempo.



A internet é uma ferramenta cada vez mais comum, mas muitos acreditam que ainda tem vários riscos. A pensar nos pais, Jelani Memory em colaboração com a Disney lançou o Circle With Disney, um equipamento que se liga a todos os equipamentos em casa e permite-lhe controlar a utilização de cada um.

O Circle pretende ser uma forma de equilibrar o tempo passado em família, e aquele em que estamos ligados. Para isso, conecta-se via ligação Wi-Fi a smartphones, tablets, computadores ou televisores para que, sobretudo os pais, possam balancear quanto tempo os seus filhos usam a internet.

Através de perfis criados (um para cada filho, pois cada um pode ter regras diferentes no que toca ao uso da internet), os pais podem definir o número de horas em que podem aceder à internet ou a uma app, uma hora para desligar (por exemplo, antes de ir para a cama) e até verificar qual a aplicação em que passam mais tempo.



Um controlo talvez necessário: um estudo revelado recentemente pela Kaspersky Lab e B2B Internacional demonstrou que, apesar de grande maioria dos pais se preocupar com a segurança dos filhos online, 76% não usa nenhum software de controlo parental.



Os adultos também podem definir tempos limites de ligação para os seus próprios equipamentos, ou desligar a ligação à internet com o toque de um botão em qualquer terminal. E os mais pequenos? Aprendem a regular o uso de internet consoante os limites impostos pelos pais.

Todos os controlos são feitos através de uma aplicação disponível, por agora, apenas para iOS. Em 2016, os criadores do Circle e a Disney pretendem lançar um novo serviço, que funciona também com ligações por dados móveis.


É importante realçar que o aparelho só monitoriza as atividades das pessoas que conectarem smartphones, tablets e outros dispositivos à rede Wi-Fi doméstica. Caso a criança tenha um telefone móvel, ela poderá navegar na internet por meio da rede de banda larga móvel 3G/4G (dados móveis), precisando apenas de um plano de dados ativo. Assim, os sites que visitar não passarão pelo controlo dos pais. Há no entanto outros aplicativos complementares que podem ser utilizados para um controlo parental mais eficiente.