É muito importante que os pais abordem este
tema com os seus filhos. Mas, antes disso, é essencial compreender o que é, não
desvalorizando quando a criança verbaliza mal-estar na relação com os outros.
O
bullying é um comportamento caracterizado por agressões com intenção, verbais
ou físicas, e com caráter repetitivo. Pode ser uma ameaça, intimidação,
humilhação ou maus-tratos, com desequilíbrio evidente de poder (através da
força física ou do conhecimento de alguma vulnerabilidade, informação ou
característica física ou psicológica do outro) e que pode ocorrer em qualquer
contexto social (nas escolas, universidades, famílias ou locais de trabalho).
Pode, também, incluir espalhar boatos, gozar, provocar e excluir alguém do
grupo propositadamente.
É
muito importante que os pais abordem este tema com os seus filhos. Mas, antes
disso, é essencial compreender o que é, não desvalorizando quando a criança
verbaliza mal-estar na relação com os outros.
Os
pais podem falar com os filhos sobre o bullying para que estes compreendam mais
facilmente o que é aceitável numa relação com os pares e aquilo que é
inadmissível. Esta partilha pode garantir a possibilidade da procura de ajuda
de modo mais eficaz.
Nas
crianças, ser vítima de bullying influencia intensamente o desenvolvimento
emocional. A curto prazo são manifestações frequentes: o sentimento de isolamento,
o decréscimo do rendimento escolar, a dificuldade de integração ou a rejeição
escolar, a tristeza acentuada e a irritabilidade. Medo, ansiedade, dificuldade
na concentração e atenção na sala de aula, alterações de humor, dores físicas
frequentes (dores de cabeça e barriga), choro fácil e pesadelos podem ser
alguns dos sinais a que deve estar atento. No entanto, estas manifestações nem
sempre significam situações de bullying.
COMO COMPREENDER SE A CRIANÇA É ALVO DE
BULLYING?
Discussões
e conflitos episódicos não traduzem uma situação de bullying. O autor deste
tipo de atos tem a intenção de ferir, repetir e ter espetadores. Se o alvo
supera a intenção deste comportamento, reagindo ou ignorando (outra forma de reação),
desmotiva o agressor.
O
alvo é, habitualmente, a criança com baixa autoestima e tendencialmente
retraída, traduzindo alguém com maior dificuldade em reagir. Esta criança terá
menos competências para procurar apoio e, assim, colocar fim à violência
exercida sobre ela.
A
criança que exerce bullying sobre o seu colega é, muitas vezes, uma criança que
não aprendeu a lidar com emoções como a raiva através do diálogo. Para ela não
existe empatia sendo que a manifestação do sofrimento do colega não é
suficiente para parar a agressão e, muitas vezes, é sentida satisfação com o
acontecimento.
O espetador,
que testemunha a ocorrência e não evita a continuidade da agressão, pode
fazê-lo por receio de ser igualmente vítima de ataques ou por dificuldade na
tomada de decisão e, assim, não tomar iniciativa de interrupção.
O
diálogo é a ferramenta mais eficaz para percecionar sinais de que algo pode
estar a perturbar o seu filho, como ser vítima de bullying. Deve sempre
encorajá-lo a falar e ensinar-lhe algumas estratégias para que se mantenha
seguro e tranquilo. Eis algumas delas:
● Saliente
que está disponível para escutar as dificuldades do seu filho na escola;
● Incentive-o
a ignorar o agressor e a contar a um adulto responsável da escola o sucedido;
● Reforce a importância de evitar os confrontos pessoais com o agressor;
● Ensine-o
a procurar estar acompanhado por outras crianças, tentando não estar sozinho.
Se
sentir que, apesar das tentativas para ajudar o seu filho, este continua a ter
dificuldade em lidar com a situação, é fundamental na maior brevidade possível,
encontrar apoio especializado para reforçar a autoestima e autoconfiança da
criança, permitindo-lhe encontrar estratégias para ultrapassar o bullying. Uma dessas estratégias pode passar
por inscrever o seu filho num programa de aulas de autodefesa anti-bullying. A aprendizagem
de habilidades defensivas é um caminho direto para o aumento da autoconfiança.
Princípios de Autodefesa e
Segurança para Crianças
O
programa Dynamic Anti-Bullying do Núcleo de Defesa Pessoal de Lisboa, tem aulas
todos os sábados à tarde. O nosso programa tem ajudado diversas crianças a
recuperar a autoestima e a autoconfiança. Fazemos um trabalho sério e
responsável para que as crianças vítimas de bullying adquiram competências e
estratégias para enfrentarem o bullying.
No primeiro semestre de 2018, os
carteiristas roubaram 4,5 milhões de euros. Sabendo onde a lei é mais branda,
os "profissionais" saltaram do elétrico e do metro para tirar
carteiras a turistas na rua. De mapa na mão, são mestres a abrir mochilas.
Ela ajeita-lhe a camisola e
faz-lhe uma festa no rosto. Ele ajuda-a com a mochila que leva às costas e que
parecia estar mal colocada. De seguida seguem rua acima para a zona do Castelo
em Lisboa. Assim contado, parece ser um final de tarde normal de um jovem casal
estrangeiro, que se passeia de mapa na mão numa das zonas mais turísticas da
capital, parando de vez em quando para uma selfie.
Mas a realidade está longe do
quadro perfeito de um casal enamorado. A dupla é conhecida na zona: são
carteiristas e estão a tentar perceber se há "clientes" por perto. Reparam que estão a ser
observados. Os olhares dos moradores e de quem por ali trabalha, que os
conhecem bem, obrigam a mudar de planos. E desta vez alguém ficou com a
carteira intacta na mochila.
Um final feliz para um turista
mais distraído - pelo menos naquele momento, junto à Sé. Mas este não foi o fim
ideal da passagem por Lisboa para cerca dos cinco mil visitantes que nos
primeiros seis meses do ano ficaram sem a carteira numa qualquer rua da Baixa
lisboeta.
O furto de carteiras na rua ‒
os tradicionais em transportes públicos estão a desaparecer, pois a sua
penalização é mais forte ‒ passou a ser um dos maiores problemas de segurança
na capital. Por isso a PSP apostou em equipas à paisana, a "imitar"
visitantes pelas zonas mais turísticas, campanhas de alerta online e com
panfletos sobre a forma como os carteiristas atuam e até teve em agosto passado
um carro que circulou nas áreas mais visitadas pelos estrangeiros com um painel
onde em vários idiomas era feito o seguinte alerta: "Cuidado com os
carteiristas."
Mesmo assim, com base nos
dados apresentados na altura em que foram apresentadas queixas ‒ que são
menores do que os furtos pois há muita gente que não denuncia a situação ‒, a
polícia refere que no primeiro semestre de 2018 foram roubados na zona da Baixa
de Lisboa 4,5 milhões de euros por carteiristas. Um milhão de euros mais do que
no período homólogo de 2017, adiantou-nos o intendente Resende da Silva, comandante da Divisão de Investigação Criminal da
PSP.
FURTAR CARTEIRAS NA RUA NÃO DÁ PRISÃO
Mesmo com o reforço da
vigilância policial, a vida dos cerca de 200 carteiristas referenciados em
Lisboa - a grande maioria de Leste (romani, búlgaros, croatas), com idades
entre os 18 e os 30 anos, um terço deles mulheres - é muito rentável.
Muito turista a passear com
carteiras recheadas - a capital terá recebido cerca de três milhões de
visitantes estrangeiros nos primeiros seis meses do ano de 2018 ‒ acaba por ser
um chamariz. Um exemplo: "Já tive um
cliente que chegou aqui a dizer que lhe tinham roubado a carteira com três mil
euros dentro. Só lhe disse "como é que anda com esse dinheiro na
carteira?"." O episódio é contado por um dos comerciantes da zona
de Alfama, que acrescenta: "E nós
avisamos sobre a presença dos carteiristas e para levarem a carteira no bolso
da frente. Mas..."
Quando estivemos nessa semana
na zona do Castelo a movimentação de assaltantes estava mais direcionada para o
Rossio e os Restauradores, ao ponto de pelo menos três mulheres terem sido
detidas por um polícia fardado.
Tal como sempre acontece,
foram levadas para a esquadra, identificadas e, depois de presentes a juiz,
saíram em liberdade, pois o furto de carteiras na rua é considerado furto
simples, logo não pode ser punido com prisão preventiva. Se fosse no interior
de um transporte público, aí sim, seria um crime qualificado punível com pena
de prisão superior a cinco anos, dando a hipótese ao juiz de decretar a prisão
preventiva até ao julgamento.
Obviamente que a nuance da
legislação não escapa aos carteiristas que apesar de serem maioritariamente
estrangeiros ‒ "os portugueses estão a desaparecer, talvez exista ainda
uma meia dúzia e com alguma idade", adianta Resende da Silva ‒ estão bem
informados.
Apesar de a polícia garantir
que não há grupos organizados, existe quem forneça apoio logístico: "É claro que há indivíduos a lucrar com
isso, recebem pelo apoio que dão aos que chegam, mas não são estruturas
organizadas, apenas familiares."
"Há
carteiristas a trabalhar sempre com os mesmos advogados. Quando são detidos
pedem logo para os chamar e quando se vão embora passam os nomes aos que vêm
para cá", acrescenta o comandante da divisão de
investigação criminal que defende a necessidade de uma mudança legislativa para
que possa ser possível punir com prisão preventiva quem é detido a furtar
carteiras.
As queixas relacionadas com o
furto de carteiras têm estado a diminuir ‒ em 2017 foram efetuadas 8476 e, até
agosto de 2018, 5668, tendo sido detidas 179 pessoas ‒, mas os dados
estatísticos não batem certo com o aquilo a que os agentes da PSP assistem
diariamente.
"Temos
a perceção de que é um crime a aumentar. Nos últimos dois a três anos as
queixas subiram muito, mas também há muita gente que não apresenta queixa, pois
tem um tempo limitado para estar em Lisboa. Muitos só apresentam porque
precisam do comprovativo para poderem tratar dos documentos pessoais", frisou-nos
Resende da Silva.
DA BAIXA À MOURARIA COM MAPA E TUDO
"Aquele
ali está de volta. Já não o via cá há muito tempo. Isto quer dizer que os
antigos estão a voltar a Lisboa." Voltámos ao nosso passeio
pelas ruas de Lisboa com um profundo conhecedor das movimentações que existem
por Alfama. Deparamo-nos, pelos vistos, com um "velho conhecido".
O homem - que estava
acompanhado - também identificou a pessoa, e decidiu passar para o outro lado
da rua, olhando e seguindo com o companheiro que até tinha um mapa na mão, como
um verdadeiro turista.
O mapa é uma das ferramentas
essenciais para este "trabalho". Os carteiristas atuam em trio, com
uma tática simples - há sempre um terceiro que passa primeiro na zona e depois
diz aos companheiros se vale a pena ir para aquela área ou se há polícia por
perto.
Um fica uns metros atrás a ver
as movimentações na rua ‒ por exemplo se os moradores estão atentos ou se há
polícias conhecidos por perto ‒, enquanto o outro abre o mapa junto da mochila
que um turista incauto leva às costas. Com o mapa aberto esconde a mão e abre o
fecho retirando o que puder. Este esquema funciona melhor em ruas mais
apertadas e com muita gente, como algumas nos bairros históricos, nomeadamente
em Alfama, a caminho do Castelo. Um dos locais obrigatórios para quem sai dos
navios de cruzeiro que atracam no terminal em Santa Apolónia. E até junho do
ano passado passaram por Lisboa 166 barcos, com um total de 259 mil
passageiros.
Além da zona do Castelo, miradouro
de Santa Luzia e Portas do Sol,
os carteiristas têm como áreas de atuação Bairro
Alto, Cais do Sodré, Graça, Alfama, Mouraria. Estão
também referenciados nos Jerónimos,
na Torre de Belém e no Restelo. Sempre na rua, e em movimento,
e cada vez mais raramente nos elétricos
15 e 28, devido à tipificação do crime já referida.
ALERTAS AOS TURISTAS
A atuação da PSP ‒ que pouco
mais pode fazer do que deter os carteiristas, tirar-lhes fotografias para a
base de dados e ir referenciando o aparecimento de novos, enquanto os mais
conhecidos vão para outra zona turística da Europa ‒ tem nos bairros a
colaboração de alguns moradores e trabalhadores no comércio local. Há, até, uma
página de Facebook Pickpocket Lisbon onde são colocadas fotografias e alertas para as movimentações destas duplas.
No Castelo, por exemplo, há
quem vá a sair de casa de carro e buzine para avisar da sua presença, quem
esteja à porta de estabelecimentos comerciais e grite ou assobie quando vê que
se preparam para meter as mãos numa mochila ou numa mala de senhora, ou quem,
como fazem os condutores de tuk-tuk, alerte os turistas que vão transportar.
"Todos
os dias faço denúncias. Sei quem eles são, onde moram. Vejo todos os dias à
minha frente assaltos." Eduardo Vieira trabalha com
um tuk-tuk e conhece bem esta questão. Diz que este "ataque" já
existe "há uns quatro anos. Mas em
Paris é igual, Barcelona também".
Lidando diariamente com esta
questão, Eduardo sabe os pontos mais sensíveis para quem visita Alfama. "O Panteão, a subida para a Sé, ou da
Sé para as Portas do Sol, neste caso o passeio é muito estreito e as pessoas
têm de seguir mais juntas. É o paraíso", adianta.
Problemas com os carteiristas
não tem, recorda mesmo que só por uma vez houve problemas com condutores de
tuk-tuk. "Foi nas Portas do Sol, mas foi só dessa vez." "Nós
sabemos bem quem eles são, as roupas são sempre iguais. Chamamos a polícia, só
que eles largam as coisas ou então metem-se num táxi e fogem",
conclui.
Ou disfarçam, como nos contou
um outro comerciante. "Estava com
uma cliente aqui à porta e de repente ela percebeu que aquele [e aponta para um
homem que passa casualmente do outro lado da rua] lhe estava a mexer na mala.
Quando percebeu isso, ele só lhe disse: 'I'm joking, I'm joking.' E
fugiu."
Carteiristas em lisboa, um trabalho da SIC feito em 2015 mas que continua completamente
atual.
CONSELHOS DA POLICIA DE SEGURANÇA
PÚBLICA
● Compre o seu título de
transporte com antecedência. Evite filas e ajuntamentos.
● Aguarde a chegada do seu
transporte, em especial no período noturno, em locais bem iluminados e com
visibilidade.
● Redobre a atenção à entrada e
saída dos veículos e carruagens.
● Preste especial atenção a
pessoas que provoquem encontrões, agitação, aglomeração ou contacto físico
desnecessário, tanto junto às portas como no corredor.
● Ao viajar, especialmente durante
a noite, procure paragens de autocarros / elétricos em zonas com boa
visibilidade.
● Não se distraia com abordagens
que o/a façam perder de vista os seus pertences.
● Mantenha os seus pertences
junto a si, nunca os coloque sobre os bancos. Transporte a mala ou saco junto
ao corpo, na parte da frente deste e segure com uma mão, se possível.
● Num veículo com poucos
passageiros, procure sentar-se perto do condutor (no caso dos autocarros e
elétricos). Se alguém o (a) queixe-se a este.
● Cuidado com os carteiristas.
Guarde a sua carteira num local seguro, junto ao corpo, que seja difícil de
aceder.
● Não traga na carteira ou na mala
quantias elevadas, coisas valiosas ou de grande interesse para si.
● Evite ostentar adornos ou joias
de valor, mesmo que na realidade o não sejam ‒ ao longe, atraem o assaltante.
● Ande com as suas chaves fora da
carteira, num bolso interior do vestuário.
● Evite adormecer, a ocasião faz
o ladrão.
●Se for vítima de assalto não
reaja. Capte o máximo de características possíveis dos assaltantes e ligue para
o 112 ou dirija-se á esquadra mais próxima.
● Se for vitima de furto ou de
roubo não deixe de apresentar queixa formal na PSP.
● Se considerar necessária a
intervenção das Autoridades Policiais não hesite em pedir a ajuda de qualquer
colaborador da CARRIS ou do METROPOLITANO DE LISBOA.
Maximize a
sua segurança, minimizando a exposição ao perigo.
Os
comportamentos agressivos em contexto escolar têm vindo a aumentar. A boa notícia
é que, há formas de superar esta realidade e aprender a lidar com uma criança
agressiva na escola. Saber como agir perante uma criança agressiva tem sido tema recorrente de vários estudos, bem como motivo de preocupação
crescente entre pais, professores e outros educadores. Os impulsos agressivos
são próprios do ser humano, sendo considerados um aspeto estruturante da
personalidade quando geridos em proporções adequadas e com propósitos
adaptativos. Com a ajuda da psicóloga Ana Graça vamos compreender melhor esta problemática e descobrir como ajudar as nossas crianças.
FACTOS
A RETER SOBRE O COMPORTAMENTO AGRESSIVO NA INFÂNCIA
Há
factos que nos fazem pensar e que conseguem explicar de certa forma, o porquê
de uma criança ter um certo comportamento.
Depende da qualidade dos cuidados no período
pré-natal e na primeira infância (0 a 5 anos);
A primeira infância é um período crítico para
aprender a controlar comportamentos agressivos;
Antes dos 3 anos de idade, a maioria dos meninos e
das meninas testa utilizar a agressão física;
Geralmente, as crianças utilizam agressão física
quando estão sob emoções fortes ou como forma de alcançarem aquilo que
querem;
As raparigas tendem a deixar de utilizar agressão
física mais cedo do que rapazes;
As raparigas utilizam com mais frequência a agressão
indireta (por exemplo, falar mal de um amigo) mais cedo e mais
frequentemente do que rapazes;
Com o desenvolvimento de habilidades sociais e de
linguagem, a maioria das crianças já não utiliza agressão física;
Todas as crianças, em algumas fases do seu
desenvolvimento, recorrem pontualmente a comportamentos agressivos para
lidar com situações de maior ansiedade ou conflito, mas estes
comportamentos tendem a desaparecer com o crescimento;
Estilos parentais permissivos, inconstantes e
negligentes podem contribuir para que a criança adote comportamentos
agressivos.
AGRESSIVIDADE
NA ESCOLA
A
entrada da criança no contexto educacional e o primeiro contacto com os pares,
acarretam uma grande expectativa em relação às aptidões e papéis sociais que
devem desempenhar.
É no
contexto escolar que os comportamentos agressivos se tornam mais evidentes. A
criança agressiva na escola exibe um padrão repetitivo e persistente de
agressividade, que prejudica os outros e viola as regras sociais.
O seu
comportamento caracteriza-se por não dominar os impulsos agressivos, revelar
uma atitude positiva perante a agressão e agir como se esta fosse socialmente
aceitável. Estes comportamentos disruptivos da criança agressiva na escola
dificultam o trabalho a desempenhar por professores e educadores.
A
repetição desses comportamentos somada às dificuldades manifestadas pelos
professores/educadores em lidar com a agressividade faz com que as condutas
inadequadas persistam, prejudicando a aprendizagem e a socialização.
Para
além do prejuízo do desempenho académico, a criança agressiva na escola tem
também, habitualmente, maiores dificuldades no estabelecimento de relações
saudáveis.
Crianças
que defrontam e vitimizam os seus colegas e os professores/educadores de forma
sistemática e apresentam oposição à realização de tarefas e regras escolares,
são frequentemente rejeitadas no contexto escolar, recebendo menor investimento
afetivo e académico dos professores/educadores e dos colegas.
Outro
aspeto característico da criança agressiva na escola é a rejeição entre pares,
ou seja, devido aos comportamentos que adota tem maior probabilidade de vir a
ser rejeitada pelos seus colegas.
O
problema da agressividade surge associado a uma multiplicidade de fatores,
entre as quais as relações estabelecidas na escola; o clima organizacional; o
meio no qual a escola se insere; o sistema de gestão da disciplina; as práticas
educativas; o insucesso escolar; baixos níveis de tolerância; baixa autoestima;
exposição à violência no âmbito familiar; dinâmicas familiares; violência
televisiva; imaturidade emocional; ausência de regras e limites em casa.
COMO
LIDAR COM UMA CRIANÇA AGRESSIVA NA ESCOLA?
A
violência é um problema social e a escola tem um papel fundamental na sua
redução através de ações e programas preventivos, idealmente desenvolvidos em
parceria com as famílias, envolvendo-as com o problema. Essas ações devem
sempre tentar:
1.Garantir
que as interações entre crianças pequenas são supervisionadas de perto;
2.Ter
normas bem claras, bem estabelecidas e que estejam bem explícitas na sala de
aula;
3.Ouvir
e dar atenção às reclamações, depoimentos e denúncias dos alunos quando estas
se referem a violência;
4.Encorajar
a criança a expressar verbalmente as suas emoções e a desenvolver a sua
sensibilidade para com os outros;
5.Demonstrar
que existem formas não agressivas de se relacionar com os outros e com o meio
ambiente;
6.Ajudar
a criança a encontrar outras formas de obter o que deseja sem recorrer à
agressão;
7.Aplicar
sanções adequadas à idade, que promovam aprendizagem (por exemplo, consolar a
vítima, compensar por qualquer dano causado, pedir desculpas, etc.);
8.Garantir
que a criança não retira benefícios do comportamento agressivo;
9.Reforçar
e elogiar os aspetos positivos da criança e os seus sucessos, de forma que se
sinta segura e confiante;
10.Reforçar
o desenvolvimento de competências sociais em contexto familiar e escolar;
11.Manter
uma relação estreita e cooperante com a família, de modo a contribuir para o
desenvolvimento harmonioso da criança;
12.Verificar
com os responsáveis pelos espaços de recreio e transporte escolar como são
tratados os alunos nestes contextos e como decorre a interação entre eles;
13.Desenvolver
projetos educativos que promovam a cidadania, o respeito pelo outro e a não-violência;
14.Promover
o desporto escolar, especialmente os desportos de equipa;
15.Facilitar
o acesso a jogos didáticos que promovam boas práticas.
Quando
as contendas entre crianças são frequentes, o que podem os pais fazer? Como se
consegue educar uma criança com comportamento agressivo?
Os
pequenos e as crianças de idade pré-escolar lutam frequentemente pelos
brinquedos. Algumas crianças são recompensadas involuntariamente pelo seu
comportamento agressivo. Por exemplo, pode ser que uma criança empurre a outra,
atirando-a ao chão e apanhe o seu brinquedo. Se a outra criança chorar e se
afastar, a criança agressiva sente-se vitoriosa, já que conseguiu o brinquedo. É
importante identificar se esse padrão está acontecendo nas crianças agressivas.
O QUE SE DEVE FAZER COM AS CRIANÇAS AGRESSIVAS
Quando
as lutas são frequentes, isso pode ser um sinal de que a criança tem outros
problemas. Por exemplo, pode estar triste ou alterada, ter problemas para
controlar a coragem, ter sido testemunha de violência ou ter sido vítima de
abuso no cuidado diurno, na escola ou mesmo em casa. As investigações têm
demonstrado que as crianças que são fisicamente agressivas em idade muito
pequena, têm tendência a continuar com este comportamento quando crescerem. Os
estudos também demonstraram que as crianças que são expostas à violência e à
agressão repetidamente através da televisão, vídeos e filmes, agem de forma
mais agressiva.
Se
uma criança pequena tem problemas persistentes com a ação de bater e de morder,
ou exibe um comportamento agressivo, os pais devem procurar ajuda profissional
de umpediatra, neuro-pediatra, psicólogo ou
mesmo um psiquiatra de crianças e adolescentes ou de outro profissional de
saúde mental que se especialize na avaliação e tratamento dos problemas do
comportamento de crianças pequenas.
- A
intervenção precoce é muito mais efetiva. Não espere que a criança comece a
mostrar um comportamento mais agressivo. Intervenha logo que observar que ela
se sente frustrada ou que se altera com facilidade.
-
Quando as crianças pequenas bulham com frequência, controlem-nas mais de perto.
- Se
uma criança bater em outra criança, separe rapidamente os dois. Console e
ampare de imediato a criança que foi agredida.
- Ao bebe
que começa a andar (1 a 2 anos), diga-lhe: “Não
batas. Dói quando tu bates”.
- A
uma criança pequena (de 2 a 3 anos), diga-lhe: “Eu sei que tens coragem, mas não batas”. Isso começa a ensinar-lhe
a empatia com as outras crianças.
- Não
bata na criança se ela estiver a bater nas outras. Isso a ensinará a utilizar
um comportamento agressivo.
- Os
pais não devem ignorar ou depreciar as discussões e lutas entre irmãos.
-
Ensine-lhes que a agressão não é a forma correta para se conseguir o que se
quer. Por exemplo: imaginemos o caso de dois miúdos, um de 6 e outro de 4 anos
de idade. O maior está a jogar à bola até que o mais pequeno aparece para se
apoderar dela. E ali iniciam-se as brigas e gritos. O pequeno grita e esperneia
porque quer a bola. Se interferirmos, exigindo que o maior conceda a bola ao
mais pequeno, estaremos a fazer um reforço negativo, que levará o mais pequeno a
espernear e a gritar sempre que quiser alguma coisa.
A psicóloga
infantil Adriana Lot Dias, partilha
connosco algumas dicas valiosas que nos podem ajudar a controlar e prevenir o
comportamento agressivo das crianças.
Um dos grandes desafios
para os professores hoje em dia é conseguir gerir turmas de cerca de 30 alunos,
em que alguns desses alunos apresentam dificuldades em manter a atenção e/ou
revelam excesso de atividade motora e comportamentos impulsivos.
O presente texto reúne algumas ideias e estratégias simples
para que os professores consigam lidar com os alunos com Défice de Atenção, isto é, com crianças com dificuldades em manter
a atenção durante um longo período de tempo e que estão “sempre com a cabeça na lua”, mas também com os alunos que
apresentem comportamentos impulsivos e
excesso de atividade motora, ou seja, crianças com dificuldade em
manterem-se focados numa só tarefa e que têm “bicho-carpinteiro”.
Ideias e
Estratégias para alunos com Défice de Atenção
• Faça uma pequena pausa e promova a curiosidade
(suspense), como por exemplo olhando ao redor antes de colocar uma questão;
• Avise que alguém vai ter que responder a uma
pergunta sobre aquilo que está a ser dito;
• Escolha aleatoriamente os alunos para ler/responder
a uma questão, de modo a que não consigam prever quando devem estar atentos;
• Utilize o nome do aluno quando colocar uma questão;
• Faça uma pergunta simples ao aluno (não relacionada
com o assunto em questão) quando perceber que este está a começar a perder a
atenção;
• Crie uma “piada privada” entre si e o aluno, de modo
a envolvê-lo novamente na aula;
• Percorra a sala de aula e dê um toque discreto no
ombro do aluno enquanto está a ensinar algo importante;
• Percorra a sala de aula e vá tocando discretamente
no sítio exato da página que está a ser lido ou discutido no momento;
• Alterne entre atividades físicas e mentais;
• Aumente a novidade das aulas ao usar filmes, cartões
(flashcards), trabalhos de grupo;
• Incorpore os interesses dos alunos no planeamento
das aulas;
• Dê instruções simples e concretas;
• Ensine aos alunos estratégias de auto-monitorização;
• Utilize uma voz suave para dar instruções.
Ideias e
Estratégias para alunos com Comportamentos Impulsivos
• Dê-lhe atenção positiva e reconhecimento tanto
quanto possível;
•Clarifique as
regras da sala de aula;
• Estabeleça um sinal entre si e o aluno;
• Crie o hábito de esperar 10 a 15 segundos antes de
responder;
• Analise as respostas irrelevantes dadas pelo aluno e
procure possíveis relações com a pergunta;
• Peça ao aluno para repetir a pergunta antes de
responder;
• Escolha um aluno para ser o “detentor da pergunta”
(para repetir a pergunta ao aluno);
• Ao introduzir uma nova matéria, peça aos alunos para
fazerem perguntas antes de ser lecionada a matéria;
• Retire da sala de aula toda a estimulação
desnecessária;
• Certifique-se que as tarefas propostas são curtas;
• Transmita que a precisão vale mais que a rapidez;
• Utilizando o relógio da sala de aula, diga aos
alunos quanto tempo têm para a realização de uma determinada tarefa;
• Peça que os alunos tenham um ficheiro com todos os
seus trabalhos completos;
• Incentive o planeamento utilizando com frequência
listas, o calendário, tabelas e imagens na sala de aula.
Adaptado de
“Suggested Classroom Interventions For Children With ADD & Learning Disabilities”