23 de março de 2022

Europa Oriental – É seguro viajar para lá neste momento?

Com a invasão da Ucrânia e o cenário de guerra que se vive, muitos viajantes começam a sentir-se inseguros em viajar para os países vizinhos.

Depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, quem pretendia viajar para o leste da Europa ganhou novas preocupações e, segundo a Euronews, os agentes de viagens continuam a descrever "nervosismo" em relação aos países da Europa Oriental que veio amortecer o boom de viagens que era esperado em 2022, aquando da diminuição de restrições devido à pandemia.

Um inquérito realizado pela agência de viagens MMGYGlobal revelou que a guerra na Ucrânia está a ter o dobro do impacto da pandemia nos planos dos americanos de visitar a Europa. Dos inquiridos, 62% revelaram-se preocupados com a possibilidade da invasão propagar-se para os países vizinhos e 47% preferem esperar para ver como a situação evolui antes de reservar férias.

A Agência Europeia para aSegurança da Aviação (EASA) tem partilhado as suas avaliações sobre o espaço aéreo nas proximidades da Ucrânia através do Conflict Zone Information Bulletin(CZIB). A actualização de 24 de fevereiro adverte contra as viagens sobre a região de Chisinau, na Moldávia, Minsk, a capital da Bielorrússia, assim como Rostov, no sul da Rússia. Todos os 27 Estados-Membros da União Europeia, assim como os EUA, Reino Unido, Albânia, Canadá, Islândia, Noruega e Suíça proibiram os voos russos de entrar no seu espaço aéreo.

É seguro viajar para países como a Polónia, Hungria e Eslováquia?

A resposta dos especialistas, citados pela Euronews, é sim. No entanto, vale a pena verificar as últimas informações antes de viajar. Se viajar para a Polónia, lembre-se que o país está a receber um grande número de refugiados, pelo que deve reservar alojamento com maior antecedência. As áreas polacas junto à fronteira com a Bielorússia estão encerradas.

"A Hungria continua a ser um país seguro, e a vida aqui continua como normal", garantiu um porta-voz da Agência Húngara de Turismo à CNN Travel. "O Governo húngaro está a fazer o seu melhor para evitar o envolvimento na guerra e para preservar a segurança tanto dos residentes da Hungria como dos turistas que a visitam", acrescentou.

Países como a Estónia, Letónia e Lituânia continuam a receber voos normalmente, o que significa que os peritos em aviação consideram seguro fazê-lo. A Lituânia, no entanto, declarou estado de emergência no dia 24 de fevereiro em resposta à invasão russa da Ucrânia. Se visitar o país, é agora obrigado a mostrar um documento de identificação com fotografia sempre que pedido pelas autoridades. Os controlos pontuais podem também estar em funcionamento nos postos fronteiriços, mas as autoridades não desaconselham as viagens.

Embora a maioria dos grandes navios de cruzeiro que parariam em território russo tenham feito alterações em vez de cancelarem completamente, alguns operadores de cruzeiros fluviais foram forçados a cancelar as viagens programadas para a Ucrânia.


Susana Sousa Ribeiro



10 de fevereiro de 2022

7 Estratégias para não ser Vítima de um Ciberataque

Os ataques informáticos aumentaram durante a pandemia, alertou o Portal da Queixa. Citando dados da Procuradoria-Geral da República (PGR), a rede social de consumidores refere que "as denúncias de cibercrimes duplicaram em 2021, chegando às 1.160, mais do dobro do que no ano anterior (544)" e no seu portal foram recebidas mais de seis mil reclamações só relativas a burlas online.

Só este ano, já se registaram ataques à página de internet da Assembleia da República, ao Grupo Impresa (SIC e Expresso), à Cofina (Record, Correio da Manhã, CMTV, Sábado e Jornal de Negócios), à Trust in News (Visão) e à Vodafone. 

De forma a construir uma forte literacia digital é necessário saber reconhecer cenários duvidosos e fraudulentos e saber como agir quando se é vítima de algum esquema de burla.


 Estratégias defensivas essenciais


Criar passwords seguras e atualizá-las regularmente: ter a mesma password para tudo é ser um alvo fácil. Hoje em dia, existem plataformas seguras - como o Lastpass ou o 1password, por exemplo - onde podes guardar as tuas passwords, e assim evitar usar sempre a mesma. Pode ainda aceitar as passwords geradas pelo Google e guardá-las em plataformas para o efeito.

Não ignorar as atualizações de software: Demora apenas alguns minutos, e é uma importante ação que vai permitir atualizações de segurança e das configurações de privacidade. Contribui para a segurança, não só, de quem está a trabalhar remotamente, bem como, para a proteção da empresa de que faz parte.

Emissor duvidoso, com mensagem de alerta: nunca abrir este tipo de mensagens de remetentes ou números desconhecidos, sobretudo se convidam a abrir um link ou a partilhar dados pessoais. As mensagens de alerta (supostas dívidas, pagamentos em atraso, alerta de cancelamentos) são uma prática comum em ataques de phishing. Apesar de intimidar ou gerar curiosidade, nunca abrir nenhum link suspeito e nunca partilhar dados pessoais. No caso dos emails, e tal como alerta a Autoridade Tributária, confirmar sempre o remetente de um email que receba e que pareça duvidoso.

Marca ou entidade conhecida, mas com mensagem estranha: se receber uma mensagem de alguma entidade ou marca reconhecida que convida à abertura de um link, não abra. No caso dos websites, certifique-se sempre de que são verdadeiros e não duplicados. Uma forma fácil de comprovar se o site é fidedigno e seguro é perceber se este tem Certificado SSL (se o site tem HTTPS e um cadeado na barra do endereço).  Para comprovar a sua segurança, passe o rato por cima da hiperligação para ver o URL completo, avaliando assim a confiabilidade do conteúdo.

Ataques via redes sociais: a duplicação de perfis de marcas, celebridades ou influencers é real e cada vez mais comum. Existem perfis falsos de “Giveaways” que levam as pessoas a deixarem os seus dados pessoais ou cartão de crédito em plataformas desconhecidas. Existem perfis que enviam mensagem em massa a anunciar que foi o vencedor ou mesmo os que oferecem produtos diretamente. Em todos eles há algo que os denuncia: por norma, o discurso é duvidoso, tem erros de português, já que muitas vezes a tentativa de ataque é feita por hackers internacionais e que pedem sempre dados do cartão de crédito ou para subscrever alguma plataforma que leve à partilha de tal informação.

Fraude bancária, se foi vítima de phishing alerte o seu banco: os bancos já estão atentos a situações de fraude, motivo pelo qual têm vindo a criar, cada vez mais, mecanismos de segurança na ativação de cartões. No entanto, a duplicação de cartões ou o extravio de dados ainda é um problema por resolver. Se foi vítima de phishing, cancele imediatamente todos os teus cartões e alerta o teu banco sobre o sucedido.

À mínima dúvida, denuncie sempre e partilhe a sua experiência: A reclamação no Portal da Queixa não só alerta a marca sobre o que está a acontecer, como também ajuda outros consumidores a perceberem que podem estar prestes a ser alvo de fraude. Uma reclamação tem ainda o poder de levar a marca a pensar em soluções, por exemplo, reforçar a segurança do website, entre outras coisas, de forma a que este continue a ser seguro para os utilizadores. Aqui, as marcas também têm um papel importante, pois quando um ataque acontece, o primeiro passo a dar é no sentido de restabelecer a credibilidade e mostrar preocupação com o cliente.


29 de janeiro de 2022

Sucker Punch – Um cenário de violência em que te podes ver envolvido

Esta é uma situação em que a maioria das pessoas não se quer ver envolvida. Estás num cenário ameaçador em que não consegues escapar, fugir, e o teu adversário deixou claro que a sua intenção é agredir-te. A única coisa que pode piorar a situação é saberes que não tens habilidades suficientes para te defenderes e saíres dali em segurança.

Quem não se consegue defender tem mais probabilidades de se tornar uma vítima. É aqui que entra o treino de autodefesa. O estudo da defesa pessoal dá-te conhecimentos importantes para saberes como evitar potenciais situações de violência. Também aprendes técnicas comprovadamente eficazes para repelir um atacante. Tornas-te também mais sensível à importância de adquirir e manter uma boa condição física, e isso pode ser muito importante quando precisas de te defender com sucesso.  Pois é difícil fugires de um agressor ou aplicar movimentos defensivos com um certo nível de intensidade e vigor se depois de correres 20 metros ficas sem fôlego.

Estares mentalmente preparado para a possibilidade de precisares defender-te em algum momento da tua vida também te dará mais vantagem psicológica. Tens menos possibilidades de congelar e bloquear quando te sentires ameaçado e mais probabilidades de tomares as decisões certas, uma vez que o treino de autodefesa te ajuda a enfrentar situações de confronto debaixo de stress.

Este é um cenários cem que te podes ver envolvido e em que só tens a ganhar se tiveres alguns conhecimentos de autodefesa:

O Sucker Punch (também conhecido como coward punch e one-punch attacké um termo que geralmente designa um soco dado de forma traiçoeira e desleal onde o atacante surpreende a vítima sem que esta tenha tempo para se preparar ou defender. O golpe é executado de forma dissimulada, sem aviso (e muitas vezes sem razão), procurando o agressor esconder a sua intenção e até mesmo distrair a vítima para que ela fique mais vulnerável. Em algumas situações o ataque pode vir da retaguarda diminuindo ainda mais qualquer possibilidade de a vítima ter noção do que lhe vai acontecer. 

Embora existam contextos e ambientes específicos em que as probabilidades de uma pessoa ser surpreendida por um atacante são maiores, a realidade é que qualquer pessoa pode ser alvo de um sucker punch pelo simples facto de se cruzar com um desconhecido. 

Os motivos que levam alguém a atacar uma pessoa de forma violenta e repentina podem ser diversos, no entanto um atacante pode ter este comportamento só por diversão, querer provar algo para entrar num gangue, roubo, vingança, tentativa de violação, ou até atuar unicamente por se encontrar de consciência alterada por efeitos do álcool ou estupefacientes.

Algumas das vítimas sofrem lesões permanentes e debilitantes, havendo até situações mais trágicas e amplamente noticiadas pela imprensa. Frequentemente as vítimas perdem a consciência sendo o facto de caírem desamparadas que lhes pode provocar traumatismos mais graves.

Curiosamente, câmaras de vigilância em diferentes centros urbanos dispersos por esse mundo fora, têm captado situações em que o modus operandi dos agressores é muito peculiar: homens, mulheres e adolescentes são atacados por alguém que corre na direção deles, os golpeia e foge rapidamente do local. 


TÁTICAS DE AUTOPROTEÇÃO


O sucker punch é um ataque perigoso que pode surpreender até mesmo alguém com conhecimentos de técnicas de combate e autodefesa. É uma agressão de que não se está à espera e que te pode apanhar numa fração de segundos. Como então podes evitar ser surpreendido por esse tipo de ataque?

Mais abaixo estão dois vídeos que exemplificam algumas táticas defensivas e no YouTube encontramos inúmeros instrutores de defesa pessoal, cada um deles com a sua visão particular sobre o que pode ser feito para evitar um sucker punch. Alguns desses vídeos são interessantes e outros completamente ridículos e ingénuos. A realidade é que não existe uma fórmula mágica que te assegure a 100% que em algum momento não irás ser surpreendido por um ataque completamente imprevisível. Podes, no entanto, minimizar as possibilidades de te tornares uma vítima fácil, adotando atitudes e comportamentos preventivos que te fazem ficar mais alerta em determinadas situações, como por exemplo, quando sais à noite e frequentas ambientes onde normalmente existem conflitos, muito consumo de álcool, etc. Por outro lado, na tua rotina diária, podes fazer um esforço de vontade para ficares mais consciente do ambiente que te rodeia. Esta é uma regra fundamental de autoproteção: não ficares desligado do que se passa à tua volta.

As novas tecnologias invadiram o nosso cérebro fazendo com que seja muito fácil alhear-nos do mundo real e mergulharmos no virtual. Consequentemente, cada vez menos as pessoas utilizam os seus sentidos como forma de monitorizar o ambiente em que se encontram. Para que te possas sentir mais seguro e confiante começa por treinar a tua atenção a partir dos sentidos. Quando caminhas exercita a tua capacidade de reconhecimento visual e usa a tua visão periférica. Repara nas pequenas coisas, observa as pessoas e os seus movimentos, fica atento a quem demonstra uma linguagem corporal suspeita. Ouve os diferentes ruídos que te circundam, os passos das pessoas, as vozes que se cruzam no ar. Procura, sempre que possível, manter um espaço de segurança em relação a desconhecidos.  Atualmente essa é uma noção a que temos prestado mais atenção por causa da atual pandemia do Covid-19, mas ter consciência do nosso espaço pessoal e estar atento a eventuais intrusos é um princípio básico de autodefesa.

Outro fator importante que pode mitigar as probabilidades de seres surpreendido por um atacante é a tua própria linguagem corporal. A forma como caminhas transmite uma mensagem aos outros, em particular aos predadores que procuram pessoas distraídas do ambiente que as cerca e com sinais percetíveis de falta de autoconfiança. Para de caminhar com os olhos no chão ou no smartphone, ergue a cabeça e movimenta-a para ambos os lados para que tenhas uma clara visão de 180 graus. Não precisas caminhar como um manequim a desfilar na passerelle, mas podes imprimir à tua passada um ritmo mais determinado que te ajude a sentir mais seguro e confiante. Evita encurvares-te sobre ti próprio, endireita o teu corpo e faz algumas inspirações profundas. Dessa forma consegues mover-te com uma presença mais decidida, o que pode levar a que quem te observe com segundas intenções resolva procurar um alvo menos atento.

Essas são algumas dicas que podem colaborar para não seres alvo de um ataque inesperado. Estudar autodefesa também te ajuda a melhorar a atenção, a velocidade de reação e a desenvolveres uma autoconfiança mais robusta.  As tuas competências físicas são treinadas através de diferentes cenários onde vais aprender a posicionar-te e a aplicar técnicas contundentes para repelir um agressor. O treino sério de autodefesa não só prepara o teu corpo para situações em que te sentes em perigo, mas também capacita a tua mente para enfrentar cenários em que a maioria das pessoas congela ou entra em descontrolo emocional.

A realidade é que qualquer um de nós pode ser surpreendido por um sucker punch, mas reduzimos significativamente as possibilidades de isso acontecer se estivermos preparados física e mentalmente a par do desempenho das nossas faculdades de atenção melhoradas.







16 de dezembro de 2021

5 Sugestões para compras digitais mais seguras

 


Costuma entregar o cartão ao funcionário do restaurante para que este trate do pagamento? Ou colocar o PIN no terminal sem atenção a quem poderá estar de olho? Estes são dois dos cenários apontados pela Visa como sendo potencialmente perigosos. A pensar na quadra festiva – e numa altura de maior consumo e de mais movimentações –, a empresa partilha cinco sugestões que podem ajudar a tornar o Natal mais seguro. Desconfiar e estar atento são dois dos comportamentos mais importantes no geral, mas há aspetos mais específicos também a ter em consideração:

 1 – Pague em segurança em loja e proteja o seu cartão e o seu código PIN. Quando for pagar num restaurante, peça ao funcionário para trazer o terminal de pagamento à sua mesa, por exemplo, em vez de deixar que levem o seu cartão, sem a sua supervisão, para a caixa registadora. Quando colocar o seu PIN, mantenha a mão sobre o terminal para proteger o número de olhares curiosos. Lembre-se, se detetar pagamentos invulgares e pensar que alguém pode ter utilizado o seu cartão sem a sua autorização, pode sempre ligar ao seu banco e pedir para bloquear o cartão.

 2 – Pague online com segurança. Ao efetuar compras online, verifique o URL para garantir que começa com https://. O “s” no final confirma uma ligação segura. Poderá também ser-lhe pedido que forneça um código único (enviado para o seu telemóvel ou email), impressão digital, ou reconhecimento de voz ao efetuar um pagamento. Isto pode acontecer por uma questão de segurança e o seu banco só quer ter a certeza de quem é a pessoa que está a utilizar o seu cartão.

 3 – Pagar com segurança através das apps. Mude para reconhecimento de impressão digital ou facial ao efetuar o login de contas e/ou pagamentos, se essas opções forem uma possibilidade. Do ponto de vista da Visa, estes métodos são mais seguros e muito mais fáceis de utilizar do que as passwords.

 4 – Tenha atenção a fraudes de phishing. Tenha cuidado com emails ou chamadas telefónicas não solicitadas e suspeitas. Podem tentar roubar informações pessoais como o número de conta, nome de utilizador e palavra-passe. Em caso de dúvida, não clique em nenhuma ligação que não conheça e não descarregue ficheiros dos quais não sabe a origem.

 5 – Atualizar o software do sistema e da aplicação. Instale o software mais recente antes de fazer compras com o seu computador, tablet ou smartphone. As empresas tecnológicas trabalham arduamente para o manter em segurança – atualizar o seu software ajuda-os a corrigir e a protegê-lo de vulnerabilidades.




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25 de novembro de 2021

Como Ajudar uma Amiga ou Familiar que é Vítima de Violência Doméstica?


No dia em que se assinala o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres importa saber como se deve agir (e o que jamais se deve fazer) quando sabemos ou suspeitamos que uma amiga, familiar, vizinha ou colega de trabalho possa estar a viver uma situação de violência doméstica.

O primeiro ponto a assinalar é que os cenários de violência não se traçam somente de marcas físicas. Há sinais que podem indicar que a mulher é vítima de maus tratos psicológicos e essa forma de violência não pode ser subestimada nem vista como um "mal menor."

Sabia que ações como a devassa da vida privada através de imagens, conversas telefónicas, emails, revelar segredos e factos privados, violação de correspondência ou de telecomunicações são considerados atos de violência doméstica? Muitas vezes estes atos cometidos por parte dos companheiros ou companheiras ainda não são vistos pela própria mulher e pela sociedade civil como sendo uma forma de violência.

E claro, existem as formas de violência mais evidentes para todos, como os maus tratos físicos e psíquicos, a ameaça, coação, injúrias, difamação e crimes sexuais, podendo num âmbito mais lato haver ainda os crimes de subtração de menor, violação da obrigação de alimento, homicídio tentado ou consumado, dano, furto e roubo.

Se suspeita que uma amiga ou familiar possa estar a ser vítima de violência, pode ter um papel fundamental na vida dessa pessoa. A Associação Portuguesa de Apoio àVítima (APAV),  considera que "a ajuda inicial de um amigo ou amiga ou de um familiar pode ser crucial para que a vítima de violência doméstica fale e peça ajuda para tentar sair da situação de violência em que vive e com que tem de lidar sozinha". E esta ajuda pode ser o início do fim da situação de violência.


Observe o comportamento da sua amiga/familiar sozinha e em contexto de casal

De acordo com a APAV, estes são os comportamentos a que devemos prestar atenção sobre o estado da possível vítima:

●  Anormalmente bastante nervosa ou deprimida;

●  Cada vez mais isolada dos amigos e familiares;

● Muito ansiosa sobre a opinião ou comportamentos do seu/sua namorado/a ou companheiro/a;

●  Ter marcas não justificadas e mal explicadas, como por exemplo nódoas negras, cortes ou queimaduras;


De resto, repare no comportamento do companheiro/a da sua amiga:

●  Desvaloriza e humilha-a à sua frente e de outras pessoas;

●  Está sempre a dar ordens à sua amiga e decide tudo de forma autoritária;

●  Controla todo o dinheiro e os contactos e saídas sociais da sua amiga;

Todos estes sinais podem indiciar uma situação de violência e não não deve ficar indiferente.


Antes de tentar ajudar, saiba o que nunca deve fazer:

Antes de mais, deve recomendar à sua amiga que procure apoio junto da APAV. Mas esta não é uma decisão tomada de ânimo leve e, por isso, por mais que sua intenção seja a de 'salvar' a vítima com urgência,  a associação alerta para o que não deve fazer:

●  Dizer à sua amiga o que fazer: a decisão é sempre da vítima;

●  Dizer-lhe que ficará desapontado se a sua amiga não fizer o que lhe disse para fazer ou se voltar para o/a agressor/a;

●  Fazer comentários que possam culpabilizar a vítima por ser vítima;

●  Tentar fazer "mediação" entre a vítima e o/a agressor/a;

●  Confrontar o/a agressor/a, porque pode ser perigoso para si e também para a vítima.

"Ajudar como amigo/a ou familiar uma vítima de violência doméstica não significa ter de resolver pelos próprios meios a situação ou salvar a vítima. Por outro lado, é importante estar consciente que deixar uma relação violenta pode ser difícil, perigoso e demorar tempo", sublinha a APAV.


Em caso de emergência, ajude a planear uma fuga

Se a vítima vive com o/a agressor/a:

●  Auxilie no planeamento da sua fuga de casa para uma eventualidade;

● Não é aconselhável que tenha facilmente acessível armas, facas, tesouras ou outro objetos que possam ser usados como armas;

●  A vítima pode fazer uma lista de pessoas em quem confia, para contactar em caso de emergência e coloque o seu contacto nas teclas de contacto rápido do seu telemóvel;

●  A vítima pode estabelecer uma palavra-chave código com amigos, familiares ou vizinhos para chamarem a polícia;

●  A vítima deve ter sempre algum dinheiro consigo;

Deve fixar todos os números telefónicos importantes (polícia, hospital, amiga/o); 

● Deve também saber onde se encontra o telefone público mais próximo e se possuir telemóvel mantenha-o sempre consigo;

● Pode preparar um saco com roupas e deixe-o em casa de amigas/os ou no trabalho, para o caso de precisar de fugir de casa;

●  Estar preparado/a para deixar a residência em caso de emergência;

●  Saber para onde ir se tiver que fugir.


Durante a agressão:

●  A vítima deve referenciar áreas de segurança na casa onde haja sempre saída e o acesso a um telefone. Quando houver uma discussão evite a cozinha ou a garagem dado o elevado risco de aí se encontrarem facas ou outros objetos suscetíveis de ser usados como armas;

● Deve tentar evitar igualmente casas de banho ou pequenos espaços, sem saídas, onde o/a agressor/a o/a possa aprisionar;

●  Se possuir telemóvel, deve mantê-lo sempre consigo e chamar a polícia ou um amigo.


Se a vítima decidir sair de casa:

●  A vítima deve ter sempre consigo dinheiro, um cartão multibanco ou um cartão para utilizar um telefone público;

●  Saber a quem pode pedir abrigo ou dinheiro;

●  Utilizar uma conta bancária à qual o/ agressor/a não tenha acesso;


Quando efetivamente a vítima sair de casa:

● Nunca deve levar bens que pertençam ao/à agressor/a, porque isso pode ser motivo de represálias;

● Deve guardar num só local cartão de cidadão, certidões de nascimento dos filhos (ou cartão do cidadão, cartões da segurança social, identificação fiscal, centro de saúde, passaporte, boletim de vacinas, carta de condução e documentos do automóvel, agenda telefónica, chaves (carro, trabalho, casa), livro de cheques, cartão multibanco e de crédito;

● Se tiver crianças, pode levar os seus brinquedos preferidos e os seus livros escolares;

● Se a vítima participar às autoridades policiais pode pedir, se necessário, no âmbito do seu processo penal, uma medida judicial de proibição do/a agressor/a o/a contactar. A violação dessa ordem judicial pelo/a agressor/a também é crime;

●  A vítima deve mudar de número de telemóvel e bloquear os endereços de email do/a agressor/a; deve também ter cuidado a dar os seus contactos pessoais (a nova morada, o novo número de telemóvel);

● Se necessário, deve alterar as suas rotinas e os seus percursos habituais e conhecidos do/a agressor/a para casa, para o trabalho, para o ginásio, para as compras, ou outros locais.

● Se possível, dar a conhecer a amigos, familiares, colegas a sua situação, uma vez que estes o/a podem ajudar a controlar os movimentos do/a seu/sua agressor/a.


Vítima em situação de perigo de vida:

● Numa situação extrema de violência, em que se encontra em perigo de vida e que a única coisa que pode fazer é defender-se, todos os meios são válidos para sobreviver.

● O seu objetivo principal é debilitar momentaneamente o agressor para conseguir escapar e ir para um local seguro. Para o conseguir não deve responder com as mesmas “armas” do agressor, até porque normalmente, no mínimo, ele já tem a vantagem física. 

● Para se defender com êxito tem que esperar pelo momento mais oportuno e usar o efeito surpresa.

● Na sua reação defensiva precisa de mobilizar toda a sua energia física e emocional por meio de movimentos ofensivos direcionados para alvos específicos.

● O corpo humano tem áreas (ou pontos vitais) particularmente sensíveis que ao serem golpeadas produzem dor suficiente para travar por alguns instantes um atacante. Sem que seja necessário o uso de uma força extraordinária, golpear com determinação os olhos, a garganta (traqueia) ou a zona genital, vai produzir dor e desconcentração suficiente no agressor para o imobilizar momentaneamente e permitir que você tenha mais espaço de manobra para fugir.

● O Núcleo de Defesa Pessoal de Lisboa (NDPL) tem um programa que ajuda potenciais vítimas de violência doméstica a desenvolverem competências de autodefesa. Este programa está acessível a todos, inclusivamente a pessoas com dificuldades económicas. Entre em contacto com o NDPL via telefone ou email.






28 de setembro de 2021

Mobbing − Violência Psicológica no Trabalho

O mobbing, também designado como violência psicológica ou assédio moral no ambiente de trabalho, tem a sua origem associada à existência do trabalho e das relações laborais. Contudo, só a partir da última década do século XX tem vindo a suscitar grande preocupação pelos seus efeitos devastadores.

É um fenómeno à escala mundial caracterizado por ações, práticas e comportamentos hostis, dirigidos normalmente contra um trabalhador que, por consequência, se vê numa situação vulnerável, desesperada e violenta e frequentemente forçado a abandonar o seu emprego, seja por iniciativa própria ou por imposição. Vários autores definem o mobbing como uma perseguição metodicamente planeada e organizada e temporalmente prolongada, constituindo violência reiterada.

Na maioria dos casos, o mobbing tem início em comportamentos que, de forma isolada ou subtil, parecem ser inofensivos ou, pelo menos, justificados. No entanto, a continuidade e intensificação revelam o claro propósito de agir contra a vítima. Não existe um padrão de homogeneidade dos comportamentos adotados pelo agressor. Muito pelo contrário, pode apresentar uma panóplia de ações incrivelmente díspares contra a vítima, tais como:

 Retirar-lhe autonomia;

 Não lhe transmitir informações necessárias para a execução de tarefas;

 Criticar sistematicamente as suas decisões e o seu trabalho, forma de vestir, atitudes ou comportamentos;

 Impedir a execução de tarefas que são da sua responsabilidade ou o acesso a equipamentos necessários à realização do trabalho;

 Induzir ao erro, inferiorizar, ridicularizar ou falar aos gritos;

 Sobrecarregar com inúmeras tarefas e prazos impossíveis de cumprir;

O mobbing ou violência psicológica pode ser praticado por uma só pessoa ou por um grupo de pessoas e tem como objetivo central causar prejuízos na vítima.

Segundo a Associação Portuguesade Apoio à Vítima (APAV) e o estudo realizado pelo Centro Interdisciplinar deEstudos de Género (CIEG), 16,5% da população ativa portuguesa já vivenciou situações de assédio moral no trabalho. Qualquer pessoa, seja homem ou mulher, pode ser vítima de mobbing em qualquer tipo de trabalho. Embora a maioria das vítimas seja do género feminino, também há uma prevalência significativa nos homens.

De acordo com o psicólogo HeinzLeymann, pioneiro nesta área de investigação, "O terror psicológico ou mobbing no trabalho envolve hostilidade e comunicação não ética dirigida de maneira sistemática a um ou mais indivíduos, principalmente a um indivíduo que, em razão do terror psicológico, é colocado numa posição de desamparo e assim mantido".


Quem exerce comportamentos de mobbing é desprovido de qualquer propósito de beneficiar a vítima pelo que, os planos imorais e maldosos que engendra visam causar danos e é em função dessa finalidade que atua. As suas intenções não só pretendem causar prejuízos psíquicos e físicos, como também afetar a integridade, desacreditar, humilhar ou difamar a vítima e, não raras vezes, afastá-la do local de trabalho.

Assim sendo, uma vítima de assédio moral, neste ambiente de verdadeira "guerrilha", pode sofrer consequências extraordinariamente nefastas que se refletirão, irremediavelmente, no seu bem-estar e satisfação pessoal e com a vida, na saúde física e psíquica, na vida conjugal, familiar e social, assim como na vertente financeira e patrimonial. Sendo certo que os comportamentos do agressor têm consequências muito negativas para a vítima, é igualmente certo que também provocam efeitos negativos para a organização/empresa onde exerce funções profissionais, designadamente, consequentes quebras na produtividade, menor eficácia e absentismo, entre outras possíveis consequências.

Reconhecendo que o mobbing é um tema extenso e merecedor de maior desenvolvimento, nas próximas crónicas abordar-se-ão outros aspetos de igual importância, designadamente, o perfil das vítimas de mobbing e o impacto do mobbing na vítima, no local de trabalho e na vida familiar e social, assim como, algumas das medidas possíveis para intervenção e cessação deste tipo de violência psicológica.

Os contributos da psicologia clínica e da psicologia forense, pela sua enorme relevância, serão, também, objeto de partilha nos próximos textos sobre mobbing.

Cabe-nos a todos nós, de forma individual e/ou coletiva, a responsabilidade de não compactuar com o mobbing, de denunciar este tipo de violência e de expressar solidariedade às vítimas.

 

Um artigo da psicóloga Lina Raimundo, da MIND - Psicologia Clínica e Forense.


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22 de agosto de 2021

Mapa de assaltos a residências em cada país do mundo


Com as janelas abertas ou as pessoas de férias, o verão é a época do ano em que se registam mais assaltos a residências.

Um estudo sobre as taxas de criminalidade em 27 cidades internacionais mostrou que os assaltos a casas diminuíram 28% em condições de confinamento. No entanto, à medida que as restrições diminuem e as pessoas passam mais tempo fora de casa, existem mais probabilidades de ocorrerem assaltos a residências. E o verão é o pico dos assaltos: as janelas ficam abertas, as famílias estão de férias e todos estão menos atentos.

Para descobrir a situação global dos assaltos, a Budget Direct obteve taxas nacionais de assaltos de países ao redor do mundo e calculou o número por 100.000 pessoas para cada país com os dados disponíveis.

O Peru tem a maior taxa de assaltos do mundo, com 2.086 assaltos por 100.000 pessoas por ano, enquanto a menor taxa de assaltos do mundo está em Bangladesh: 1 por 100.000. Em Portugal, a taxa de assaltos é de 107 por 100 mil pessoas.

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