O INEM e as
Forças de Segurança desenvolveram um cartão de identificação de emergência para
turistas e residentes estrangeiros em Portugal. Saiba como funciona.
Era preciso
melhorar a comunicação entre cidadãos estrangeiros, autoridades e serviços de
emergência. Assim nasceu o Cartão de Emergência. É útil e gratuito. Quer saber
como funciona?
Para quem? − O documento
destina-se a cidadãos estrangeiros, em férias ou a residir em Portugal, mas
pode ser utilizado por qualquer cidadão nacional.
Como obter? − Se estiver
interessado em utilizar o Cartão de Emergência, pode obtê-lo de forma imediata
e gratuita. Só tem de descarregar o documento em PDF, na página de internet de
uma das entidades envolvidas nesta iniciativa.
Como utilizar? − Deve preencher
os dados pessoais diretamente no cartão: nome; idade; residência; autoridade
policial da sua zona de residência; nacionalidade; estadia em Portugal e pessoa
a contactar em caso de emergência. Do lado da informação médica, deve
preencher: seguradora; doenças; alergias e medicação.
Depois da
informação estar completa, só tem de imprimir e guardar o cartão na carteira
que anda sempre consigo, para que seja facilmente encontrado quando for
necessário. “Em caso de emergência vai falar por si”.
Um alerta − Este documento não
substitui o documento de identificação, mas funciona como informação útil e
adicional àquela que está no cartão do cidadão, por exemplo.
O cartão não é
obrigatório, mas prevenir nunca é demais. Proteja-se.
Se perdeu os
seus documentos de identificação, além das autoridades policiais, comunique a
informação ao Banco de Portugal (BdP) e proteja-se da utilização abusiva dos
seus dados.
O BdP explica
que no caso de perda de documentos como o cartão de cidadão, do cartão de
contribuinte, do passaporte ou título de residência, é importante comunicar ao
regulador, que irá informar gratuitamente o sistema bancário da situação.
Ou seja, desta
forma, os bancos poderão ficar alerta para agir, “caso alguém tente em seu nome e utilizando os seus documentos, fazer
uma operação financeira ilícita”.
Poderá
notificar o BdP através do portal do cliente bancário, nos postos de
atendimento do BdP ou por carta, devendo apresentar o auto ou a declaração
emitida pela entidade policial à qual apresentou queixa.
“Lembre-se, quando recuperar ou tiver substituído os documentos
perdidos volte a contactar o BdP. Nós notificaremos o sistema bancário dessa
alteração”, salienta o regulador.
No entanto,
este serviço não se destina a comunicar a perda de cartões bancários ou de
cheques.
“Nestas situações, os respetivos titulares devem contactar, com
a brevidade possível, a entidade emissora desses meios de pagamento. No caso
dos cartões bancários, pode consultar a lista de contactos dos respetivos
emissores na informação relacionada no final da página”, identifica.
Desenvolvida
para simplificar a vida dos utilizadores, a plataforma MB WAY permite a
realização de compras e transferências bancárias imediatas com total comodidade
e segurança, já que o utilizador pode fazê-lo através do seu telemóvel, a
qualquer hora do dia e onde quer que esteja, sem que tenha de partilhar os seus
dados bancários. No entanto, há quem se queira aproveitar destas novas
“tecnologias” e, em Portugal, há relatos de que o MB WAY está a ser usado para
roubar dinheiro. Conheça o esquema usado pelos mafiosos e saiba o que fazer
pela sua segurança.
Este artigo
serve essencialmente para alertar os cibernautas dos perigos que se escondem em
cada esquema ardilosamente montado para apanhar os incautos.
O que
descrevemos a seguir é um caso real de um esquema que está ativo em Portugal e
que pretende criar dano roubando as pessoas, através da engenharia social e a
pertinente inexperiência dos utilizadores neste tipo de situações.
Burla com recurso à plataforma MB WAY
José, nome
fictício do nosso visitante e protagonista do sucedido, colocou um produto à
venda no OLX por algumas centenas de euros. Poucas horas depois da publicação
do anúncio já estava a ser alvo de uma tentativa de burla por SMS.
O diálogo
começou com a troca normal de mensagens, questões sobre o produto e assuntos
relacionados. Contudo, José conta que, ao contrário do habitual, o “comprador”
não demonstrou pressa em receber o produto anunciado – só mais tarde se
encarregaria de o mandar levantar e transportar até Sines (onde diz morar). O que
realmente demonstrou foi uma “estranha” pressa em pagar! A sua grande
preocupação era pagar… situação sui generis neste tipo de transações “fora da
vista”.
O pretenso
comprador, depois de sondar o vendedor, o José, propunha-se a pagar utilizando
o sistema MB WAY. Para isso pediu ao José que lhe enviasse os (seus) códigos do
cartão! José rejeitou e insistiu que o pagamento fosse feito por transferência
bancária.
Após
fornecer-lhe o IBAN, o burlão diz-lhe que já realizou a transferência mas que,
para que a mesma se efetivasse, José teria de ir ao Multibanco, inserir o
cartão, e selecionar a opção MB WAY/MB NET e introduzir os dados que se
apressou a fornecer.
E que códigos
eram esses? O seu nº telemóvel e um código que o próprio burlão indicou. Isto
é, nem mais nem menos: usando o cartão de débito do José, queria ludibriar o
mesmo a associar o telemóvel do burlão, com o código por ele escolhido!
Para não ter
de esperar muito, o burlão informou que José tinha 30 minutos para ir ao
Multibanco.
Armadilha
armada… agora restava esperar pela presa!
Se José caísse
na armadilha, o burlão teria a capacidade de tirar dinheiro da sua conta,
dentro dos limites de segurança impostos pela entidade gestora (SIBS). Após
desconfiar do que estava a acontecer, José tentou saber mais deste larápio…
foram, segundo José, 64 mensagens trocadas e alguns dados recolhidos que serão
enviados às autoridades competentes.
Fiquem
atentos, partilhem a informação para aumentar o conhecimento de como (tão
simplesmente) funcionam estas burlas. Obviamente que não devem fornecer
qualquer tipo de dados a “estranhos”. Se já o fez, é melhor verificar os seus
movimentos e informar a polícia.
Tempo. Para jantar fora, ir ao cinema, passear, namorar... Todos
os casais precisam de tempo a sós. Contudo, quando nasce o primeiro filho (e o
segundo e o terceiro...) as coisas complicam-se.
De repente, o que antes era fácil exige agora alguma preparação.
Os programas precisam de ser combinados pensando onde ou com quem vão ficar as
crianças.
E, se há quem possa recorrer à ajuda dos avós ou tios, há também
quem não tenha com quem contar para estas escapadelas. Uma boa alternativa
nesses casos é recorrer a uma babysitter, desde que se faça uma boa seleção.
Não se preocupe, vamos ajudá-la nessa tarefa.
Saber
escolher
O fator mais importante para a contratação de alguém que irá
ficar com o seu filho é a confiança. Não se deixe impressionar, logo à partida,
pelas “melhores referências do mundo”,
as “recomendações dos amigos”, a conversa da babysitter.
É essencial que tenha total confiança nas suas capacidades e
competências. Por isso, siga o seu instinto. Num primeiro encontro, esteja
atenta e veja que tipo de relação a potencial babysitter cria com o seu filho.
Baixa-se e olha-o nos olhos quando fala com ele? Não força o contacto? Que tipo
de atitude tem perante a criança? Está à vontade ao pé dela?
Dados
essenciais
Em termos de referências, é muito importante saber se a
babysitter já tomou conta de crianças, de que idades e em que situações. Não se
sinta constrangida em pedir algumas informações mais específicas, como por
exemplo se sabe o que fazer em caso de engasgamento, algo muito comum em
crianças mais pequenas.
Também não se envergonhe em falar sobre o trabalho que dá tomar
conta de um bebé e da atenção constante que exige. Nesse primeiro encontro,
combine também claramente o preço do serviço, cujo valor mínimo por hora, de
acordo com as empresas que contactámos, é de seis euros.
O dia D
Uma vez feita a seleção, o ideal é que esteja em casa nos
primeiros encontros entre o seu filho e a babysitter e avalie as reações dele.
Tenha em conta que é provável que ele resista à ideia de ver os pais saírem de
casa e ficar com uma pessoa estranha. Evite prolongar a despedida, explique-lhe
que a babysitter vai ficar a tomar conta dele (a brincar, contar histórias,
pô-lo na cama...) e diga-lhe a que horas pensa voltar. Não caia na tentação de
prometer recompensas.
Tem direito a divertir-se e a babysitter fica com os seus
contactos. Durante a saída, telefone para saber se está tudo a correr bem ou se
é preciso alguma ajuda.
Se encontrar uma boa babysitter preserve-a. É melhor para as
crianças haver alguma constância. Pode ser uma ajuda preciosa para a sua vida e
permitir-lhe-á sair e divertir-se. Em programas de adultos (se ainda se lembrar
o que isso é).
Não é simples garantir a segurança de espaços públicos com tantas
pessoas, especialmente crianças. É por isso que existem várias regras
essenciais para salvaguardar o bem-estar dos mesmos. Quer descobrir quais são?
Como lugares públicos e frequentemente lotados, as escolas são
locais onde a prevenção é essencial. Assim, a APSEI (Associação Portuguesa de Segurança) dá-lhe a
conhecer alguns conselhos básicos para garantir que a segurança do seu filho, e
de todos os alunos, é salvaguardada.
A SEGURANÇA NAS
ESCOLAS CONCENTRA-SE EM 6 PRINCIPAIS ÁREAS
Na sala de aula ‒ A entrada da sala de
aula deve estar sempre limpa e desobstruída. Os aquecedores devem ser
utilizados com todo o cuidado e de preferência pelos docentes, nunca pelos
alunos. As instalações elétricas devem ser verificadas com regularidade e a sua
manutenção deve ser feita por um técnico especializado. O lixo deve ser
despejado todos os dias.
A planta de segurança presente na sala de aula deve indicar o
caminho definido pelo plano de evacuação para o ponto de encontro.
Nos corredores ‒ As saídas de
emergência devem estar corretamente identificadas e desobstruídas para que
todos saibam por onde ir em caso de emergência. As portas dos corredores não
devem ficar abertas e o material de segurança contra incêndio deve ser testado
regularmente.
No ginásio ‒ As saídas de
emergência devem estar sempre desobstruídas e as suas luzes devem ser
inspecionadas regularmente
Nos laboratórios ‒ Os laboratórios
podem ser dos locais mais perigosos de todas as escolas. A utilização de
líquidos inflamáveis exige muito cuidado e, depois de se acabarem os produtos,
as respetivas embalagens devem ser deitadas nos caixotes do lixo adequados. É
de evitar guardar substâncias incompatíveis no mesmo sítio porque pode causar
uma reação química, podendo resultar num fogo ou numa explosão.
O estado das substâncias químicas deve ser avaliado anualmente,
sendo que quando estas mostram um avançado estado de decomposição devem ser
colocadas no lixo, que deve ser despejado regularmente.
As instalações elétricas no laboratório exigem especial cuidado,
devendo ser verificadas frequentemente.
Na cozinha ‒ A cozinha e o seu
equipamento devem ser limpos frequentemente e o lixo despejado todos os dias,
evitando que se acumule. O filtro dos exaustores deve ser limpo e substituído
regularmente e é obrigatório que a cozinha esteja equipada com material de
segurança contra incêndio.
Nos escritórios e
arrecadações ‒ Os fios do sistema elétrico não devem ficar próximos de portas,
janelas ou debaixo de carpetes. A arrecadação deve ser um espaço regularmente
limpo e arrumado e a utilização de produtos de limpeza deve ser cuidadosa.
Além dos cuidados acima descritos, os simulacros de incêndio e
exercícios são de realização obrigatória no início do ano escolar e devem ser
sempre levados a sério e realizados com frequência prevista na lei para
garantir que alunos, professores e funcionários estão preparados para lidar com
situações de emergência.
Malcomportadas e desafiadoras praticam bullying. Crianças e adolescentes
reservados e educados, com boas notas e integrados, podem ser agressores. Os
sinais são discretos, mas um olhar atento pode detetá-los. E aceitar e levar o
problema a sério é essencial para o resolver.
Normalmente, começa com um telefonema, da
professora ou diretora de turma, que pede para os pais irem a uma reunião na
escola. E na reunião chega a notícia que nenhum pai ou mãe gostaria de ouvir e
na qual, frequentemente, não acredita: estão ali porque a criança anda a
praticar bullying, que é como quem diz, a ser violenta física ou
psicologicamente, de forma intencional e repetida, a um ou mais colegas. Pode
ser a bater, a ofender, a gozar, a ostracizar.
Os pais têm mais facilidade em aceitar que um
filho é vítima do que agressor. Luís Fernandes, psicólogo educacional da
Sementes de Vida – Associação de Apoio à Vítima e coautor do livro
Cyberbullying, Um Guia para Pais e Educadores, percebe a incredulidade de
muitos pais. “Há casos em que, quando conhecemos os pais, percebemos
perfeitamente de onde vem o comportamento agressivo dos filhos: os traços de
violência estão nos pais e os miúdos absorveram‑nos. Mas nem sempre é assim. Há casos em que nitidamente a
educação que foi dada àquele miúdo não o devia predispor a ter esse tipo de
comportamento.”
E, nesses casos, os pais recusam‑se muitas vezes a acreditar que o filho – que é bom
aluno, bem‑comportado
no ambiente de casa, que foi educado com princípios e ao qual dedicam tanto
tempo e afeto – possa fazer isso. “Ele nunca faria isso”, dizem quase sempre.
Só que faz. E a resposta está num comportamento que, não sendo exclusivo dos
adolescentes, faz‑se
sentir muito nestas idades: o síndroma da matilha.
Na adolescência, as relações com os amigos
têm um peso muito grande, e, independentemente da educação em casa e da relação
com os pais, nesta fase, é muito importante para eles sentirem‑se integrados num grupo.“Se o líder
do grupo que querem integrar os desafia a incomodar outros mais fracos, muitas
vezes eles alinham”, explica o psicólogo.
Tiago Andrade, estudante no ensino superior,
hoje com 21 anos, não teme admitir que entre os 10 e os 13 anos tinha este tipo
de comportamento. E, ao contrário de muita gente que olhando para trás terá
tendência a chamar‑lhes “coisas sem importância de miúdos”, não teme chamar as coisas
pelos nomes: “Praticava bullying com alguns colegas de turma, sim. Nunca houve
agressões físicas, mas havia agressões psicológicas a colegas que não faziam
parte do grupo e eram mais frágeis ou estavam em situação de vulnerabilidade.”
Hoje, olhando para trás, não consegue
perceber o que o levava a ter esse comportamento que, de resto, se lembra que
encarava como normal. “Acho que sentia que era superior a eles, mas agora que
penso nisso, estava só a ser inferior, porque precisava de os atacar para me
sentir assim.” À distância, olha para as suas próprias atitudes com desdém e
arrepende‑se. “Não
ganhei nada com o que fiz e sei que causei muito sofrimento a algumas pessoas.
Gostava de mudar isso e ter dado um melhor
exemplo às pessoas à minha volta, que eram obviamente influenciadas para também
fazer bullying.” Como os ataques não envolviam violência física e Tiago era uma
criança bem‑comportada
tudo isto passou na altura sem ser detetado por ninguém. “Parei
de ter este tipo de comportamento pelos 13 anos sem que pais, professores e
funcionários tenham dado conta de alguma coisa.”
Há muitos sintomas, amplamente divulgados, de
que uma criança pode estar a ser vítima de bullying – tristeza, isolamento,
descida de notas, falta de vontade de ir para a escola. Já os sinais de que
pode ser um agressor são menos evidentes. Ainda assim, Inês Freire de Andrade,
vice‑presidente
e formadora da Associação NoBully Portugal, que leva a cabo programas de sensibilização e prevenção nas escolas, conta que há sinais aos quais os pais
podem estar atentos, uma vez que são indicativos de uma probabilidade maior de
os filhos estarem a ter este tipo de comportamentos.
A agressividade generalizada, seja física,
verbal ou relacional, com outros jovens ou com os adultos, da mesma forma que
identificar esta tendência no círculo de amigos dos filhos também pode ser
preditivo desse comportamento. “Existe também a tendência dos bullies não
seguirem as regras formais ou sociais. Se os pais perceberem que o filho tem
dinheiro ou pertences novos que não conseguem explicar de onde vêm, têm de
considerar que podem tê‑los
roubado a colegas, que também é uma forma de bullying”, explica a responsável.
Estes são os sinais mais evidentes, mas há
outros mais subtis. Como o bullying é um fenómeno social que surge de um desequilíbrio
de “poder” – seja ele por diferenças físicas, de capacidade intelectual ou
popularidade, “se os jovens mostrarem uma preocupação fora do normal acerca da
sua reputação, estatuto social ou popularidade, poderão também estar a praticar
bullying de forma a obter tudo isto”. Por fim, como o bullying envolve sempre a
ausência de empatia pelas vítimas, a falta de empatia generalizada para com os
outros pode ser sintomática de que a criança está ou pode vir a estar envolvida
nesta prática.
É fácil apontar o dedo aos bullies e criticá‑los pelo comportamento errado que têm. Menos fácil, mas necessário, é desafiar preconceitos simplistas e uma visão a preto e branco do fenómeno. Uma das conclusões a que muitos estudos e observações empíricas
já chegaram é que, frequentemente, vítima e agressor são a
mesma pessoa, com o conceito de vítima‑agressora
a ser cada vez mais usado neste campo de estudo. A vítima agressora é alguém
que, como forma de compensação
pelos maus‑tratos
que sofre, procura outra vítima
mais frágil para cometer também ela agressões.
“Há muitos miúdos vítimas de bullying que se
tornam agressores no âmbito do cyberbullying. Não têm competências
interpessoais para confortar presencialmente o agressor, mas conseguem
facilmente transforma‑se em
ciberagressores porque são inteligentes, têm competências a nível tecnológico e
podem esconder‑se
atrás de um ecrã”, explica Luís Fernandes.
E o cyberbullying é uma terra de ninguém.
Porque se no contexto de bullying há adultos, seja na escola, em casa ou na
rua, que supervisionam, de forma formal ou informal, e que podem detetar a
situação, intervir e dar o alerta, no caso do cyberbullying não. Não há ninguém
que supervisione o que está a acontecer online em tempo real, até porque, como
alerta o psicólogo Luís Fernandes, “miúdos são nativos digitais e os pais
emigrantes digitais”. Ou seja, os mais pequenos têm frequentemente mais
competências tecnológicas do que os pais.
Se os bullies são tendencialmente crianças
com baixa ou alta autoestima não se sabe bem: os estudos não são consensuais.
Alguns apontam para o facto de a agressão ser um reflexo de insegurança e de
autoestima baixa, outros apontam para miúdos que se acham a última coca‑cola no deserto e tão acima dos outros que têm o direito de fazer o que lhes apetece.
Mas seja qual for a autoperceção, a motivação
passa quase sempre pela autoafirmação. Por isso, Tiago Andrade não quer
terminar a conversa sem deixar um conselho aos jovens bullies: “A necessidade
de fazer bullying passa por querer um estatuto de superioridade dentro do
grupo, mas esse estatuto é conseguido pelo medo e não pelo mérito. Há outras
maneiras, positivas, de liderar grupos. Por exemplo, ajudando os outros, em vez
de os prejudicar.”
BULLIES MUITO À FRENTE
Quer no bulliyng quer no cyberbullying, há
esquemas cada vez mais elaborados. Muitos miúdos arranjam quem “suje as mãos
por eles”: o cabecilha do esquema de bullying é autor moral, mas não executa.
Luís Fernandes, psicólogo educacional da
Sementes de Vida – Associação de Apoio à Vítima e coautor do livro
Cyberbullying, Um Guia para Pais e Educadores, confessa que só os anos de
experiência que já leva a lidar com agressores lhe permite entrar na cabeça
deles. “Os esquemas são cada vez mais refinados, temos de conseguir pensar como
eles, caso contrário, andamos sempre a correr atrás do prejuízo: quando estamos
habilitados a lidar com as coisas de uma forma, já eles estão muito mais à
frente nas estratégias.”
E deixa um caso: “Tive um miúdo que instigava
outros a molestarem física e psicologicamente a vítima e ficava apenas a ver.
Fazia mais: quando via que um auxiliar na escola detetava a situação, saía do
papel de observador e ia acalmar os ânimos. Nos relatórios ficava mencionado
como o miúdo que fora essencial na resolução do conflito, quando, na realidade,
tinha sido ele a instiga‑lo.” Quando o psicólogo lhe perguntou como escolhia os miúdos que agredia respondeu: “Conhece o quadro de honra? Parece a ementa.”